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“O PSD vai conquistar a Câmara por maioria absoluta”

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O Presidente da Câmara Municipal de Alcobaça, Gonçalves Sapinho, afirma Entrevista de Clara Bernardino e Tânia Rocha R.N. – Já é público que não se vai recandidatar. Fecha aqui o ciclo dos seus mandatos, enquanto presidente da Câmara Municipal. Qual é o balanço que faz da sua passagem pela Câmara? G.S. – Posso dizer que […]
“O PSD vai conquistar a Câmara por maioria absoluta”

O Presidente da Câmara Municipal de Alcobaça, Gonçalves Sapinho, afirma Entrevista de Clara Bernardino e Tânia Rocha R.N. – Já é público que não se vai recandidatar. Fecha aqui o ciclo dos seus mandatos, enquanto presidente da Câmara Municipal. Qual é o balanço que faz da sua passagem pela Câmara? G.S. – Posso dizer que fiz o que quis, considerando as condicionantes financeiras. Tive a sorte de apanhar o final do segundo Quadro Comunitário de Apoio e todo o terceiro Quadro. O grande desafio, que coloquei a mim próprio, foi aproveitar até à exaustão tudo o que fosse oferecido pelo terceiro Quadro Comunitário de Apoio e pelo actual QREN. Posso dizer que o Município de Alcobaça foi o Município que mais recebeu, em termos relativos e em termos absolutos, do terceiro Quadro Comunitário, comparando com todos os restantes Municípios do Oeste.

R.N. – Quais são as obras mais relevantes que destaca depois de ser presidente de Câmara? G.S. – A zona envolvente do Mosteiro de Alcobaça é uma obra perene. Nos próximos 200 anos ninguém vai mexer naquilo. Esta obra está feita e estruturada, fisicamente, para ser perene. Não é um arranjo de superfície, é um arranjo profundo. Esta é uma obra que considero emblemática e de ruptura, cujas virtualidades virão ao de cima com o decurso do tempo. Respeitosamente, direi que era urgente e emergente mexer em profundidade. Depois temos a VCI, os dois complexos de Piscinas Municipais (um na Benedita e outro em Pataias), a requalificação do Cineteatro, da Escola Adães Bermudes e do Pavilhão Gimnodesportivo, a Biblioteca, as compras da Cooperativa, do Merco Alcobaça e dos terrenos para a instalação da Área de Localização Empresarial da Benedita e do Hospital Oeste Norte, em Alfeizerão. Considero estas aquisições como operações de “alto risco”, para as quais não havia alternativa. Neste âmbito, importa referir também a requalificação da zona de Entre-os-Rios. Outro dos programas já aprovados, no âmbito do QREN, no valor de 10 milhões de euros, é a requalificação do Mercado e da zona envolvente. Acresce, ainda, uma questão cheia de simbolismo, a criação do Destacamento da GNR de Alcobaça, que passa a ter autonomia em relação ao Destacamento de Caldas da Rainha, e terá o comando de um oficial. Esta mudança vale ouro e vai ser construído na Quinta das Freiras. Em São Martinho do Porto podemos destacar a requalificação da Marginal, o Elevador Panorâmico e a despoluição da Baía. Esta última era, de todas as obras, a mais necessária. Não está à vista, mas é uma obra estruturante que marca a actual etapa de desenvolvimento de São Martinho do Porto. Neste âmbito, só falta acabar com a suinicultura, nas “barbas” da Baía. Destaco, ainda, o projecto para a construção de uma avenida entre a linha do caminho-de-ferro e a Marginal, com ligação à rotunda de entrada em São Martinho do Porto. Na Benedita, destaco o prolongamento da Avenida até à Estrada Nacional 1, as Piscinas Municipais, o quartel da GNR, a Área de Localização Empresarial (cujo terreno foi pago, exclusivamente, com verbas municipais), o impulso dado à construção do quartel dos Bombeiros Voluntários, o duplo alargamento do cemitério e o Centro Escolar, com o lançamento da primeira pedra para breve. Relativamente a Pataias, com destaque para a responsabilidade na construção do quartel dos Bombeiros Voluntários, as Piscinas, a Ciclovia, o forte investimento para a valorização das zonas balneares, o projecto da Avenida Rainha Santa Isabel e o novo Centro Escolar. Outra coisa importante, em Alfeizerão, foi a aquisição da Quinta da Cela, terreno disponível para o futuro Hospital Oeste Norte. Esta compra foi muito criticada, com problemas de toda a espécie e feitio. No entanto, é importante dizer que a compra só foi feita quando o Governo mandou fazer um estudo que concluiu que a melhor localização era aquele terreno. Não podia ser ingénuo ao ponto de não comprar esse terreno, porque assim que o Ministério quisesse o terreno, eu teria de o ter e de dizer qual era o sítio que oferecia. Lembro, a inauguração da sede da Junta de Freguesia de Alfeizerão e dos Centros de Saúde, Alfeizerão e Martingança. Outro grande investimento da Câmara de Alcobaça foi feito na Cultura. Quando tomei posse, a Biblioteca Municipal não tinha 5 mil livros, hoje tem um espólio de cerca de 60 mil livros. A criação do Centro de Estudos Superiores da Universidade de Coimbra, em Alcobaça, que já produziu e está a produzir um trabalho notável, na área dos Mestrados, Pós-graduações, Colóquios, etc. Recordo que os concursos para os cursos do Centro já têm honras de publicação em Diário da República. Os doces conventuais, o Cistermúsica e a Educação são, também, obras muito relevantes. Os Centros Escolares foram decididos muito antes do Governo dizer que ia fazer Centros Escolares. Agora estamos a apostar no sentido de fazer estes centros adequados às necessidades. Espero que sejam alcançadas as primeiras pedras de cada uma destas obras, ainda este mês. Vai ser um investimento muitíssimo grande para a construção dos seis Centros Escolares (Alcobaça, Benedita, Pataias, Alfeizerão, Cela e Turquel). Muito me orgulha o programa para a aquisição dos imóveis que envolvem o Mosteiro de Cós, feitas 2 aquisições, está em negociação uma terceira, além de os pavilhões gimnodesportivos (Martingança, e apoio na requalificação dos de Turquel e Évora de Alcobaça, com lançamento da 1ª pedra para breve). Trabalho notável, ciclópico e exigente foi o da participação na elaboração do PROT (Plano Regional de Ordenamento do Território), aprovado em Conselho de Ministros na semana passada. Todo o Município é beneficiado, com destaque para Alcobaça, Pataias e São Martinho do Porto, na área do Turismo. Com efeito, havia investidores para o Golfe, em Pataias e em São Martinho do Porto, e para outros fins em Alcobaça. O nosso PDM não tinha previsto 1 cm2 de área para o turismo (passe o exagero), enquanto Óbidos não tinha 1 cm2 que não se destinasse ao Turismo. Em dezenas de reuniões, lutámos para inverter a situação e conseguimos. Trata-se de uma vitória estruturante, de uma mudança radical que vai propiciar investimento. Cito apenas que o Município de Alcobaça passa a poder dispor, se houver investidores, de uma dezena de milhares de camas. Não tenho dúvidas em afirmar que, passada a crise ocorrerá uma revolução nos paradigmas do Município. Em todas as Freguesias, sem qualquer excepção, foram feitos investimentos de monta, não cabendo, aqui, a referência a todos. R.N. – Comprou-se uma guerra com as Caldas da Rainha, em relação ao Hospital Oeste Norte? G.S. – Não, Caldas da Rainha é que comprou uma guerra com Alcobaça. Alcobaça é pacífica, não compra guerras com ninguém. Não fui eu que escrevi qual era o sítio melhor para o Hospital, foi o Professor Daniel Bessa, na incumbência do Governo. O trabalho de casa foi feito até à exaustão e continua a ser feito. Nunca desarmo, sobretudo face aos oportunismos. Tenho orgulho de ter comprado o terreno, a tempo e horas. Há cerca de 3/4 semanas apareceu uma nova Comissão Técnica que representa o Instituto Superior Técnico, a quem o Governo cometeu a incumbência de se pronunciar sobre a localização. Reunimos durante 3 a 4 horas, fizemos o trabalho de casa e isto só era possível se tivesse uma proposta concreta e não uma miragem sobre o terreno. Ainda não sei qual é a decisão da Comissão, mas orgulho-me de ter feito a compra. Se o Hospital for para lá, toda a gente diz que fiz bem, se não for, toda a gente me castigará, mas não tenho problema nenhum com isso. Continuo a pensar que era um dever “patriótico” comprar o terreno. Se o objectivo tiver insucesso, ninguém “leva” o terreno. Quem compra também vende. R.N. – O que ficou por fazer? Quais os objectivos que tinha, mas que não conseguiu concretizar? G.S. – Fico muito triste se não deixar tudo preparado para a implantação da Área de Localização Empresarial da Benedita. Estão assegurados apoios do QREN, por decisão do Conselho de Ministros. O projecto está quase concluído e vai ser apresentado publicamente. Até ao final do mês de Julho, segundo documentação em meu poder, o Conselho de Ministros aprovará o estatuto do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, sem o qual não é possível mudar o uso dos solos. Está tudo negociado e preparado. Quanto ao resto, não quero ser pretensioso, mas considero que este período de 12 anos foi um período de ouro. Houve mais investimentos públicos em Alcobaça, Benedita e Pataias nos últimos 12 anos do que nos últimos 100 anos. Ficam sempre muitas coisas para fazer em todos os mandatos. R.N. – Porque é que não se recandidata? G.S. – Porque só me podia recandidatar mais uma vez, e entre sair pelo pé de outrem, a Lei, ou sair pelo meu, prefiro sair por mim. Era um fumador inveterado, deixei de fumar há cerca de 9 anos, mas as sequelas manifestaram-se em 2008, nomeadamente, em alguns problemas nas vias respiratórias. Isto pesou muito na minha decisão. A campanha autárquica é uma coisa muito dura. Se não houvesse campanha eleitoral podia gerir a Câmara sem problema, mas como tinha de entrar numa campanha eleitoral, com todas as tensões que isso acarreta, resolvi não me recandidatar. Tenho um enfisema, tenho de viver com isto e resolvi acautelar-me, não vivendo a violência de uma campanha eleitoral, isto por respeito para com os adversários. O problema não é a câmara, é fazer a campanha eleitoral. Aguento muito bem outro tipo de campanhas, até porque, a saúde melhorou. Portanto, são estas as razões fundamentais. R.N. – Está satisfeito por Nazaré e Alcobaça estarem agora na Região de Turismo do Oeste? G.S. – Claramente. Esta questão do Turismo está a preparar dois Municípios para o futuro. Isto é uma questão de estratégia. Aquilo que é mais importante, no caso de Alcobaça, e penso que também no caso da Nazaré, é estarmos com as malas feitas para pertencermos à região de Lisboa, se houver regionalização. Todo este trabalho fica já feito. O grande Pólo Turístico, hoje e no futuro, é Lisboa. Acresce que os Municípios que adviriam da Região de Turismo de Leiria/Fátima irão, obviamente, manter-se. O diálogo entre os dois Pólos Turísticos é inevitável. De qualquer modo, considero que nenhum dos Pólos tem escala para o desenvolvimento de um trabalho de promoção sério. Antevejo que a futura Região de Lisboa, a existir, vai incluir Leiria. Acresce que em todos os sectores estamos ligados a Lisboa, incluindo o factor religioso. Não é necessário ser inovador. R.N. – A haver marina na Região de Turismo do Oeste, pensa que ela se deveria situar em São Martinho do Porto ou na Nazaré? G.S. – Não tenho qualquer dúvida de que deve ser na Nazaré. É uma questão de vocação, de espaço e de racionalidade. São Martinho pode e deve ser um apoio complementar. Cada município deve ter a sua vocação, sem corrermos todos para o mesmo lado. R.N. – Considera que vai deixar uma boa herança ao seu sucessor? G.S. – Considero. Uma das coisas que tenho orgulho, é de ter deixado gente com 30, 40 e 50 anos, ligada à política, e ter preparado, em todos os patamares, quadros para continuarem o trabalho. Essa é a coroa da glória, que chamo a mim. Deixei quadros ligados à Câmara que podem ser presidentes e vereadores, chefes de gabinete, adjuntos, assessores. Gente nova, com muita qualidade. Isto foi fruto de uma gestão de pessoal, pensada e concretizada. Não faço comparações com outros partidos, porque o óbvio está à vista. Formar quadros leva tempo, e nós formámo-los, ao longo de 12 anos e que valem para décadas. É de salientar que houve três ou quatro potenciais candidatos à Câmara. Qualquer um deles estava preparado para ser candidato. R.N. – O escolhido tem a sua aprovação? G.S. – Qualquer que fosse o escolhido tinha a minha aprovação. É inequívoco que vou apoiar, pública e activamente, o candidato, Dr. Paulo Inácio. Tem condições para fazer um bom desempenho. Não vejo que outra organização política possa entrar com esta candidatura no seu todo. Julgo que está à vista de todos. R.N. – Apesar de não se recandidatar a presidente da Câmara, considera a possibilidade de exercer algum cargo público? G.S. – Tenho experiências riquíssimas e ligações pessoais vividas ou adquiridas, ao longo de décadas. Sou doutorado nas áreas educativa, social e cultural, de direcção e política. Só posso responder que “andarei por aí”. R.N. – Considera que, com a sua saída, o PSD vai conquistar a Câmara e com a mesma expressão das últimas eleições? G.S. – Considero que o PSD vai conquistar a Câmara, por maioria absoluta, se não houver erros ou distracções no percurso. A selecção das melhores pessoas é o busílis da acção política. Espero e desejo que esta tarefa tenha sucesso. R.N. – Quais os pontos fortes e pontos fracos da sua governação? Como se avalia? G.S. – Pontos fortes: colocar a Educação, a Cultura, o Património e as questões sociais em patamar elevado e exigente; deixar quadros preparados para a gestão da crise pública. Ter resolvido questões estruturantes que irão evidenciar-se com o decurso do tempo. R.N. – Quer acrescentar alguma coisa? G.S. – Agradeço e queria lembrar uma coisa marcante e que foi a escolha do Mosteiro de Alcobaça, como Maravilha Nacional, pelo trabalho que deu, por ter sido testemunhado por todos os órgãos de soberania nacional. A classificação não foi oferecida, e, infelizmente, causou dor a muita gente. Trata-se de uma história que não se volta a repetir. Houve bastante gente que perdeu esta aposta. Sublinho, ainda, os passos dados no sentido da internacionalização de Alcobaça e do Mosteiro. O protocolo com a Universidade de Coimbra, foi celebrado para ter sucesso e vai tê-lo. Qualquer candidato pode prometer outras soluções e desafio os detractores para duas coisas: primeiro, para proporem alternativas; segundo, darem provas de que elas são viáveis. Lembro que no próximo ano lectivo vão funcionar um curso de Pós-graduação e um Mestrado. O objectivo é “entrar” no Mosteiro, criar a Fundação e apresentar a candidatura para que o actual Centro de Estudos evolua para Pólo da Universidade de Coimbra. Tarefa complexa, mas possível. Não estou em tempo de agradecimentos, embora pense fazê-lo directamente e sem intermediários. Abro porém uma excepção, com um abraço grande para todos os presidentes de Junta, sem qualquer excepção, durante os meus três Mandatos. Gente notável.

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