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Ginja de Alcobaça e de Óbidos integra lista de produtos protegidos por Bruxelas

Paulo Alexandre

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A Comissão Europeia adicionou, no passado dia 29, a ginja de Alcobaça e Óbidos à lista de produtos com Indicação Geográfica Protegida (IGP). A IGP é uma classificação ou certificação oficial regulamentada pela União Europeia atribuída a produtos gastronómicos ou agrícolas tradicionalmente produzidos numa região. Essa classificação garante que os produtos foram produzidos na região que os tornou conhecidos e que as características, a qualidade e os modos de confecção estão de acordo com as tradições que os fizeram famosos.

O reconhecimento da ginja de Óbidos e Alcobaça como produtos com indicação geográfica protegida pode alavancar a criação de novos pomares e de novas empresas, considera a associação de produtores que liderou o processo de classificação.

“Esta classificação cria um grande potencial para criar uma mini fileira da ginja e temos a expetativa de que irão surgir novos pomares que contribuirão para a pequena economia da região, com a criação de pequenas empresas de licores e doces”, disse à agência Lusa Jorge Soares, presidente da Associação dos Produtores de Maçã de Alcobaça (APMA).

A associação que liderou a candidatura de pedido de registo de Indicação Geográfica Protegida (IGP) para a Ginja de Óbidos e Alcobaça viu o fruto adicionado pela Comissão Europeia à lista dos produtos com IGP, culminando assim “um processo que visava a reabilitação de pomares de ginja cuja existência é bastante limitada”, afirmou o mesmo responsável.

A escassez de pomares e de conhecimento científico em torno da sua plantação faz com que algumas empresas de produção de licor de ginja “recorram a frutos importados essencialmente dos países de Leste [da Europa]”, situação que pode agora ser invertida com a plantação de novos pomares.

O processo de candidatura, iniciado em 2011, contribui desde logo para “aumentar a investigação e editar um livro com indicações técnicas que são um referencial para a plantação”, bem como para o aumento da produção, já que, segundo Jorge Soares, “foram já plantados cerca de vinte novos pomares”.

Ainda assim, reforçou, “há um grande potencial de crescimento quer em termos de mercado nacional quer de exportação”, a par da possível utilização do fruto por “produtores artesanais que fazem licor de ginja em casa e que podem expandir a produção de um produto muito tradicional”.

O reconhecimento da Comissão Europeia obriga agora à definição de uma entidade gestora da IGP, cuja constituição a Associação da Maçã de Alcobaça vai “discutir com os produtores e as quatro maiores indústrias de transformação”, para avaliar se pretendem “criar um nova associação ou um núcleo específico dentro da APMA”, adiantou Jorge Soares.

A ginja de Óbidos e de Alcobaça é um fruto da família das cerejas, produzido na região que se estende do parque natural da Serra de Candeeiros até o Oceano Atlântico, caracterizado pela sua intensidade aromática e sabor agridoce equilibrado.

A área geográfica de produção da ginja de Óbidos e Alcobaça corresponde aos concelhos de Óbidos, Alcobaça, Nazaré, Caldas da Rainha, Bombarral e ainda algumas freguesias do concelho de Porto de Mós.

A partir da ginja, cujo teor de acidez a torna pouco apetecível para consumo ao natural, produzem-se licores (a ginjinha), compotas e tisanas.

Na região Oeste, as maiores empresas de produção de licor de ginja situam-se nos concelhos de Óbidos (duas), Alcobaça e Bombarral.

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