Q

Previsão do tempo

17° C
  • Wednesday 25° C
  • Thursday 28° C
  • Friday 30° C
17° C
  • Wednesday 29° C
  • Thursday 34° C
  • Friday 37° C
18° C
  • Wednesday 31° C
  • Thursday 34° C
  • Friday 37° C

Concerto épico comemorou os 12 anos de elevação a cidade

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
Momentum Perpetum em Alcobaça David Mariano Há 12 anos Alcobaça era elevada a cidade e 12 anos depois um concerto da Momentum Perpetum, Orquestra de Jovens de Portugal, elevou a cidade ao espírito do melhor que pode (e deve) ser a comemoração de uma data de aniversário. Foi no Cine-Teatro de Alcobaça, no último dia […]
Concerto épico comemorou os 12 anos de elevação a cidade

Momentum Perpetum em Alcobaça David Mariano Há 12 anos Alcobaça era elevada a cidade e 12 anos depois um concerto da Momentum Perpetum, Orquestra de Jovens de Portugal, elevou a cidade ao espírito do melhor que pode (e deve) ser a comemoração de uma data de aniversário. Foi no Cine-Teatro de Alcobaça, no último dia 30 de Agosto, e os jovens que compõem este projecto (em cima do palco eram cerca de 70 músicos de vários pontos do país e eram mais seguramente dos que se encontravam na plateia) mostraram como a música clássica pode ser um verdadeiro acto de celebração musical descomplexado e informal: todos eles, maestro incluído, vestiram a camisola amarela (ou melhor: uma t-shirt) e não vamos dizer que a suaram, preferimos dizer que deixaram tudo em “campo”.

Parte das culpas têm sido atribuídas ao “mestre” Martin André que em Abril de 2006 estagiou com esta orquestra e formou um grupo forte e coeso (poderíamos acrescentar a palavra “clube”, já eles falam em “família”: é o que vem no programa), o qual o inglês não mais quis largar. Deram um primeiro concerto em Aveiro durante o Verão do ano passado, daí seguiram para a Casa da Música (anfitriã dos ensaios e do concerto do encontro de Dezembro) e no dia de ano Novo acabaram a actuar para mais de novecentas pessoas, durante duas horas, com direito a gravação e transmissão na Antena 2. Parecem miúdos, é certo, mas tocam como gente adulta -e quem fechasse os olhos não ia notar a diferença (ou pelo menos, nós não notamos). Só o repertório chegava para assustar qualquer músico com reputação: o italiano Giuseppe Verdi (abertura da ópera “A Força do Destino”), o checo Bedrich Smetana (“Moldava” de “A Minha Pátria”) e o russo Tchaikovsky (medo dos medos: “O Lago dos Cisnes”). Não satisfeitos com a interpretação e a universalidade de tais temas, houve ainda nesta orquestra quem tivesse o desplante de compor uma obra original: CO2, da autoria de Eduardo de Sousa, com a atrevida idade de17 anos e aluno de violino do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga (e no mínimo sentiu-se ali algo de muito promissor). Com t-shirt ou sem t-shirt, com problemas de acne ou sem problemas de acne, nascidos em Lisboa ou na Pampilhosa da Serra, o que assistimos foi a um rigorosíssimo e disciplinado concerto onde o amadorismo apenas se detectou na juvenilidade dos intérpretes e a execução mostrou profunda vocação profissional. Percebe-se igualmente a razão porque este conjunto de jovens decidiu apelidar-se Momentum Perpetuum (há neles uma vontade de prolongar o desejo de tocar indefinidamente, ou seja, “perpetuando o momento”) e confessamos: não imaginávamos que houvesse coisas destas em Portugal a demonstrar tamanho empenho e qualidade (os “Morangos com Açúcar” não moram aqui). Quem não mostra esse entendimento, segundo uma nota lida por uma das jovens ao público, é o Ministério da Cultura e o Instituto das Artes que lhes têm recusado qualquer tipo de apoio (e apetece dizer que é um escândalo, mas dizemos mais: é dar o sinal errado à cultura juvenil). Nada que os demova e eles até estão apostados em continuar; como o comprova os três encores que cumpriram (faltou pouco para isto se tornar num espectáculo rock) ou a vontade de continuar do maestro Martin André que nem após o último acorde se apercebeu que tudo tinha terminado, que a música já tinha chegado ao fim. Foi o momento de maior cumplicidade entre a orquestra e o público: todos se riram e ninguém queria ter ficado por ali. Nós também não (e talvez este seja o melhor elogio que lhes possamos de deixar).

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Artigos Relacionados

As vantagens de apostar num projeto de cozinha com ilha

Este tipo de cozinhas modernas com ilha, são cada vez mais comuns em Portugal por oferecerem uma estética interessante e serem muito mais práticas do que as cozinhas com uma disposição mais tradicional.

artigo