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Covid-19: Inquérito do impacto da pandemia nas empresas da Nazaré

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Com o objetivo de intervir diretamente na mitigação dos impactos do surto pandémico no tecido empresarial local, a ACISN tentou perceber por dentro as consequências do “embate” com a crise de saúde pública provocada pela COVID19, efetuando um questionário às empresas suas associadas, entre os dias 09 e 20 de junho de 2020.

O inquérito contou com 49 respostas, num total de 364 inquiridos. As respostas obtidas representam os diversos setores de atividade do concelho da Nazaré. Sendo uma amostragem pequena, ainda assim revela indicadores que se poderão, tirando certos contextos específicos, alargar ao universo geral de associados.

A esmagadora maioria das respostas (33) foram dadas por estruturas empresariais com um número de funcionários compreendido entre 1 a 9. Desde logo, estes dados confirmam a natureza “micro” das empresas associadas.

Sobre o momento da reabertura após o desconfinamento, 21 associados afirmaram que reabriram na 2ª fase (entre 18 e 30 de maio), 14 associados reabriram na 1ª fase (entre 04 e 17 de maio),10 Associados na 3ª fase (entre 01 e 14 de junho).

À data da elaboração do questionário 9 associados ainda se encontravam com os estabelecimentos encerrados: 5 por imposição legal, 3 por opção e 1 afirmava já não reabrir.

Sobre a possibilidade de alterarem a equipa de trabalho após a reabertura, 30 associados afirmaram que mantêm a mesma equipa que tinham antes do Estado de Emergência e 17 afirmaram que procederam a alterações de pessoal. O lay-off foi o principal instrumento utilizado para garantir a manutenção dos postos de trabalho e 4 empresas acabaram por afirmar que se viram forçadas as despedir.

Sobre a grande questão que permite avaliar a viabilidade económica das empresas (a faturação), 21 associados afirmaram que tiveram uma redução superior a 75% comparativamente ao período homólogo do anto anterior, 15 associados assumem uma redução entre 50% e 75%, e 6 evidenciaram uma redução entre 25% e 50%. Os restantes 5 associados registaram uma redução inferior a 25%.

Sobre a evolução dos resultados económicos, 27 associados revelam-se otimistas, pois preveem um aumento da faturação que rentabilize o negócio, 16 associados dizem que o volume de faturação (à data do questionário) não permite a sustentabilidade da empresa e apenas 5 associados responderam que a faturação permite a sustentabilidade financeira da empresa.

A maioria dos associados afirmaram que as medidas traçadas pelo Governo nacional foram aprovadas em tempo útil.

Com alguma naturalidade, todos esperam que o verão reequilibre a economia local e, na verdade, assiste-se, neste momento, a esse esperado aumento do consumo no plano local, mas ainda assim com grandes assimetrias no concelho e nos diferentes setores.

Na Restauração e similares há um claro aumento da procura, no entanto existem setores de atividade com grandes quebras como no Alojamento, que são submetidos a enormes esforços de redução de preços para garantirem continuidade na atividade apesar do abaixamento da faturação.

O cenário revela grande preocupação do tecido empresarial face a um futuro sempre incerto, mas que o quadro atual veio acentuar profundamente essa incerteza.

Sabemos do enorme potencial que o concelho da Nazaré tem para atrair visitantes e sabemos da grande qualidade da oferta, no entanto tememos que a conjuntura sanitária, macroeconómica, política e diplomática, não dê as respostas mais acertadas, e de forma célere, que a sociedade, como um todo, precisa.

Também sabemos da enorme dependência que o país tem revelado face ao setor do Turismo, um caminho que poderá conduzir a uma recuperação económica e social amplamente mais lenta e com impactos de elevada complexidade.

Aproveitando todo o nosso potencial turístico, urge diversificar a economia para que o país seja mais autónomo, equilibrado e menos exposto a choques externos. Dessa forma, os impactos sociais serão incomparavelmente diferentes e o futuro encarado com mais realismo, objetividade e esperança.

ACISN

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