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EDITORIAL

Os VIP à portuguesa

Clara Bernardino

EXCLUSIVO

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Que há um “Big Brother” que cruza os nossos dados profissionais, bancários, pessoais e que é possível saber quase tudo sobre alguém desde que se tenham alguns números de identificação e alguma habilidade informática, já todos sabemos. Digamos que o Estado é uma espécie de “Big Brother” e nós, todos os portugueses com número de contribuinte, estamos, constantemente, a ser observados.

Quanto ao “reality show”, que atende pelo mesmo nome e é visto por milhares de portugueses, ilustra, na perfeição o estado da nação. Quem são os ídolos da nação? Pessoas que deram a cara por escândalos e ganham por semana 3000,00€ para dizerem umas baboseiras e fazerem correr tinta nos jornais?

A verdade é que às segundas de manhã, mesmo quem não vê o programa ouve os comentários dos que o vêem sobre o barracão e o casarão e as personagens que os vão habitar enquanto o programa estiver no ar. Se a sigla inglesa “VIP” continua a querer dizer a mesma coisa de sempre, “very important person”, a questão que se coloca é se as pessoas importantes deste país são aquelas… O que fizeram de importante o Zézé Camarinha ou a senhora brasileira que ninguém conhecia, antes de vir à televisão portuguesa, exibir os seus dotes físicos? Já para não falar dos outros… Sim, o que fizeram eles em prol de um país à beira da bancarrota, em que há pessoas a passar fome, milhares de desempregados e outros tantos em risco de perder o emprego?

Ler nas parangonas de um jornal nacional quanto ganham os habitantes do “barracão” e do “casarão” é no mínimo ofensivo para a maior parte dos portugueses, que faz contas ao que tem na carteira e não sabe se o dinheiro vai chegar até ao fim do mês.

Trata-se quase de um fenómeno sociológico: aquele programa despoleta na maior parte dos portugueses a coscuvilhice, a sensação de espreitar, aquilo que muitos chamam “voyeurismo”.

Se o nosso futuro depender dos modelos que os nossos jovens têm, teremos uma geração de portugueses a pensar que ser importante é ser falado. Afinal, talvez o ditote popular esteja correto: “não é importante que digam mal ou bem… o importante é que falem!”

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