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Livro sobre Manuel Remígio lançado dia 25 de agosto

JL

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É apresentado no dia 25 de agosto, na Biblioteca Municipal da Nazaré, o livro sobre Manuel Remígio, escrito pelo neto mais novo, Rui Remígio. O documento relata a vida e obra de “Manuel da Eugénia”, como era conhecido, homem que nasceu a 8 de Junho de 1871, um dos promotores da ideia de um porto de abrigo na Nazaré.

RN: Como surgiu a ideia de fazer um livro sobre o seu avô?

RR: A ideia já tem muitos anos, e surge por quatro motivos: a vida do meu avô ser muito rica; ter a percepção que as pessoas em geral e os nazarenos em particular se iriam interessar; saber que seria possível dispor de informação mais do que suficiente e saber que estava ao meu alcance o desafio e a responsabilidade que constitui uma obra desta dimensão.

Era um assunto permanentemente adiado por estar com vários e importantes projectos em curso.

Quando recebo um telefonema anunciando a Exposição sobre os 30 anos do Porto da Nazaré, com a solicitação de contribuir para a mesma, instantaneamente assumi que o meu avô, Manuel Remígio, merecia uma biografia para consolidar o grande nazareno que foi, e que perdura.

RN: Quanto tempo, e onde recolheu toda a informação acerca da vida do seu avô?

RR: Tive uma boa base de partida, documentação sobre o Porto da Nazaré foi guardada pelo meu avô, que transitou para o meu pai e depois para mim. Estou a falar de correspondência de Manuel Remígio e recortes de jornais com artigos e, ainda, de outros documentos.

O meu avô guardou tudo em vida sobre o Porto de Abrigo (até 1964) e meu pai continuou até ao seu falecimento (1998). É um espólio fabuloso.

Há cerca de três anos comecei a recolher documentação complementar no Museu Dr. Joaquim Manso, na Biblioteca da Nazaré e na família. Mais recentemente nos Arquivos Históricos da Armada e Militar.

RN: Como foi a experiência de fazer o livro?

RR: Está a ultrapassar todas as expectativas. Quando decidi fazer o livro (senti a obrigação de o fazer), há cerca de um mês, dediquei cerca de 80% do meu tempo, interrompendo todos os meus projectos em curso.

Resolvi conversar e recolher testemunhos de nazarenos que tenham conhecido pessoalmente o meu avô Manuel, quase todos com mais de oitenta anos. Os seus contributos não estavam previstos no Plano inicial do livro da biografia do meu avô”. Porém, rapidamente constatei que seria uma das partes mais importantes.

Considero que é uma mais-valia do livro e foi uma experiência deveras interessante e motivante. Conversar com quem: o meu avô conversava, ia à loja da minha avó comprar as mercearias diárias, ia levar o jornal ao meu avô e ia fazer recados à minha avó já velhinha, foi enriquecedor e por vezes até me comovi.

Ainda bem que estou a fazer o livro.

Bem-haja a todos os que deram o seu contributo

RN: Que critérios usou para seleccionar da informação que colocou no livro?

RR: Como nazareno, nasci na casa de meu avô, na Rua de São Lázaro, 12 – 2º, coloquei-me sempre como se fosse qualquer outro nazareno focando o que gostaria de saber.

Sem prejuízo deste primeiro objectivo, não podia deixar de descrever o que foi o meu avô na sua dimensão, humana, familiar, profissional e de cidadão empenhado no bem dos outros (tinham um coração maior que ele próprio, como diz José Soares). Difícil seleccionar? Sim e muito. O meu avô durante os seus 93 anos, colecionou tudo o que se relacionava com o Porto de Abrigo e algo sobre a sua passagem pela Armada e pelo Exército.

O meu pai continuou esta tarefa, também até à data do seu falecimento com quase 91 anos.

Como já focado, eu também fiz pesquisas com resultados muito significativos.

Seleccionei essencial o que o leitor gostará de saber – Estou disponível para ouvir as suas apreciações.

RN:Os nazarenos sabem quem foi Manuel Remígio?

RR: Cada vez menos e alguma responsabilidade caberá às forças vivas na Nazaré e também à família. Este livro será um contributo para fazer perdurar a memória deste nazareno que tanto amou a sua terra e as suas gentes. Vamos ponderar o que mais se pode fazer.

De acordo com a lei natural das coisas e da vida, já são poucas as pessoas que o conheceram directamente. Dos seus amigos já nenhum está entre nós. Notemos que Manuel Remígio, ou Manuel da Eugénia, ou Manuel João da Eugénia, ou simplesmente Manuel teria agora 142 anos de idade.

RN:Quando e onde o livro vai ser apresentado?

O livro vai ser apresentado na Biblioteca Municipal da Nazaré no próximo dia 25 de agosto às 17:00 horas. Neste mesmo dia, às 15:00 horas, no Centro Cultural da Nazaré (antiga Lota), sita na Avenida Manuel remígio, será inaugurada a Exposição: 30 anos do Porto de Abrigo da Nazaré. A família de Manuel Remígio está a colaborar com a Câmara Municipal da Nazaré, para expor testemunho da vida e obra deste devotado filho.

RN:Quantos exemplares vão sair na primeira edição?

RR: Ainda estou a ponderar tendo em conta o interesse que esta biografia possa despertar e a situação económica e financeira que o país atravessa.

Uma coisa estará assegurada: Quem quiser adquiri-lo vai ter a possibilidade de o fazer.

RN:Em que locais é que o livro vai estar à venda?

RR: A distribuição será local quanto a vendas em estabelecimentos,

nomeadamente: Livraria Susy e Papelaria do Carlos Hipólito, na Rua da Sub-Vila e na Agência Vieira (dos jornais) na Praça Sousa Oliveira.

Vou procurar que possibilitar a respectiva compra via Internet de forma a abranger todos os nazarenos e outros interessados dispersos pelo país e pelo estrangeiro.

Quem foi “Manuel da Eugénia”

“Manoel” nasceu a 8 de Junho de 1871 no Sítio da Nazaré, na então freguesia da Pederneira, concelho de Alcobaça, filho de pais nazarenos, ele pescador João Remígio, “João da Eugénia” e ela Ana Moleira Pai-Teles. Foi o sétimo e último filho deste casal sendo todos os seus irmãos pescadores.

Todos os seus quatro avós eram também naturais da Nazaré e, seguramente, directa ou indirectamente ligados à pesca. Aliás, a sua ascendência é toda nazarena, até o seu trisavô Remígio Nunes que veio de Ílhavo casar com uma nazarena.

Terá tido uma infância normal para a época (há cerca de 140 anos), mas foi à Escola onde aprendeu a ler e escrever e, desde muito cedo, ganhou facilidade de redacção com uma boa caligrafia. Foi pescador como também era normal na Nazaré para rapazes descentes de pescadores.

Contudo, a 3 de Novembro de 1892 (com 21 anos), por sorteio, ingressa na Armada Portuguesa como 2º Grumete ascendendo rapidamente a 1º Sargento Artilheiro em 20 de Junho de 1903, após sucessivas provas que ultrapassou sempre com êxito.

Esteve mais de treze anos na Armada, sempre como artilheiro, dos quais mais de dez a navegar no Atlântico e no Índico, tendo estado em campanhas com risco na Guiné (1893) e em Macau (1900). A permanência no exterior mais alongada foi em Moçambique (1898), perto de 2 anos.

A 9 de Maio de 1899 foi-lhe atribuída, por despacho ministerial, a medalha de cobre da classe de comportamento exemplar.

Entretanto, quando 2º Sargento e entre duas missões, casou-se com Maria Capitolina de Jesus a 29 de Julho de 1901 quando tinha 30 anos e ela, peixeira, 25 anos. “Maria de Laró”, como era conhecida, era por sua vez descendente de duas famílias de pescadores: os Boquinha e os Patalão. Constituiu família, assegurando formação superior aos seus dois filhos. Hoje tem vários trisnetos.

Na parte final da sua permanência na Armada foi nomeado como escrevente da Capitania da Nazaré em 1 de Abril de 1905, tendo desempenhado estas funções cerca de cinco anos.

Estando na Armada, foi promovido a Alferes do Exército em 16 de Dezembro de 1910. Posteriormente ascendeu a Tenente. Prestou serviço em Infantaria 7, em Leiria. Durante a sua permanência no Exército, esteve em comissão de serviço, nas Capitanias da Nazaré (pela segunda vez), de Lisboa e de Setúbal, tendo-se reformado cerca de 1930 (com cerca de sessenta anos).

Muito cedo, Manuel Remígio, revelou a sua faceta de cidadão sempre a pugnar activamente em benefício do próximo.

Em 1896 (então 1º marinheiro) salva, com abnegação e risco de vida, um camarada de morrer afogado no Rio Tejo. Devido a este feito é lhe conferida a Medalha de Prata de serviços Distintos por Diploma Real.

De 1905 a 1910 faz parte dos corpos sociais da Comissão Local do Instituto de Socorros a Náufragos.

Em 1906 (estava na Capitania da Nazaré) integra a Comissão Dinamizadora da Sociedade Filarmónica Nazarense.

Em 1911 (no Exército) integra a Comissão Dinamizadora da instalação de uma fonte no Largo dos Cedros e entra com uma comparticipação, bem como a sua mulher, Maria Capitolina de Jesus.

Em 1912 (escrevente na Capitania do Porto da Nazaré), o Instituto de Socorros a Náufragos atribui-lhe um Louvor por Salvamento de pescadores.

Em 1926 inicia a sua actividade de promoção do Porto da Nazaré.

Em 1927 integra a Comissão dinamizadora do Caminho de Ferro Tomar – Nazareth.

O Porto da Nazaré

No âmbito do chamado Porto de Abrigo, Manuel Remígio foi impulsionado em primeiro lugar na busca de uma solução que permitisse poupar vidas de pescadores e de mestres que constantemente eram ceifadas em naufrágios. Sendo toda a sua ascendência, bem como de sua mulher, gente do mar, esses desastres muito o preocupavam. Há registos na Capitania do Porto da Nazaré de mortes entre os seus familiares.

Rapidamente teve a visão de um Porto de Pesca na Nazaré que fosse superior aos Portos vizinhos, tendo evoluído para um Porto de Pesca, Comercial e de Turismo.

Certamente o influenciou o saber que tinham existido os antigos Portos da Lagoa da Pederneira que recebiam e expediam mercadorias para Lisboa, para outros Portos nacionais e, ainda, para a Europa do Norte.

O Turismo, ainda embrionário na altura, também devia ser valorizado com uma marina que cabia na sua concepção do Porto, de que a Nazaré necessitava.

Manuel Remígio estudou a melhor localização do Porto da Nazaré, com base nos seus conhecimentos sobre a costa da Nazaré, na auscultação dos marítimos, seus conterrâneos, com os quais conversava e debatia longamente estes assuntos, tudo aliado aos conhecimentos adquiridos na Armada e sobre matemática (relembremos que era artilheiro).

O Ti Agostinho, entre outros, lembra que Manuel João da Eugénia, nome pelo qual conhecia Manuel Remígio, ia para o mar num pequeno barco a remos, sozinho ou com o Ti Óscar, em frente da foz do Rio Alcôa, prospectar os fundos com uma sonda com sebo.

Assim, encontrou a sua solução para a localização do Porto da Nazaré, ao Sul, que permitia um Porto com as três valências que preconizava:

Pesca, Comércio e Turismo.

Na Nazaré, entre os pescadores e entre os comerciantes, havia uma forte corrente que defendia o Porto a Norte junto ao promontório. Os pescadores estavam habituados a entrar e a encalhar ao Norte e não compreendiam um Porto a Sul. Os Cimentos da Maceira também vieram fazer pressão para um Porto a Norte, oferecendo todo o cimento necessário caso aqui se situasse.

Manuel Remígio, firme na sua solução, sempre a defendeu entre os nazarenos e perante o exterior, por vezes de forma isolada, mas sem antagonismos.

A sua acção mais mediática, como hoje se diria, foi a publicação de dezenas de artigos em jornais locais e nacionais que foram lidos por muitos interessados.

Menos conhecidas, foram as cartas que escreveu e recebeu em correspondência com as entidades locais e, sobretudo, nacionais, procurando mover influências a favor do Porto da Nazaré. Ganhou alguns adeptos e deparou com quem colocava obstáculos.

Foram quase quarenta anos (desde 1926 até 1964 – data do seu falecimento, com quase 93 anos) de luta diária, sem o menor desânimo.

Faleceu sem ter vingado a sua “Santa Causa”, mas o seu esforço foi reconhecido. Quinze anos após o seu falecimento (19 de julho 1979), o contrato de construção do Porto foi assinado e as obras tiveram início pouco depois, precisamente no local por si proposto.

Mais tarde o Porto passou a incorporar uma Marina – mais uma proposta de Manuel Remígio que vingou.

Agora só falta a vertente comercial – talvez um dia venha a concretizar-se. As características do Porto e os terrenos da envolvente, permitem perfeitamente que esta valência venha a ter lugar.

Manuel Remígio foi uma pessoa com uma vida familiar exemplar, uma vida profissional de comportamento exemplar e respeitada tendo tido uma acção continuada e intensa de cidadania activa durante quase 70 anos.

Texto JL com Rui Remígio

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