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Independente apoiado pelo Movimento Partido da Terra

António Salvador candidata-se à Câmara da Nazaré para “concretizar projetos” que o PSD não deixou

Francisco Gomes

EXCLUSIVO

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O vereador António Salvador anunciou na passada sexta-feira a sua candidatura à Câmara Municipal da Nazaré, como independente, apoiado pelo Movimento Partido da Terra (MPT). A escolha foi justificada por razões logísticas, por um lado, já que dessa forma não pagará IVA da campanha eleitoral, como os independentes são obrigados, e por outro, o candidato identifica-se com os valores ecológicos e de cidadania do MPT, que tem o arquiteto Ribeiro Telles como presidente honorário.

O autarca renunciou aos pelouros e ao mandato em setembro do ano passado por discordar da intenção do executivo em entregar a privados a gestão da água. Eleito pelo PSD, abandona a militância deste partido por sentir “um afastamento ideológico em relação a opções de gestão autárquica”, que impediu a concretização de processos em que se empenhou, no seu entender, em prejuízo da população.

“Desde hoje que renunciei à militância no PSD, por uma questão de coerência e para ter a independência que preciso”, começou por dizer, perante a cerca de meia centena de convidados que assistiu à sua apresentação no Hotel Praia.

“Não me revejo no partido como outrora”, confessou, apontando não concordar com várias situações na secção do PSD da Nazaré. “Quando eu era ativo dentro da secção, chegámos a ter cerca de 150 militantes com quotas pagas. Hoje são 30 e poucos”, referiu.

Apesar da renúncia ao PSD, António Salvador garante que acredita na social-democracia e, por isso, irá continuar a presidir aos Trabalhadores Sociais Democratas (TSD) do distrito de Leiria, uma vez que não é necessária ser militante para ocupar este cargo sindical. O autarca realçou que o seu distanciamento do partido se deve a discordâncias com a concelhia da Nazaré do PSD, o que já o levara a mudar a sede da sua militância para as Caldas da Rainha, onde trabalha como arquiteto da câmara local.

O vereador, que foi responsável pelo pelouro dos grandes projetos da Câmara da Nazaré neste mandato, afirma que não lhes foram dadas condições para os concretizar e, por isso, garante que não voltará a ser “o nº 2 de ninguém”.

“Espero ter uma excelente equipa para gerir a Câmara Municipal. Mais do que políticos, espero ter boas pessoas, bons cidadãos e bons técnicos para me ajudarem”, indicou.

Em 2009, António Salvador foi o nº2 da lista do PSD. É o substituto legal do presidente da Câmara e ficou com a responsabilidade de grandes projetos, como a Área Empresarial do Valado de Frades, o teleférico, o hospital privado, a requalificação urbanística do centro urbano (que implicava construir novos Paços do Concelho, novo mercado municipal e novo Tribunal), a requalificação da marginal, a revisão do PDM e a elaboração de planos de urbanização, entre outros.

O centro de alto rendimento do surf na Praia do Norte foi o único projeto que teve seguimento e se encontra em fase de conclusão. O vereador reivindica os créditos deste projeto, garantindo que, quando assumiu o cargo, teve de arranjar um projeto de arquitetura em duas semanas, a custos reduzidos, de forma a não perder a comparticipação dos fundos comunitários.

“As eleições foram em outubro de 2009 e em novembro eu já tinha dificuldade em fazer coisas. Infelizmente foi assim. Mas eu tinha uma missão para cumprir e procurei insistir em todos estes processos, adaptando-me às circunstâncias”, confessou, revelando que ficou com as expectativas defraudadas para prosseguir alguns dos projetos pelos quais deu a cara e que, no seu entender, deram ao PSD “um resultado eleitoral que nunca tinha tido”.

“O teleférico tem fundos Qren aprovados em 90% do valor total do investimento e não consigo entender porque não está feito. A área empresarial do Valado também tem todos os fundos comunitários aprovados e em meu entender devia estar feita. Houve revogação de processos que considerava fundamentais para a minha terra”, lamentou.

Relativamente ao hospital privado, o autarca considera que o projeto não avançou, nomeadamente, porque os investidores “deixaram de ter interlocutor“. E sobre os planos de urbanização, argumentou que a Câmara “não tinha dinheiro para os pagar”.

“Neste mandato foram subidos os preços da água, saneamento e resíduos sólidos urbanos de forma muito significativa. É um peso que as famílias do concelho têm e não consigo compreender como se avançou com o processo de concessão das águas”, referiu.

Foi este processo que levou António Salvador a afastar-se do executivo, renunciando aos pelouros e a ordenado.

“A causa era muito importante para ter criado a rutura com o presidente da Câmara”, sustentou.

“A situação financeira da autarquia não é fácil”, apontou António Salvador, que reclama ter conseguido receitas extraordinárias “para pagar ordenados e outras coisas na Câmara”. “Comprámos o terreno da área empresarial do Valado. Adiantei-me e vendemos os pinheiros que lá estavam. Os eucaliptos do terreno do hospital a mesma coisa. Os pinheiros valeram 190 mil euros e os eucaliptos 70 mil. Dois lotes de terreno próximos da biblioteca renderam 1 milhão e 650 mil euros à Câmara”, indicou. E acrescentou que outra receita importante que poderia ser criada com a criação de uma marca de água mineral engarrafada, aproveitando uma das captações analisada por um especialista, não pôde ser concretizada, com base no argumento da Câmara de que “não haveria condições de mercado para o aparecimento de uma nova marca de água”.

“Desde então muitas propostas minhas foram chumbadas e uma delas fiquei chocado – que era a possibilidade de integrar os trabalhadores dispensados da empresa municipal nos quadros da câmara”, afirmou.

Outro imbróglio referido por António Salvador foi a cobrança aos nazarenos de uma taxa de IRS superior à que tinha sido aprovada na Assembleia Municipal da Nazaré em 2011. “Detetei IRS cobrado indevidamente e quando alertei íamos a tempo de corrigir, mas não foi”, sublinhou. A derrama para 2012 também é contestada, uma vez que, segundo o vereador, não foi aprovada pela Assembleia Municipal da Nazaré.

O candidato está igualmente preocupado com o endividamento da autarquia, a contas com uma dívida de 44 milhões de euros.

As medidas que não teve “condições para concretizar neste mandato” e a vontade de “não desiludir as muitas pessoas” que lhe manifestaram que gostavam de o ver à frente da câmara, levaram-no a avançar com a candidatura.

António Salvador adiantou que uma das suas prioridades será a concretização da Área Empresarial do Valado, que considera “essencial para a fixação de empresas e a criação de emprego” no concelho.

O candidato afirmou que não pode “virar as costas” aos nazarenos, pretendendo concorrer a todos os órgãos autárquicos, incluindo às freguesias.

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