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Eu pescador me confesso

OS NOVOS-RICOS

Armando Lopes

EXCLUSIVO

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Os novos-ricos usam chinelos e andam de bengala. Passeiam-se pelas ruas a aproveitar os raios de sol que, por enquanto, ainda não pagam imposto. E esperam, receosos, que a “troika” venha fazer mais uma avaliação, positiva e elogiosa, ao desastrado desempenho do Governo. É que eles sabem, num saber de experiência feito, que cada avaliação dessas é a justificação para mais um assalto ao seu bolso. Já que a sua “fortuna” tem sido o pretexto para o agravamento da austeridade, estimulando o apetite dos vampiros.

Os novos-ricos pagam impostos elevadíssimos e não reclamam, cansados como estão de que os seus protestos sejam ignorados. Isto apesar de esses protestos serem legítimos e justificados porque, de facto, os impostos não correspondem a uma distribuição justa e equitativa dos sacrifícios. Mas, também, o que é que isso importa? O seu dinheiro está ao alcance da mão e disponível, pronto a ser saqueado por qualquer ladrão de casaca.

Os novos-ricos fazem uma ginástica dos diabos com o orçamento mensal. Para pagarem as contas e as despesas correntes, para terem a comida na mesa todos os dias e, simultaneamente, para apoiarem os filhos e os pais. Empenham-se nesta cruzada para que, os primeiros, se qualifiquem para o mercado de trabalho e, os segundos, tenham uma velhice digna. Porque os novos-ricos são o sustentáculo da família, ascendente e descendente. Cuidando da geração que ajudou a construir o passado deste país e investindo na formação da geração que seria suposto construir o seu futuro.

Acontece que os novos-ricos vêem os filhos emigrarem para a estranja, depois de anos consecutivos a queimarem a pestana que é deles e o dinheiro que é seu. E vêem os pais a serem escorraçados de todos os sistemas de assistência social e espoliados do produto do seu trabalho.

É difícil ser novo-rico em Portugal mas é fácil chegar lá, pelo menos no entender e na concepção surrealista deste Governo…

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