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Eu Pescador me confesso

A linguagem gestual

Armando Lopes

EXCLUSIVO

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Estava a ver as notícias na TV e a fazer contas à vida, quando me apareceu no ecrã aquele quadradinho reservado à linguagem dos surdos-mudos. Ao princípio não liguei. É natural, não percebo esse tipo de linguagem nem tenho necessidade disso. No entanto, pouco tempo depois, alguma coisa me despertou a curiosidade naquele quadradinho. Dentro dele, um homem magro gesticulava freneticamente. A sua cara, inexpressiva, era-me familiar. Observei-o com mais atenção e verifiquei, estupefacto, que se tratava do Presidente da República. O próprio, em carne e osso. Fiquei preocupado. O que se passaria para ele estar ali a exprimir-se daquela forma?

Pensei que, como estamos na época natalícia e o homem é doido por Bolo-rei, talvez estivesse engasgado. Mas achei que, mesmo que fosse o caso, aquela atitude não seria a mais adequada. Por isso, decidi telefonar para a Casa Civil da Presidência, a fim de saber as razões de tão estranho comportamento. E foi de lá que me esclareceram.

Pelos vistos o homem tinha perdido a fala, subitamente. Vá se lá saber porquê. Consultada a equipa médica de Belém, esta foi unânime em reconhecer que se tratava de uma espécie de obstipação das cordas vocais. Uma perturbação da fala, rara e invulgar, com origem em problemas de natureza psicológica ou neurológica.

Diagnosticado o problema, os consultores do PR reuniram-se para deliberar qual a atitude mais consentânea com o momento delicado da vida nacional. Avaliados os prós e os contras desta inoportuna mudez, decidiram aconselhar o Presidente a tirar um curso intensivo de linguagem gestual. Desse modo ninguém poderia acusá-lo de não comunicar com o País. E, por outro lado, evitaria o risco de entrar em contradição, quer com os actos do passado quer com a conivência do presente.

Assim como assim, como só poucas pessoas o entenderiam e, mesmo essas, teriam dificuldade em divulgá-lo, não se comprometeria. O seu silêncio seria, efectivamente, de ouro…

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