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“Para mudar a realidade actual das pescas,só uma forte e declarada aposta nacional no sector”

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O Região da Nazaré entrevistou João Delgado como representante da comunidade piscatória da Nazaré. João Delgado, licenciado em Artes Plásticas, é pescador e director da Mútua dos Pescadores. Região da Nazaré – Como classifica este investimento na aposta no Mar da Nazaré?Eu sempre tive enormes reservas em relação à colocação destes recifes artificiais ao largo […]
“Para mudar a realidade actual das pescas<br>,só uma forte e declarada aposta nacional no sector"

O Região da Nazaré entrevistou João Delgado como representante da comunidade piscatória da Nazaré. João Delgado, licenciado em Artes Plásticas, é pescador e director da Mútua dos Pescadores. Região da Nazaré – Como classifica este investimento na aposta no Mar da Nazaré?Eu sempre tive enormes reservas em relação à colocação destes recifes artificiais ao largo da nossa costa, principalmente por conhecer bem as principais carências da nossa comunidade piscatória, a natureza dos nossos fundos e por serem apresentados como a salvação do sector das pescas ao nível local, o que é, de todo, uma falsa questão, um falso pretexto para a realização de uma vontade pessoal (quiçá legítima, se não se tratasse da aplicação de dinheiros públicos).Mesmo não concordando com as premissas deste projecto, contribuí, dentro do solicitado e das minhas limitações, para que as coisas corressem da melhor maneira possível. Era, afinal de contas, do meu local de trabalho que se tratava, do meu sector e dos seus profissionais, e a isso, eu nunca viro costas.R.N. – Na sua opinião, quais as vantagens e desvantagens deste investimento, a curto, médio e longo prazo para o sector da pesca, pescadores e armadores da Nazaré?Nesta primeira fase, os benefícios serão mais de ordem ambiental do que socioeconómica, visto que a configuração daquela área de fundo arenoso foi alterada substancialmente – onde anteriormente se verificava uma área contínua de areia, actualmente podemos encontrar um fundo bastante rochoso e com enormes potencialidades para criar e fixar vida. É na vertente ambiental e nas áreas do eco turismo ligado ao Mar que penso que este projecto poderá ter mais pertinência e melhor utilização, porque, para a pesca profissional, o impacto vai ser mínimo. Justifico esta minha posição com factos concretos: se a pesca profissional não se alterou positivamente com a configuração da nossa costa, recheada de “serros” rochosos por todo o lado, a norte, a sul, nas margens do canhão, por toda a nossa área de jurisdição, milhares de quilómetros de rocha que se intervala com fundo de areia ou lama, por que razão mais algumas rochas colocadas no fundo iriam mudar a realidade do sector? Será que a natureza dos fundos é que terá de ser alterada ou serão as políticas de pescas dos nossos governos que terão de ser mais conscientes e mais realistas? Parece-me mais lógico e sensato existirem boas políticas de preservação, mais e melhor formação, para que se alterem determinadas práticas de pesca, para que o sector se torne mais equilibrado, sustentável e que os recursos sejam explorados de forma mais inteligente e racional do que alterar o mapa sedimentológico do fundo do Mar.J.D. -R.N. – Quais são os desafios que se colocam, presentemente? Penso que, uma vez colocados e o investimento feito, o desafio principal, neste momento, é o de preservar ao máximo aquela estrutura e sensibilizar a comunidade marítima para a necessidade de não pescar naquela área nos próximos anos, para vermos em que é que se transforma aquele investimento.J.D. – R.N. – Na sua opinião, pode haver alguma alteração à qualidade do peixe, criado nos recifes artificiais?Não, a qualidade do peixe criado neste tipo de recifes será exactamente igual à do peixe criado nos recifes naturais a algumas dezenas de metros a sul daquele local.R.N. – Quer acrescentar mais alguma informação? Só queria acrescentar que este projecto tem sido muito comparado com o projecto de recifes artificiais do Algarve, mas a necessidade de colocação dos recifes na costa algarvia prendia-se com a existência de grandes áreas de costa com fundos de areia, portanto a inexistência de fundo rochoso era a principal razão para a realização daquele investimento, que tem tido bons resultados para a pequena pesca daquela zona. Mas isto em comparação com o que havia anteriormente, visto que onde havia só areia, onde pouca coisa se fixava, passou a existir rocha e espécies que anteriormente nunca parariam por ali, ou seja, passaram a fazer dos recifes a nova morada.

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