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“O grau de satisfação é bastante elevado”

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O novo edifício da Biblioteca Municipal da Nazaré está aberto ao público há cerca de um ano e meio. O Região da Nazaré entrevistou o actual director da instituição, Jorge Lopes, com o intuito de conhecer um pouco mais sobre os primeiros meses de funcionamento deste novo espaço público. Jorge Lopes, director da Biblioteca Municipal […]
“O grau de satisfação é bastante elevado”

O novo edifício da Biblioteca Municipal da Nazaré está aberto ao público há cerca de um ano e meio. O Região da Nazaré entrevistou o actual director da instituição, Jorge Lopes, com o intuito de conhecer um pouco mais sobre os primeiros meses de funcionamento deste novo espaço público.

Jorge Lopes, director da Biblioteca Municipal da Nazaré

Entrevista de Tânia Rocha

Região da Nazaré – Qual é o balanço que faz do funcionamento da Biblioteca Municipal da Nazaré, desde que está a funcionar neste novo edifício? Jorge Lopes – O balanço é bastante positivo, quer em termos estatísticos, quer em termos qualitativos. As estatísticas têm sido muito positivas. No primeiro ano de funcionamento tivemos cerca de 50 mil utilizadores a entrar na Biblioteca, passámos de 1400 leitores para mais de 2500 e tivemos cerca de 15 mil documentos requisitados. Estes são indicadores muito positivos. Em termos qualitativos, temos feito diversas actividades, desde colóquios, lançamentos de livros, horas do conto, ateliers, workshops, que, de um modo geral, têm sido bastante frequentados pela população da Nazaré e não só. Temos muitos leitores de fora da Nazaré e estrangeiros. Penso que, por estes motivos, o balanço é muito positivo.

R.N. – Que mudanças trouxe a nova Biblioteca Municipal na sociedade nazarena, não só a nível cultural, como também a nível social? J.L. – Este novo equipamento permite uma oferta cultural incomparavelmente superior à antiga Biblioteca localizada no Centro Cultural. A nova Biblioteca Municipal da Nazaré é um espaço maior, com outro tipo de valências, como o Planetário, o auditório, a Sala Infantil, a Sala de Adultos, um espaço para a leitura de jornais e revistas, livros, zona de visualização e empréstimo de filmes e música. Permite, também, que os leitores assistam a debates, colóquios, visitem exposições e utilizem a Internet. Portanto, em termos culturais, a Biblioteca trouxe melhorias significativas, permitindo à população ter acesso a bens culturais mais diversificados e de outra qualidade. Em termos sociais, permitiu também que uma grande parte da população, nomeadamente a população jovem, pudesse ter uma forma de ocupar o tempo com outra qualidade, pelos horários alargados que a Biblioteca oferece, permitindo a fruição da Biblioteca, não só como espaço pedagógico, mas também lúdico. Penso que trouxe benefícios, quer na parte social, quer na parte cultural. R.N. – Quem frequenta a Biblioteca? Qual o público-alvo? J.L. – O público-alvo é muito transversal. Durante a semana temos pessoas que estão reformadas, que são estudantes ou que não estão a trabalhar. Ao fim-de-semana, temos estudantes e população activa. Com a existência de horários alargados conseguimos atingir os vários públicos. No espaço da Biblioteca funciona igualmente a Universidade Sénior. Procurámos, desde o início, ter um leque de actividades culturais que abarcassem os diferentes níveis etários da população, desde bebés à população sénior. Houve uma preocupação central na interacção com as escolas, sobretudo nas áreas da Astronomia ou da promoção da leitura. Há também muitos estrangeiros a visitar a Biblioteca. O Espaço Internet é também muito utilizado e frequentado por estrangeiros, visitantes e turistas. R.N. – A atracção de públicos das várias faixas etárias foi uma das mudanças que este novo edifício trouxe? J.L. – Claramente. Por exemplo, a comunidade piscatória também já começa a frequentar a Biblioteca e a participar em algumas iniciativas, como, por exemplo, em exposições temáticas ou na apresentação de obras relacionadas com a pesca e o mar. Estamos a começar a entrar nesse grupo social tão importante na população da Nazaré, como é a comunidade piscatória. Claramente que conseguimos, com este novo espaço, atingir as várias faixas da população, quer a nível social, económico ou etário. R.N. – Qual o tipo de actividades que são promovidas e quais os objectivos? J.L. – Há uma actividade central da Biblioteca, que é a promoção da leitura. Nós somos um equipamento cultural, mas o nosso objectivo fundamental é a promoção da leitura. Nesse campo destaco o trabalho que temos vindo a fazer ao nível da comunidade educativa e da população em geral, através de actividades como a “Hora do Conto”, “Teatro de fantoche – Lendas da Nazaré”, entre outras, promovendo a leitura, quer ao fim-de-semana, quer durante a semana, junto da população mais jovem. Também já trouxemos alguns escritores infanto-juvenis. Destaco também a Astronomia. O Planetário é um equipamento singular. Não há muitas bibliotecas a ter este equipamento. Quase que me atrevo a dizer que é a única biblioteca municipal que tem um planetário no seu interior. Neste âmbito, temos feito sessões de Astronomia, quer com o público em geral, quer com as escolas, coordenadas pelo professor Máximo Ferreira. Estas actividades, para além de alguns cursos de introdução à astronomia realizados, movimentaram cerca de 1500 utilizadores o ano passado. Destaco também as conferências que já fizemos sobre o património da Nazaré, que nos permitiram trazer individualidades, quer locais, quer nacionais, de elevada qualidade cultural e técnica. Além disso realizámos já inúmeras exposições, algumas em colaboração com as escolas locais, como o Externato Dom Fuas Roupinho e a Escola Profissional da Nazaré. Também é de destacar a passagem de algumas figuras públicas pela Biblioteca, como o jornalista e escritor Pedro Pinto, que veio apresentar um livro no ano passado ou o professor Adriano Moreira que participou na sessão de abertura da Conferência Política e Cidadania. Durante este mês, por exemplo, iremos ter, no dia 14, um colóquio com Guilherme d’Oliveira Martins, que vem fazer uma palestra sobre o património, e no dia 24, a presença de Joana Amaral apresentado a sua última obra. Procuramos, com a vinda de figuras de elevada craveira intelectual, contribuir para o enriquecimento cultural do nosso público. R.N. – Nesse caso, pode-se afirmar que um dos objectivos centrais da Biblioteca é aproximar a população a esta instituição? J.L. – Sem dúvida. O horário alargado de funcionamento permite que toda a população possa frequentar a Biblioteca, e não apenas a comunidade escolar ou os idosos. Temos uma política de empréstimos bastante flexível, o que permite que toda a população possa ter acesso a estes bens culturais, nomeadamente, livros, filmes e música. Outro aspecto importante é o facto de termos em atenção os vários segmentos da população da Nazaré, como a comunidade piscatória, que já referi há pouco. Tentamos fazer várias iniciativas, de maneira a atrair à Biblioteca toda a comunidade. Penso que, quer pelo número de leitores, quer pelas estatísticas, estamos a conseguir concretizar esse objectivo, embora este seja um trabalho a longo prazo. R.N. – Quais os próximos projectos para a Biblioteca? J.L. – Temos dois projectos mais recentes que poderei destacar. Um prende-se com o facto de estar nas nossas intenções a deslocação aos lares de idosos e centros de dia para levar livros e contar histórias a esse público, ou seja, a Biblioteca sair do seu espaço físico e ir a outros locais, chegando a outras populações mais desprotegidas, como é o caso dos idosos. O outro projecto têm a ver com um curso de iniciação à Informática no Espaço Internet, que vai abrir este mês. Este curso é organizado pelos monitores e técnicos de Informática do Espaço Internet e está aberto a toda a população que, ou não sabe, ou tem dificuldade em mexer no computador e navegar na Internet. No final do curso é entregue um diploma de competências básicas em Tecnologias de Informação. A participação está limitada ao número de computadores, mas vai haver várias edições, uma vez que temos tido uma grande solicitação. Em Janeiro fizemos uma primeira sessão de música para bebés tentando agora reintroduzir esta actividade com uma periodicidade mensal. Por outro lado, estamos também a remodelar a Sala do Conto, onde vai ser construído um “cenário mágico”. Outro projecto, que também fizemos algumas experiências, com assistências interessantes, mas que não tem tido uma regularidade como nós desejamos, são as Tertúlias ”Conversas na Biblioteca”. R.N. – Na sua opinião, quais são os pontos fortes e pontos fracos da nova Biblioteca Municipal? J.L. – Como um dos pontos fortes aponto o próprio edifício. É bonito, foi bem projectado, é confortável, está bem dividido em termos funcionais sendo um espaço bem organizado e com muita luz natural. Realço igualmente a exemplar entrega de toda a equipa da Biblioteca que, de uma forma incansável, tem garantido uma elevada qualidade nos serviços e nas actividades prestados à população nazarena. Como pontos fracos… enfim, nada é perfeito, posso apontar a irregularidade de algumas iniciativas; o trabalho com as escolas ainda não está no ponto que eu desejava; penso que também podemos melhorar a promoção da leitura, quer qualitativamente, quer quantitativamente; algumas áreas do fundo documental ainda estão um pouco pobres; o nosso sector para as necessidades especiais não é muito utilizado, temos um computador e um fundo em Braille que ainda não tem tido a utilização que eu pretendia; e ainda, o nosso fundo local também pode ser melhorado, quer em qualidade, quer em quantidade. Existe ainda margem para a melhoria da acção e funcionamento da Biblioteca. R.N. – Quantos livros foram adquiridos quando a Biblioteca transitou para este novo edifício? J.L. – Neste momento temos cerca de 27 mil livros. Devem ter sido adquiridos cerca de 3 mil livros durante o último ano. Também adquirimos cerca de 800 filmes, além dos filmes infantis e da música. Também temos recebido algumas ofertas da Imprensa Nacional – Casa da Moeda e da Gulbenkian, por exemplo. R.N. – Por falar em ofertas, há algum tempo o eng. Adriano Monteiro quis doar gratuitamente a sua Biblioteca à Câmara Municipal, assim como, também o nazareno Manuel Limpinho, proprietário da Casa Museu do Pescador, quis oferecer o seu espólio à Câmara, mediante algumas condições, obviamente. Por que razão é que estas ofertas não foram aceites? J.L. – Esse processo, em relação à Biblioteca do eng. Adriano Monteiro, é anterior à minha entrada como director da Biblioteca Municipal. Já visitei a Biblioteca do eng. Adriano Monteiro. É uma biblioteca muito rica, tem um espólio muito valioso, ao nível de livros antigos, fotografias, postais, revistas, jornais, gravuras, quer da Nazaré, quer de outras zonas da região. É uma biblioteca com uma certa dimensão. Agora, em relação à transferência, o que me foi dito foi que o processo de negociação não avançou. Esse processo nunca passou por mim, começou muito antes da minha entrada em funções na Biblioteca Municipal. Relativamente ao espólio do senhor Manuel Limpinho, estaria mais adequado num Museu, porque é um espólio essencialmente etnográfico. Já utilizámos algumas vezes as peças do senhor Manuel Limpinho, de uma forma pontual, em algumas exposições, no espaço do átrio da Biblioteca. R.N. – Qual o feedback que tem recebido, não só da população, como também de visitantes e turistas? J.L. – Pelo contacto diário que tenho com os utilizadores, penso que o grau de satisfação é bastante elevado. Os dados que temos, número de utilizadores, leitores e documentos requisitados, prova que as pessoas vão interagindo, cada vez mais, com a Biblioteca. A maioria dos visitantes da Biblioteca originários de fora da Nazaré dizem muito bem da Biblioteca, não imaginavam que a Nazaré tivesse um edifício como este. R.N. – O número de trabalhadores e o horário da Biblioteca é o adequado? J.L. – Penso que sim. Durante a semana estamos abertos das 9h30 à 13h e das 14h às 19h, aos sábados e domingos abrimos das 15h às 18h, e em alguns feriados também estamos em funcionamento. O ano passado apenas estivemos fechamos nove dias. Em termos de pessoal, o quadro está completo, temos em todo o edifício 12 funcionários, distribuídos pela recepção, Espaço Internet, Sala Adulto, Sala Infantil e também damos apoio à biblioteca da BIR, no período da tarde. A equipa é muito polivalente, muito funcional e muito dinâmica. Eu próprio faço atendimento, porque gosto e porque é essencial para conhecer o público. R.N. – Quanto é gasto mensalmente para manter este edifício em funcionamento? J.L. – O ano passado gastámos cerca de 20 mil euros em fundos documentais. Posso dizer que por mês, em fundos documentais, gastamos 2 mil euros, em média. Em termos de actividades, a grande maioria delas são feitas internamente, ou seja, somos nós que as organizamos, não contratamos ninguém. Em termos salariais não tenho presente a quantia. No entanto, posso dizer que anualmente gastamos cerca de 25 mil euros, com as várias despesas. R.N. – Como surgiu a oportunidade de ser director da Biblioteca Municipal da Nazaré? Qual é o seu percurso profissional? J.L. – Sou licenciado em História pela Universidade de Coimbra. Comecei a trabalhar na área das bibliotecas em Lisboa, em 1997. Passei pela Universidade Autónoma, onde obtive a pós-graduação em Ciências Documentais. Estive na Entidade Reguladora do Sector Energético, no centro de documentação, durante três anos (1999-2002). De 2002 a 2006 estive na Câmara Municipal do Bombarral. Entretanto, fui dar formação na área de Bibliotecas Escolares. Em 2008, apareceu o concurso para a Câmara Municipal da Nazaré, concorri e consegui o lugar. Até agora, estou a gostar. Posso dizer que esta experiência está a exceder as minhas expectativas. Penso que já conseguimos criar alguma empatia nos utilizadores. As pessoas que nos visitam gostam de aqui estar e isso é uma grande conquista. No fundo, este é um edifício para servir o público.

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