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Em tempo de crise, sem mãos a medir

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EditorialClara BernardinoDizem que as crises são cíclicas. A História da humanidade assim o comprova. Há muito quem compare esta crise internacional a outras do séc.XX.Nós por cá, somos experts em crises. Vejamos: somos um povo pequeno, que remata a Europa, assim como uma espécie de cauda, não só geograficamente, mas sobretudo a nível económico e […]

EditorialClara BernardinoDizem que as crises são cíclicas. A História da humanidade assim o comprova. Há muito quem compare esta crise internacional a outras do séc.XX.Nós por cá, somos experts em crises. Vejamos: somos um povo pequeno, que remata a Europa, assim como uma espécie de cauda, não só geograficamente, mas sobretudo a nível económico e financeiro. Nascemos, enquanto Nação de uma crise familiar entre mãe e filho. Se D. Afonso Henriques se entendesse às mil maravilhas com D. Teresa, hoje, seríamos espanhóis e como a Espanha também está em recessão, nós, consequentemente, também estaríamos em crise.

Pequenos, com poucos meios, sem ter mais por onde expandir, fugimos e aventurámo-nos por onde era possível – por mar. Com esforço, desbravámos mares, descobrimos terras, traçámos rotas e nas voltas e reviravoltas passámos de heróis a esquecidos e lá nos fomos resignando e conhecendo o significado da palavra “crise”. Estamos em crise quando não estamos felizes, estamos em crise quando não temos dinheiro, estamos em crise quando não temos trabalho, vivemos a crise quando em “casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. Vivemos a nossa crise pessoal, a crise do país e a crise do mundo.Se as crises são cíclicas, as soluções talvez também o sejam.Como se resolveram as nossas sucessivas crises ao longo dos tempos? “Com engenho e arte”, dirão muitos, eu penso que foi sobretudo com a força que o fatalismo nos dá enquanto povo de, teimosamente, resistir, insistir e investir as nossas forças para sobreviver.Todos nós conhecemos muitas pessoas que, há muitos anos, em tempo de crise, resolveram emigrar e superaram a sua crise pessoal e trazendo dividendos para o seu país, também ajudaram a ultrapassar a crise do país. Mas, essas mesmas pessoas não quereriam exercer as mesmas profissões no seu país. E, apesar da nossa crise nacional, o nosso país pequenino passou a ser para outros povos a passar por uma crise ainda maior, uma janela de oportunidades. São esses outros povos que fazem o trabalho mais duro, que nós, portugueses, não queremos fazer. E com o dinheiro que vão ganhando, vão sobrevivendo e mandando para as suas terras, tal como um dia nós também fizemos.Já não há mais terras por descobrir. Já não há mais mares para desbravar. Mas, ainda há a nossa capacidade de reinventar a História e reaprendermos a não viver acima das nossas posses, valorizando cada uma das nossas conquistas, sem amaldiçoar a nossa vida, o nosso país ou o mundo inteiro, só porque um dia quisemos uma casa maior, um carro maior que o do nosso vizinho, mais viagens e uma vida que só podíamos manter à custa dos empréstimos fáceis, ou seja, da agiotagem…Nos outros países, que também estão em crise, não há longas extensões de terreno por lavrar, como acontece no nosso, em que a agricultura há tanto esquecida não faz parte das preocupações do mais comum dos cidadãos. Há muito que enveredámos pelas fábricas e pelos serviços. Mas a nossa mão de obra cara fez com que as nossas fábricas vão fechando aos poucos. As empresas vão definhando. As famílias vão ficando cada vez mais pobres. Mas, ainda temos braços e as terras ainda continuam à espera de serem cultivadas como antigamente… Talvez a História tenha razão e as soluções para a crise estejam bem à nossa frente a ainda não estejamos suficientemente despertos porque estamos sempre à espera do dinheiro que vem da Europa para vencer a nossa crise.

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