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Ilusionistas e Homens do Trapézio

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Valdemar RodriguesProf. UniversitárioFoi mau, segundo me contam, o espectáculo dado em Alcobaça pelo mágico Luís de Matos. Não terá valido o preço pago. A “esquerda” e o PS locais protestaram: “mau espectáculo”, “expectativas defraudadas”, “publicidade enganosa”, “estrago de dinheiro público”. Estão em causa 180 000 euros ou seja, cerca do dobro do apoio anual da […]

Valdemar RodriguesProf. UniversitárioFoi mau, segundo me contam, o espectáculo dado em Alcobaça pelo mágico Luís de Matos. Não terá valido o preço pago. A “esquerda” e o PS locais protestaram: “mau espectáculo”, “expectativas defraudadas”, “publicidade enganosa”, “estrago de dinheiro público”. Estão em causa 180 000 euros ou seja, cerca do dobro do apoio anual da Câmara Municipal de Alcobaça a todas as associações e colectividades do Concelho apostadas na cultura e no desporto. O Dr. Sapinho assumiu a responsabilidade do malogro, mas mesmo assim a “oposição” não desprende, fazendo do assunto cavalo de batalha política. Se o Dr. Sapinho errou por descuido, a oposição erra ainda mais por dar ao assunto uma importância que ele definitivamente não tem. Afinal se o “circo” tivesse mais feras ou se os trapezistas saltassem sem rede, para gáudio dos 16 000 espectadores, o assunto teria passado rapidamente ao arquivo morto, como tantos outros têm infelizmente passado.

A concelhia do PS, por exemplo, conseguiu reorganizar-se sem ter apresentado ainda qualquer ideia para o concelho. Não tem candidato à Câmara Municipal capaz de suplantar o esquecível Daniel Adrião; apoia (num silêncio cobarde e dissimulado) o projecto do TGV que irá aviltar o concelho de Alcobaça e até defende, beócia, a ideia de uma estação de TGV na Quinta da Serra, hipótese digna de constar do anedotário naciona e que é, em si mesma, um número de ilusionismo. Quando o Dr. Sapinho pediu publicamente desculpa pelo fracasso do espectáculo de Luís de Matos, toda a Câmara devia tê-lo feito, e em particular aqueles vereadores, como é o caso de Adrião, que são pagos pelo erário para zelarem pelo bem público. Ora Adrião e Rogério Raimundo (entre outros de uma numerosa comitiva), também estiveram nessa inenarrável viagem a Bruxelas que aconteceu entre 23 e 25 de Junho (2ª, 3ª e 4ª-feiras, dias normais de “expediente” portanto) e que, não tendo na agenda o tratamento de qualquer assunto técnico ou de interesse municipal, deveria ter sido descontada às “férias” ou então às folhas de vencimento correspondentes ao mês de Junho de 2008. Não sabemos se foi assim que sucedeu, mas talvez venhamos a saber. Estes três dias de “passeio” pagos pelo contribuinte (directa ou indirectamente) eram suficientes para o executivo camarário ou alguém da oposição (remunerada) ter feito a análise daquilo que iria efectivamente acontecer no Rossio daí a pouco mais de uma semana, na noite do dia 6 de Julho, procurando conter algumas das expectativas entretanto criadas e veiculadas pela comunicação social. Não o fizeram porque provavelmente não tiveram tempo, e acharam mais importante gastar três dias úteis para visitarem em Bruxelas o bairro Turco onde constataram in situ o fenómeno multicultural do futebol e onde, ao passear pelos túneis da cidade, um taxista iraniano que lhes fez o retrato da actual conjuntura europeia. Claro que houve ainda o aperto de mão ao anfitrião, o Prof. Doutor João de Deus Pinheiro que na sua breve oração de sapiência frisou que «não pode haver sucesso sem trabalho e sacrifícios». Luís de Matos não teria feito melhor número, pois ninguém reparou que podia ter ido passear a Bruxelas durante um fim-de-semana, “sacrificando-o” à família e aos afazeres próprios em vez de usar o tempo em que era suposto estar a cuidar da res pública.Seria pois toda a Câmara, e não unicamente o Dr. Sapinho, que devia ter pedido publicamente desculpas pelo acontecido. Mas como disse, penso que o assunto não tem a importência que a oposição camarária lhe deu. O que teve de importante mas que ninguém reparou foi o facto de ver tantas pessoas a vaiar um espectáculo “gratuito” ou seja, um espectáculo para o qual não pagaram bilhete pois só lhe será cobrado mais tarde, por exemplo através de um aumento “suave” nas tarifas da água. Um antropólogo de visita ao nosso país diria que tal reacção em Portugal é contra natura e representa um avanço de séculos, visto há bem pouco haver tanta gente que ainda acreditava que os almoços pagos pelo governo eram grátis. E que as grandes obras eram financiadas pela Providência, pouco depois da sua Aunciação. Não sei sinceramente o que pensar disto, porque sou dado a não acreditar em mudanças muito bruscas. Mudanças que uns euritos a mais não neutralizem, fazendo-nos regressar ao mundo feérico para o qual fomos definitivamente talhados, aquele mundo fantástico no qual os trapezistas ao cair do trapézio se metamorfoseiam num ápice em esplêndidas borboletas. Que nos roubam e amarfanham durante décadas sem que nada de essencial mude ou aconteça.

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