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“Temos de fazer aqui um namoro entre Alcobaça e Nazaré”

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Gonçalves Sapinho faz balanço positivo dos seus mandatosEntrevista a Gonçalves Sapinho: Presidente da Câmara Municipal de AlcobaçaAo fim de 10 anos à frente dos destinos da autarquia, Gonçalves Sapinho faz um balanço positivo dos seus mandatos em Alcobaça e lança um piscar de olhos ao concelho da Nazaré: é preciso haver um entendimento mais estreito […]
“Temos de fazer aqui um namoro entre Alcobaça e Nazaré”

Gonçalves Sapinho faz balanço positivo dos seus mandatosEntrevista a Gonçalves Sapinho: Presidente da Câmara Municipal de AlcobaçaAo fim de 10 anos à frente dos destinos da autarquia, Gonçalves Sapinho faz um balanço positivo dos seus mandatos em Alcobaça e lança um piscar de olhos ao concelho da Nazaré: é preciso haver um entendimento mais estreito e saudável entre os dois municípios. Quanto aos traçados do TGV recentemente aprovados é taxativo: “no pasará”. Não considerando a alteração do Aeroporto da Ota para Alcochete como uma penalização, admite ainda que a mudança de planos do Governo pode ser a solução que faltava para desviar a Alta Velocidade para o lado Este da Serra dos Candeeiros. Não deixa de destacar igualmente os grandes projectos que gostaria de ver concretizados nos próximos dois anos, casos do Hospital do Oeste, da futura Área de Localização Empresarial na Benedita ou da definição do turismo como política regional e nacional. E garante: não desistiu do Ensino, apesar de sentir que possa haver aí algo que falte cumprir.

Entrevista de David MarianoAcaba de comemorar 10 anos de mandato: que balanço faz ao fim deste tempo todo frente aos destinos da Câmara Municipal de Alcobaça?Faço um balanço objectivamente positivo na medida em que não me ocorre nada de significativo que estava programado ou planeado que não tivesse avançado. Portanto, tivemos a virtude de apanhar todos os comboios e todos os apeadeiros dos fundos comunitários, o que nos permitiu fazer obra onde nós próprios, em termos de projecção, poderíamos ter dificuldade e dizer: como é que é possível aceder, concretizar e levar por diante tudo isto? A verdade é que houve situações que apareceram inopinadamente, caso da requalificação da baía de São Martinho do Porto, em que tivemos de a encaixar tanto nos nossos trabalhos como nos projectos. Dentro do programa Litoral Oeste, não podíamos perder de maneira nenhuma esse comboio e em boa hora ganhamos a oportunidade de fazer a obra de requalificação, não só da Marginal, mas como de outras zonas de São Martinho do Porto. Isso põe-nos numa posição de responsabilidade, e se quisermos falar de coisas estruturais para cem anos ou de outras com cem anos de atraso, temos a despoluição da baía de São Martinho do Porto. O primeiro quadro comunitário de apoio não lhe pegou, o segundo também não e só no terceiro quadro é que se fez a despoluição. Do que é que estamos falar? Estamos a falar de milhões de euros, não estamos a falar de trocos; o aparecimento das Águas do Oeste é decorrente de uma força e determinação da Câmara de Alcobaça que tudo fez para que a despoluição da baía fosse enquadrada nos quadros comunitários e financiada directamente por Bruxelas. Como sabe há emissários a montante e a jusante de São Martinho do Porto, e na sequência disto aparece o plano das suiniculturas, criando-se a Trevo Oeste. Isto tem tudo que ver com a forma de fazer a despoluição e resolver o problema das suiniculturas no terreno. Foi um trabalho com sucesso; já está a ser feito uma ETAR em São Martinho, outra na Benedita em Santa Catarina e ainda outra, julgo, no rio Arnóia, já no concelho das Caldas da Rainha. Tendo nós um potencial económico muito grande no concelho na criação dos porcos, era preciso compatibilizar e valorizar a criação desta riqueza, ajustando-a às exigências ambientais. Trata-se de uma obra de grande fôlego, uma obra morosa, mas que nunca ninguém pegou e que foi feita neste mandato; e é das coisas mais importantes feitas aqui em termos ambientais. Também podemos falar de uma série de questões de natureza cultural: o facto de termos recebido a CeDeCe, companhia residente de dança contemporânea, a fundação da Artemrede, o título de Maravilha Nacional para o Mosteiro, aposta forte e ganha que o permitiu projectar ainda mais. Não é que isto venha a acrescentar nada de novo ao Mosteiro, que já era Património da Humanidade, mas em termos de projecção nacional, as pessoas ganharam um apetite novo por ser Maravilha Nacional, designação que acaba por ser mais feliz do que Património da Humanidade. Eu tive essa percepção e a aposta foi feita, foi profunda e nunca era para perder. Podemos falar depois do Cistermúsica, qualitativamente valorizado e projectado, dos Doces Conventuais, projectado nacional e internacionalmente, o Exchange Festival, tudo coisas que são para continuar.De tudo aquilo que se tinha disposto a concretizar em Alcobaça quando se candidatou pela primeira vez, o que é que sente que lhe falta ainda cumprir?Sinto que há uma coisa que falta um “bocadinho” cumprir e que é o problema do Ensino Superior. É um desafio difícil, no qual ainda não entrei no desânimo, e que deve ser permanentemente tratado. Vamos continuar em ligação com a Igreja, com as universidades, vamos ver onde é que chegamos, mas de qualquer maneira aparecem neste momento situações novas com possibilidade de terem sucesso, contudo não posso dizer mais. O que significa que ando sempre a mexer nisso; mas não é fácil e também não é fácil criar um curso a seguir ao 12.º ano. É mais fácil criar cursos de pós-graduação, e essa será uma das apostas que iremos definitivamente fazer e não a dos cursos logo a seguir ao 12.º ano. O que não quer dizer que não venha a acontecer, mas não é um objectivo.Nas últimas semanas chegaram duas notícias que vêm contrariar os planos da Câmara na questão do TGV, cujos traçados no concelho foram validados pela Agência Portuguesa do Ambiente, e a transferência do Aeroporto da Ota para Alcochete. Que comentários estas decisões lhe merecem?Eu não faço nenhum comentário sobre Alcochete, pois como se trata de uma decisão nacional, importa sobretudo ao país que a decisão seja Alcochete. Aceito essa decisão e se a região vier a ser compensada de alguma forma por expectativas que tinha e não concretizou, designadamente, isso nunca é compensado. Mas digamos que aceito a decisão como sendo patriótica e nacional; e não estou a dizer “nacionalista”, em que o Estado se assume como Estado, e os órgãos de Estado se assumem como órgãos de Estado. Como Presidente de Câmara e como cidadão acato a decisão e não a considero como penalização. Considero que o país todo ganhará se a decisão é boa, ganharia se houvesse uma má decisão. Pressupondo que esta é uma boa decisão, mau grado a mudança e as expectativas, eu tenho de olhar para ela como uma decisão positiva em termos nacionais, porque a primeira coisa que eu aprendi sempre foi: em primeiro lugar o país, a seguir o Município e depois o partido. E digo o Município na medida em que desempenho funções, porque eu não confundo e não vou pôr nem o partido nem o Município em primeiro lugar. Primeiro, o país, o Município e depois o partido.E quanto ao TGV?É uma penalização muito grande para o Município que advém sobretudo de haver uma faixa muito importante do concelho que é amputada na sua utilidade e fruição. O que é amputado? Não só o corredor à esquerda, e vamos supor no sentido sul-norte, onde a parte afectada é maior do que o corredor onde passa o TGV, com cerca de 100 metros que não são utilizáveis, e o lado direito com os mesmos 100 metros, mas com a agravante de finar confinado com a serra. Toda a zona à esquerda do traçado, mais o traçado, mais 100 metros e mais a serra, leva a que esta zona ao longo de todo o Município fiquem definitivamente perdidos. É uma penalização em que não há justificação nenhuma, nem nenhum bem nacional em causa que possa justificar o prejuízo e o sacrifício que é pedido a estas populações, isto para além do problema das casas – e são anedotas algumas das coisas que se estão a passar, o problema do equilíbrio da região a Oeste da Serra dos Candeeiros, o problema das fábricas, das terras, das zonas habitacionais. Não há nenhum benefício nacional que justifique este sacrifício do Município.Estas questões podem afectar seriamente aquilo que tem sido uma aposta clara no turismo?A primeira regra é que ninguém ganha. Por exemplo, Leiria não ganha se houver um apeadeiro ou uma estação e para nós, aqui em Alcobaça e Nazaré, é irrelevante. Não há ninguém que saia com o seu automóvel e vá apanhar o TGV a Leiria, se dirija para Lisboa, em Lisboa apanhe um táxi, etc. Bom, isto é algo sem pés nem cabeça. Quanto ao turismo, julgo que não irá afectar, já que a zona da Benedita é industrial, e é uma zona pouco turística, em Aljubarrota a parte cultural não tanto, mas a parte industrial é bastante afectada. E é preciso não esquecer, o ramo da pedra e do calcário na zona centro de Portugal tem nos Moleanos e na Ataíja uma clara dominância, portanto, as pessoas quando pensam no TGV não pensam nas consequências económicas. Por exemplo, a próxima Expo que será em Saragoça este ano está neste momento a privilegiar o fornecimento das suas calçadas com pedra de uma empresa aqui da zona. Já viram o que isto significa em termos de produção, investimento, venda, economia local? E agora isto tudo ser amputado e cortado? Se a A1 passou do lado de lá, ponham o TGV a passar também do lado de lá. Aquilo que eu sustento e continuo a dizer, em espanhol, é que o TGV “no pasará”.Que formas de luta e protesto restam à autarquia para alterar os planos do Governo? Ou é mesmo inevitável que o concelho seja retalhado pelo TGV?Vamos seguir tudo aquilo que é legal, embora tenha receio do comportamento das pessoas, e quando digo comportamento é no sentido positivo, que tenham que ver com questões muito complexas. Não quero sequer dizer aqui, para não dizerem que estou a animar comportamentos, mas pode haver pessoas afectadas com o TGV que conceberam a sua vida, as suas casas, os seus negócios, etc. Vamos fazer e apoiar uma petição, e não considero inevitável a passagem do TGV. Primeiro, ainda tenho esperança que não se faça TGV entre Lisboa e Porto. Segundo, tenho esperança que passe do lado de lá e não do lado de cá, até com esta mudança do aeroporto. Depois não acredito que andem a fazer um TGV dos pequeninos que pare em todos os apeadeiros e estações. E não sei se haverá dinheiro que o faça funcionar e justifique a sua existência, mas supondo que há dinheiro, que o ponham do outro lado da serra e que respeitem o lado de cá da serra.A mudança para o Aeroporto de Alcochete pode ser uma solução para que isso aconteça?Pode, penso que RAVE vem também acelerar, tentar colar-se e procurar dizer que o traçado do TGV se mantém, por razões óbvias. A RAVE quer apanhar também o comboio do TGV: está no apeadeiro a ver se apanha o comboio, agora vamos ver se o apanha.Recentemente, e depois do título de Maravilha de Portugal ou da requalificação da zona envolvente do Mosteiro, o concelho ganhou mais dois centros históricos e mais hipóteses de requalificação urbana.O que é uma coisa altamente gratificante, na medida em que, apesar de nos condicionar a nós e condicionar os outros, nos ajuda a preservar o património, a memória e o urbanismo.Perguntava-lhe, por isso, se sente que o turismo pode ser a principal vocação do concelho?Estamos num concelho policêntrico do ponto de vista político, económico e social. Essa é uma das grandes características do concelho. Portanto, o facto de existir a Nazaré dentro da envolvência do Município de Alcobaça, dá-lhe umas características específicas, tal como a Nazaré tem características específicas por ser o que é. Nós temos de fazer aqui um namoro, entre Alcobaça e Nazaré, e acho que é obrigatório chegarmos um entendimento em que todos ganhemos. Temos de acertar políticas no sector A, B ou C, mas é inquestionável que quando a Nazaré ganha, nós ganhamos, e quando nós ganhamos, a Nazaré também ganha. O sector turístico é a grande aposta; e o facto de existir a Nazaré tem uma importância muito grande para o turismo de Alcobaça. Porque a Nazaré é um produto muito próprio que não depende das políticas de Alcobaça, tem autonomia, assim como o turismo de Alcobaça como cidade tem autonomia.E que formas poderia tomar essa relação?Existe a ideia de uma pousada, e penso que isto é possível e pode ir adiante, com cerca de 100 quartos, suites, tudo num patamar de luxo e com um anfiteatro – que não tem de ser obrigatoriamente dessa organização –, mas que sirva tudo e os dois concelhos. Seria assim possível fazer aí toda espécie de acontecimentos e congressos, com médicos, engenheiros, cientistas, que inevitavelmente se espalhariam depois por Alcobaça ou Nazaré.O que vai um pouco de encontro à ideia que apontaria a criação de um Centro de Congressos no espaço que hoje conhecemos como o MercoAlcobaça.E que continua de pé.Um dos grandes problemas do momento está na economia e na criação de emprego, nas oportunidades de fixação dos mais jovens no concelho. Como é que olha para esse cenário?Nós tentamos por todos os meios e fazemos um esforço com descontos na ordem dos 30 por cento a quem tem menos de 30 anos para investir aqui na zona industrial do Casal da Areia. Também estamos a fazer tudo para criar na Benedita uma área de localização empresarial. Do ponto de vista das políticas do Município, penso que estão acertadas no tempo e no espaço. Não vamos pôr o golfe na Benedita, vamos pô-lo ao norte ou em São Martinho do Porto, em zonas com potencial. É preciso não esquecer que temos uma das maiores orlas costeiras e temos de tirar proveito dessa realidade, mais o facto de estarmos a fazer a Estrada Atlântica, projecto muito curioso que vai servir também a Nazaré e que pode passar a ser um elemento de união de todos na zona da beira-mar com importância turística, ambiental e bem estar social.Como é que descreveria ainda a sua relação durante estes anos com a oposição?Não tenho de dar lições à oposição e até acho que me ficaria mal, mas penso que o Partido Socialista ainda não descobriu quem é o seu opositor. O PS pensa que chega ao poder conquistando o espaço que é do PSD e isso é missão impossível. Portanto, ele tem de ver onde é que o perdeu, onde é que tem de o conquistar e onde é que está o seu adversário. Acho que a relação tem sido boa, com altos e baixos. Umas vezes, naturalmente boa, e outras, naturalmente má, e eu tenho mesmo de repetir isto: “naturalmente má”. Há de facto situações, quando as pessoas desempenham actividade de natureza política, que têm limites na sua acção, e se querem ganhar eleições não é agredindo as pessoas nem as instituições, mas afirmando-se pela positiva com projectos. Senão andamos aqui a fazer as coisas ao contrário.E onde é que já viu isso acontecer?Nas últimas eleições autárquicas, mas não digo mais nada.Quais são os grandes projectos para o futuro da autarquia que gostaria ainda de ver concretizados neste mandato?Muitos, andamos a lutar para que muita coisa aconteça, para que aconteçam mesmo mudanças e, portanto, daquilo que está em curso e que vai ser inaugurado, gostava que se começasse o Hospital, e ponho isto como a questão número um. Gostava também que se definisse a política da Área de Localização Empresarial e, sobretudo, porque há investidores, que a questão do golfe e do turismo de Alcobaça fosse definida como política regional e nacional. Estes três objectivos constituem o enfoque principal desta parte final do mandato, isto para além de projectos que existem em carteira e de que não vou falar agora em público como compreende. Estou a falar de questões estruturais e estruturantes que resolvam e dêem vida, numa ligação até, se quisermos, mais saudável com o Município da Nazaré. Tudo aquilo que podermos harmonizar só ganhamos todos com isso.

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