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Porque nascem poucos bébes?

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Editorial António Salvador O nosso País está a envelhecer e o número de bebés é muito inferior ao mínimo necessário para “renovar” a população. Nas últimas taxas de natalidade divulgadas, e com a intervenção do Presidente da República, soubemos que o número de bebés é dramaticamente baixo. Porquê? Fruto do actual modelo social e de […]

Editorial António Salvador O nosso País está a envelhecer e o número de bebés é muito inferior ao mínimo necessário para “renovar” a população. Nas últimas taxas de natalidade divulgadas, e com a intervenção do Presidente da República, soubemos que o número de bebés é dramaticamente baixo. Porquê?

Fruto do actual modelo social e de um estilo de vida dito “moderno”, o número de bebés tem diminuído e acontece mais tarde. Os Jovens saem de casa dos pais muito tarde e têm dificuldade em entrar no mercado de trabalho e ter independência económica. Nas famílias, tornou-se difícil a presença dos pais e avós na educação dos filhos e netos. Com estes hábitos é difícil manter a proximidade física das várias gerações. Num agregado familiar “normal” da classe média (quase todos), o valor do ordenado obriga os dois a trabalhar e a recorrer a creches, infantários e escolas com horários prolongados. O custo destes serviços, mesmo comparticipados pelo Estado e Municípios, tem um forte impacto no orçamento familiar, obrigando o casal a “esticar” o orçamento. Os hábitos de vida mudaram. A fúria consumista das viagens, carros e habitação de férias, fomentada pelo ‘crédito fácil”, endividou as pessoas e tornou difícil suportar todos os encargos. Criou-se frustração quando não se consegue satisfazer todos os desejos, mesmo os supérfluos. E o espaço e orçamento dos filhos? As prioridades devem ajustar-se às fases da vida. O dinheiro pode ser importante para satisfazer desejos, mas com noção dos limites. Os Cidadãos devem respeitar o ciclo de vida e dar prioridade à família. Há tempo e meios para tudo quando estes são bem geridos e orientados. A política social e fiscal do Estado deve incentivar a natalidade e conjugar filhos com o trabalho (efectivo!), sem prejudicar as empresas. Devem existir bons meios de apoio social e educativo, a par de um sério apoio fiscal a pais com 2 ou mais filhos (há famílias numerosas?), uma vez que 2,1 é o número mínimo de filhos para manter a classe activa e ajudar a “sustentar” o sistema de pensões. Os nossos pais conseguiram educar-nos com poucos meios e recursos (às vezes a muitos irmãos). Nós também seremos capazes se ajustarmos as prioridades, o orçamento pessoal e familiar e os hábitos de vida, às vezes um pouco egoístas e centrados no consumo pessoal a curto prazo. Não podemos esquecer que os nossos filhos, bem formados e educados, podem ser uma grande alegria, garantia da nossa continuidade e das “lutas” do dia-a-dia. Também a inevitável velhice pode ser um prazer se estivermos rodeados de filhos e netos e a sensação de missão cumprida!

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