Por Mário Botas Ainda não há muitos dias a comunicação social destacava com bastante relevo uma possível viragem na política norte americana. A presidência e a sua administração desejam mudar de rumo. Por coincidência, ou talvez não, surgem na mesma altura diversas publicações de uma ou outra figura da vida publica de este país, criando um impacto intenso na opinião publica.
Começa a desenhar-se uma viragem em matérias bem importantes, como a energia, o ambiente, a educação, a saúde pública e outras mais. Espalha-se cada vez mais rapidamente a consciência de que a globalização, não é só a internacionalização de empresas, mas que a estabilidade do meio ambiente, e com isso tanto a saúde publica como a questão da energia são matérias de importância global e de sobrevivência. Por isso a educação está também na ordem do dia. No decurso destas evoluções positivas, é com certo espanto que se pode constatar que 10 das maiores empresas americanas apoiam e exigem veementemente e com empenho próprio uma série de várias medidas para uma mudança efectiva em relação ao aquecimento global do planeta. Esta postura é um sinal muito especial ao qual se deve prestar a maior atenção. Ela revela uma preocupação que, obviamente, não é só ecológica e altruísta. Os proprietários e gestores destas empresas gigantescas já se perceberam da magnitude do perigo que esta mudança dramática representa. Quanto mais grave ela for, maior e mais diversificada será a crise. Dentro de um panorama verdadeiramente sério, as consequências socio-económicas seriam profundas. Com isso estaria também toda uma estrutura económica e social em questão e consequentemente a pergunta sobre o repartir da riqueza e dos recursos na ordem do dia. A justiça económica e social encontraria uma porta aberta e toda uma nova dinâmica. Um tal cenário não seria admissível para as grandes multinacionais, outros gigantes da economia e não só. Haveria que evitar a todo o custo que se chegasse a um ponto desses. Independentemente de tudo isso, todo um processo de (re) modificação profunda dos factores que levam ao aquecimento global, não podem e não devem cair nas mãos das grandes empresas. Compete às nações e às suas sociedades liderar essa evolução. No meio de tudo isto, afinal, a União Europeia não estava assim tão errada… Na verdade estas matérias só podem ser abordadas com sucesso se forem equacionadas e trabalhadas, tanto a nível central como local. Alguns aspectos são importantes até mesmo mais a este último nível. Portugal começa também a esforçar-se neste sentido, e em certas regiões, (na nossa também), começam a aparecer toda uma série de projectos e esforços que, embora não o parecendo à primeira vista, poderão até, envolvidos no contexto e estratégia certa, ter muito a ver com uma mudança para um futuro melhor, tanto para a sobrevivência do meio-ambiente, como também, e consequentemente, para a sobrevivência dos humanos. É um caminho positivo e, na realidade o único viável. Na verdade não existe outra alternativa. Já não é possível esperar mais porque o tempo já não chega para planear só a longo prazo. No nosso caso, nem que seja porque os pólos estão a derreter-se e o nível do mar irá subir, mais tarde ou mais cedo.




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