Liliana SousaPresidente da JSD de AlcobaçaHá já algum tempo que me dedico à actividade política, tendo a mesma vindo a intensificar-se ao ponto de pertencer à Comissão Política de Sessão do PSD de Alcobaça e, no passado sábado, ter sido eleita Presidente da Comissão Política de Sessão da JSD do mesmo concelho.Como mulher, e prestes a ver aumentado o meu agregado familiar, não posso deixar de testemunhar aquilo que tenho vindo a vivenciar na política e na vida familiar.
É do senso comum que a democracia exige uma participação activa dos cidadãos. Facto é que, muitos se esquecem de exercer essa mesma cidadania. Este factor torna-se especialmente preocupante quando avaliamos a participação dos jovens e das mulheres. Embora agora tenha particular razão para defender os primeiros, neste artigo vou dedicar-me exclusivamente ao género feminino.Desde o 25 de Abril, mais propriamente aquando da aprovação da Constituição da República de 76, que as mulheres portuguesas têm o pleno direito de serem eleitas para cargos políticos. Não obstante a legislação em vigor e volvidos que estão trinta anos, a representação feminina no mundo da política é ainda muito baixa. Será esta representatividade apenas devida à desmotivação das mulheres? É provável que algumas não se sintam realmente aliciadas mas outras, mesmo com perfil e motivação para a dinâmica política, rapidamente verificam que é inegável a desigualdade que existe ao nível da partilha de responsabilidades domésticas entre homens e mulheres, saindo estas últimas prejudicadas e vendo, assim, limitada a sua oportunidade de ingressar ou manter-se no universo político. Enquanto jovens, com facilidade se envolvem e mostram até a sua dinâmica e capacidade interventiva, contudo, e à medida que os anos passam, abdicam de uma actividade cívico-política em prol da família e do chamamento para a maternidade. A maioria, após esta fase, não volta. Quando o faz, vê-se agora confrontada com a Lei da Paridade que em nada enaltece o seu mérito e capacidades pessoais.Não querendo de forma alguma supervalorizar as competências da mulher em relação à do homem, não me agrada o facto destas virem a ocupar lugares políticos unicamente para preencher quotas, acima de tudo porque as suas responsabilidades familiares não se extinguirão, o que, psicologicamente, não as libera para executarem esse mesmo cargo com igual disponibilidade física e mental.Antes de ter sido proposta a Lei da Paridade algo deveria ser feito ao nível da igualdade no trabalho doméstico porque todos sabemos que Super Mulheres não existem…




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