Arribas na Nazaré em risco de queda, há milhares de anos!

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Laura AnastácioGeólogaParece que finalmente a perigosidade das arribas litorais se tornou um assunto que preocupa desde as entidades competentes, às autarquias, à imprensa, aos turistas até à própria população. Com o número de acidentes a aumentar e com uma maior divulgação, o olhar sobre as escarpas e os rochedos mudou, actualmente estes tornaram-se de repente […]

Laura AnastácioGeólogaParece que finalmente a perigosidade das arribas litorais se tornou um assunto que preocupa desde as entidades competentes, às autarquias, à imprensa, aos turistas até à própria população. Com o número de acidentes a aumentar e com uma maior divulgação, o olhar sobre as escarpas e os rochedos mudou, actualmente estes tornaram-se de repente mais intimidantes, mais ameaçadores.

No concelho da Nazaré, o caso que apresenta maior perigosidade é o Promontório na arriba virada a sul, sobre a praia da Banhos. Este risco é maior, não só pelo aspecto estrutural do Promontório, como também pelo maior número de frequentadores desta praia e portanto, mais gente exposta ao risco de desmoronamentos.Do ponto de vista geológico, a situação até é fácil de avaliar, existem blocos caídos na praia, cicatrizes antigas de deslizamentos, fracturas e fissuras de erosão, consolas salientes e instáveis. O diagnóstico é óbvio, existe alguma probabilidade de quedas de blocos e de deslizamentos com consequências que podem ser graves. Do ponto de vista da engenharia existem muitas soluções que se poderão aplicar para a minimização deste risco. Intervenções que poderão ir desde a colocação de redes metálicas pregadas, a enchimentos com argamassa, passando por revestimentos em betão ou alvenaria. Obras caras e que perpetuarão o Promontório da Nazaré a uma arriba descaracterizada e completamente alterada pelo Homem, que as próximas gerações apenas poderiam conhecer através de fotografias. Como geóloga, há alguns factos que gostaria de chamar a atenção. A erosão que actua sobre as rochas não pára nunca, a força da gravidade não esmorece nem nunca descansa, o mar vai continuar a bater com a mesma intensidade sobre a base e modificando a paisagem. Qualquer intervenção humana que se tente implementar para contrariar estes efeitos, serão sempre alterações profundas na paisagem com todos os efeitos negativos que daí advêm. Como frequentadora assídua da praia da Nazaré e do canto das rochas, conscientemente assumo o risco que corro e a responsabilidade de visitar uma zona de elevada perigosidade, não me demorando e sem querer abusar muito da sorte.Aquilo que defendo é que se definam, através de vedações, as áreas de perigosidade elevada, alertando para os riscos que estão sujeitos todos os que dele se aproximam, com placas informativas. São estas as poucas medidas que as entidades poderão implementar sem danos nas estruturas nem na paisagem, permitindo-lhes a desresponsabilização dos prejuízos que poderão eventualmente ocorrer.A nós, pouco mais nos resta do que tentar aproveitar ao máximo a beleza paisagística daquele local e tentar usufruir da sua existência tal como está, retirando toda a informação e conhecimento que aquelas rochas nos podem transmitir, e são muitas as histórias que elas contam, se contextualizadas e preservadas tal como elas estão.

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