Fernando LindonProfessor Universitário-Em Portugal, 33% do solo (2972883 ha) é utilizado no sector agrícola; 38% do solo (3349327 ha) na exploração florestal (maioritariamente pinheiro bravo, sobreiro, eucalipto, azinheira); 29% do solo (2054571 ha) está inculto; 27% (503081 ha) corresponde à área social – zonas improdutivas e águas interiores. Cerca de 17% da população portuguesa está empregada na agricultura, silvicultura e pesca. O sector agrícola contribui com cerca de 3,3% para as exportações nacionais, contudo no mesmo sector ocorrem cerca de 8% de importações, prevalecendo portanto uma dependência alimentar em Portugal
Deve reconhecer-se que a agricultura convencional portuguesa, a par da europeia, enfrenta actualmente alguns problemas de sustentabilidade, decorrente do largo consumo de fertilizantes (cerca de 250 kg/ha), e fitofármacos (nomeadamente, fungicidas, herbicidas, insecticidas, nematodicidas). De facto, neste contexto, anualmente consomem-se cerca de 15470 toneladas (de substância activa), perspectivando-se já algumas consequências dessa aplicação na saúde pública (via contaminação de aquíferos). Contudo, embora a biodiversidade agrícola não constitua uma opção à biodiversidade florestal, deve considerar-se um factor estratégico para assegurar as necessidades básicas dos portugueses em matéria de segurança e autonomia alimentar de Portugal. De facto, um reforço acrescido da exploração florestal em detrimento do sector agrícola, enquanto factor estratégico de desenvolvimento, não irá promover a prazo, uma maior dependência alimentar relativamente a outros países? Considerando ainda os factores de sustentabilidade económica das famílias, durante os longos períodos de desenvolvimento das florestas, nos minifúndios do norte do país, a debilidade proporcional dos subsídios atribuídos, não tenderá a impedir a sobrevivência das famílias? Será que a monocultura florestal (factor inerente à exploração florestal baseada em factores económicos) não minimiza ainda a diversidade nos habitats naturais e semi-naturais (mediante a sua fragmentação, degradação, poluição e banalização da fauna e da flora), e acentua os riscos de incêndios florestais? Independentemente da mais valia que a floresta portuguesa constitui para a economia portuguesa, serão razoáveis os parcos apoios de que a agricultura familiar tem sido alvo? Será aceitável a manutenção de políticas que conduzem ao abandono dos campos agrícolas e à sua transformação em florestas de monocultura? Como pode explicar-se a atribuição de subsídios à não se produção? Estará a atribuição de subsídios para a agricultura sendo bem fiscalizada? Aos portugueses cabe o direito de resposta.




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