A nossa floresta

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
Joaquim MoraisPresidente da Associação de Produtores Florestais dos Concelhos de Alcobaça e Nazaré-Quando no passado dia 21 de Março de 2006, a APFCAN – Associação de Produtores Florestais dos Concelhos de Alcobaça e Nazaré organizou uma Acção de Sensibilização integrada no Dia Mundial da Floresta destinada às crianças do 1º ciclo, em colaboração com a […]

Joaquim MoraisPresidente da Associação de Produtores Florestais dos Concelhos de Alcobaça e Nazaré-Quando no passado dia 21 de Março de 2006, a APFCAN – Associação de Produtores Florestais dos Concelhos de Alcobaça e Nazaré organizou uma Acção de Sensibilização integrada no Dia Mundial da Floresta destinada às crianças do 1º ciclo, em colaboração com a Confraria Nossa Senhora da Nazaré e as Câmaras Municipais de Alcobaça e Nazaré, foi-me pedido que escrevesse algumas linhas para o Jornal “Região da Nazaré”.Embora ao longo da minha vida tenha sido sempre mais um homem de acção e menos de palavras, aceitei o desafio e aqui estou a abordar a temática da floresta.

Estes últimos anos têm sido marcados, em Portugal Continental, por incêndios florestais de grande dimensão que exigem por parte de todos uma reflexão profunda. Em 2003 e 2005 as áreas ardidas rondaram os 750.000 ha. Habitualmente só na “época de fogos florestais” se falava, e sempre, no mau sentido da nossa floresta.Felizmente esta tendência está a mudar, pois por parte do Governo tem-se verificado um interesse muito grande em legislar. No entanto, esta preocupação não se pode resumir a uma mera publicação de diplomas legais.É imprescindível que haja sensibilidade da parte dos nossos governantes e que comecem desde já (e já é tarde) a equacionar uma nova ordem para a floresta Portuguesa. Não se pode adiar por mais tempo a resolução do problema para nosso bem e das gerações futuras. Os fogos florestais não devem ser apenas um espectáculo mediático de verão, mas sim um problema sério que se propaga no tempo, mesmo quando o que restou da floresta não se encontra em chamas. É imperioso avaliar o que correu mal. Nenhum outro País acumulou durante tantos anos tantos erros da gestão da floresta.Portugal é o País do sul da Europa que mais incêndios florestais sofreu nos últimos 25 anos e também um dos que detém uma maior área do seu território destruído por este flagelo.Há de facto muitas questões que poderiam, e deveriam, ser levantadas e penso que para corrigir os erros do passado deveríamos saber por ex.:- Quantos proprietários florestais existem no País?- Em termos do quadro de alterações climáticas previsíveis a médio prazo, que reformas estruturais estão a ser equacionadas para o sector florestal? E daquelas propostas governamentais que já conhecemos ter-se-á de questionar se foram redigidas por sumidades de gabinete, que nunca foram ao terreno sujar as botas?- Quanto investiu o Estado em emparcelamento florestal?- Que medidas foram tomadas para permitir uma adequada actualização cadastral?- Que destino é dado aos resíduos florestais resultantes das operações de limpeza florestal? Estes são retirados das matas ou são incorporadas no solo?- Como é possível, em termos de licenciamento municipal de obras particulares, aprovar construções (nomeadamente habitações) no interior dos espaços florestais?No entanto, e para preparar o futuro temos que saber: – Quando será que o País assiste a uma campanha de sensibilização de protecção de floresta? Os prejuízos e os mortos que se verificaram nos últimos anos não exigirá uma campanha similar à da prevenção rodoviária? – E nas Escolas? Os manuais escolares não deveriam abordar esta problemática?- Atendendo à polémica que se tem gerado em termos de utilização dos meios aéreos no combate aos incêndios, não seria de equacionar a eficácia e viabilidade de sediar localmente meios aéreos públicos que sirvam a vigilância e o combate, em detrimento do recurso a meios aéreos privados que subcontratam meios no exterior e em que os pilotos têm dificuldade de comunicação? Não estaria a nossa Força Aérea apta a ajudar?Enfim… ficam no ar algumas questões, para as quais aguardamos respostas.É preciso não esquecer que a nossa floresta possui uma importância estratégica para o País, decorrente da elevada área, da sua importância económica e social e do seu inestimável valor.Apesar destas valências, o sector enferma de um conjunto de problemas que condicionam o seu desenvolvimento, nomeadamente o abandono dos sistemas associados à floresta, a falta de ordenamento e de planeamento e de gestão.Todos estes factores, quando associados a fenómenos climatéricos desfavoráveis tenderão a repetir-se e os incêndios serão futuramente mais violentos e devastadores. Pelo exposto é urgente actuar-se a este nível.Existe já legislação (até em excesso) sobre esta matéria, é porém imprescindível proceder-se agora à respectiva aplicação e consequente cumprimento, inclusive por parte do Estado.Não se pode exigir a limpeza das matas por parte dos particulares, quando o próprio Estado detém as suas áreas florestais em más condições.Ao terminar, resta-me reiterar que continuarei a lutar pelo cumprimento do dever que voluntariamente assumi. Lamento, contudo, que alguns ditos “homens bons” o não sejam verdadeiramente. Julgo que entre nós deixou de existir fraternidade, bom senso, bem como vontade de sermos Portugal, para sermos um pedaço de terra queimada, onde os nossos filhos e netos não poderão viver, mas apenas sobreviver.Com o trabalho e boa vontade de todos os que quiserem, deixaremos de ser a terra queimada que uns quantos querem, para sermos a terra apetecida que nós queremos. Mãos à obra.E que São Pedro seja o nosso melhor amigo no Verão que se avizinha.

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Artigos Relacionados

Serafim António é o novo presidente da Câmara da Nazaré

12 anos depois, PSD reconquista Nazaré com vitória expressiva: Serafim António é o novo presidente da Câmara. Chega entra no executivo pela primeira vez e CDU perde representação. PSD conquista também a Assembleia Municipal e a Junta da Nazaré. Festa...

556241405 122142549644834810 1117073284101100833 n