Bairro de barracas na zona nobre da cidade de Alcobaça vai desaparecerBairro de barracas em zona nobre da cidade de Alcobaça com dias contados Famílias ciganas vão assinar com a autarquia contratos de arrendamento António PauloA assinatura dos contratos de arrendamento de 24 famílias de etnia cigana, a residirem num bairro de barracas em Alcobaça, está marcada para as 16 horas da próxima sexta-feira, na escola local Adães Bermudes. Porém os beneficiários desta operação de realojamento só poderão entrar nas novas residências mais tarde, e à medida que seja concretizada a instalação dos contadores de água e de electricidade, cuja celebração de contratos ficará à responsabilidade dos novos moradores do bairro de habitação social, junto do cemitério da cidade. Dependendo da celeridade com que os contratos venham a ser formalizados junto da EDP e dos Serviços Municipalizados, prevê-se que até final deste mês as primeiras chaves possam ser entregues aos inquilinos das novas casas.
Efectuada a transferência dos 24 agregados familiares, o bairro de barracas criado há cerca de 32 anos, será imediatamente demolido, cabendo à Fundação Maria e Oliveira, proprietária do terreno, vedar o local, situado numa zona central da cidade. Resolvido o “problema” do bairro de barracas, a autarquia projecta “definir” um espaço no qual “os ciganos possam ficar de passagem por dois ou três dias, conforme prevê a lei”, e afirma-se “determinada” em não permitir a fixação de membros daquela comunidade, para além daqueles que estão recenseados nos serviços camarários.Alcina Gonçalves, vereadora na autarquia alcobacense com os pelouros da Acção Social, Educação e Cultura, adiantou ao REGIÃO que “ainda ficarão duas ou três famílias de etnia cigana por realojar, embora residam na zona da Cova da Onça, e não no terreno contíguo à Fundação Maria e Oliveira, onde hoje está o bairro de barracas”. Estas três famílias serão, em princípio, realojadas em habitações que a Fundação disponibilizará, de um conjunto de dezanove, que a instituição projecta construir em terrenos que possui junto ao Hospital Bernardino de Oliveira, e que se encontram em fase de licenciamento.Preparação para o realojamento Para preparar o processo de integração social dos realojados foi constituído um grupo de trabalho, integrado pela chefe de Divisão de Educação e Acção Social da autarquia, por uma médica do Centro de Saúde, uma técnica da Segurança Social, uma professora detentora de anterior experiência profissional com a comunidade cigana, e ainda, pela presidente da Junta de Freguesia de Alcobaça, Manuela Pombo. Uma das primeiras acções deste grupo de trabalho consistiu na apresentação visual das novas casas com recurso a meios informáticos, seguindo-se iniciativas de sensibilização, que passaram pela capacitação da utilização da habitação, economia doméstica, questões de higiene, direitos e deveres e cálculo das rendas. Classificando como “boa” a receptividade a estas acções, Alcina Gonçalves mostra-se “confiante” nos resultados desta operação realojamento, que chegou a estar prevista para Março passado, “mas que sofreu atrasos no seu desenvolvimento devido à teia burocrática em vive que o País”. Na fase seguinte desta operação de realojamento, está desde já assegurado o acompanhamento das famílias beneficiárias do Rendimento Social de Inserção, por parte de duas técnicas da Segurança Social. Este processo de realojamento dinamizado pela autarquia, iniciou-se em Agosto de 2001 quando Gonçalves Sapinho, presidente da Câmara Municipal de Alcobaça, visitou o bairro de barracas, e anunciou então a construção das 24 habitações, que estão concluídas desde o final de Março passado, e prontas a entregar aos novos inquilinos. A construção do novo bairro, de tipologia T2 e T3, envolveu um investimento de cerca de 1,1 milhões euros, co-financiado em 50 por cento pelo Instituto Nacional da Habitação.




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