Em primeiro plano, destroços da viatura de António Paulino despedaçada pela rebentaçãoComerciante da Nazaré despenhou-se com a sua viatura de uma altura de cerca de 80 metros Desde 2003 que sete pessoas já perderam a vida depois das viaturas que conduziam terem caído no abismoAntónio Paulo António Baptista Paulino, um respeitado comerciante nazareno de artigos regionais, na avenida Marginal, encontrou a morte aos 67 anos, após se ter despenhado no passado sábado, a bordo da sua viatura, na enseada da praia da Nazaré, a partir de uma zona de costa localizada a poucas dezenas de metros do Forte de São Miguel, no Sítio, na Nazaré. As causas do despenhamento da viatura e do seu condutor ainda estão a ser investigadas, contudo, sabe-se que António Paulino estaria a braços com uma depressão, tendo, inclusivamente, “ameaçado matar-se”. Na tarde de sábado, Noémia Nocho, esposa da vítima, como que pressentindo que o marido iria passar das palavras aos actos, seguiu-o num táxi depois de ele ter saído de casa, porém, já não foi a tempo de tentar evitar a tragédia.
Quem também nada podia fazer para parar o voo para a morte de António Paulino, foram os pescadores desportivos que ali passavam alguns dos seus habituais momentos de lazer. “Quando ele chegou aqui junto ao farol, atravessou logo o carro direito ao mar”, referiu Aníbal Ferraz, um dos pescadores que ainda visualizou o trajecto da viatura do comerciante. Cerca de meia hora depois da queda, e já cadáver, o corpo de António Paulino foi recuperado, após ter saído da viatura por força da agitação do mar, por elementos dos Bombeiros Voluntários da Nazaré e do Instituto de Socorros a Náufragos, tendo sido posteriormente trasladado para a delegação de Leiria do Instituto de Medicina Legal, afim de ser autopsiado. Quanto à viatura totalmente destruída pela queda e pela rebentação, devido à subida da maré, não foi possível recuperá-la juntando-se assim, à sucata de outras três, depositadas na base da falésia de onde se despenharam.Sete mortes trágicas em três anos O local por António Paulino “voou” com o seu Opel Astra cerca das 14h 40m, não estava protegido com os blocos de betão, que no ano passado a Câmara Municipal da Nazaré foi colocando ao longo daquela zona costeira, com o objectivo de tentar interromper uma série negra de suicídios, que desde 2003 já contabilizava seis mortes, entre as quais as de duas crianças, uma “arrastada” pela mãe, e outra, pelo pai. O facto da zona junto ao Forte de São Miguel não ter sido alvo da colocação dos blocos de betão – tipo separadores das auto-estradas – motivou, uma vez mais, protestos dos habitantes do Sítio, “cansados” de serem notícia por estas “situações trágicas”. “Se nesta zona tivessem sido colocados os blocos de cimento ou outra protecção, não aconteceria esta desgraça”, sustentava um morador no Sítio, sublinhando que “cá em cima já estamos fartos de tantos acidentes destes”. António Paulino foi o último a “atirar-se” de carro das falésias do Sítio. Nos últimos três anos, esta foi a sétima morte ocorrida naquele local em circunstâncias semelhantes. O primeiro caso, um dos mais chocantes, ocorreu em Junho de 2003, quando uma mulher de 43 anos, se precipitou para o abismo, acompanhada da filha de dez anos, à hora em que o ex-marido se casava pela segunda vez. Em Março de 2004, um homem de 50 anos despenhou-se de um local, cerca de 80 metros acima do nível do mar. Um ano depois, um menino de três anos foi arrastado para a morte pelo pai, depois deste, alegadamente, ter assassinado a ex-mulher perto de Alcobaça. Em Abril do ano passado suicidou-se uma jovem de 25 anos, residente em Valado dos Frades, que sofria de doença psiquiátrica. Depois destes despenhamentos em série, a autarquia colocou os tais separadores em betão para impedir os suicídios com recurso a carros. António Paulino “voou” para a morte uma zona da falésia, onde não existiam aqueles obstáculos a tão tresloucados actos.




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