Pedrosa (à esquerda) e Monterroso com sorrisos diferentes para um congresso sem surpresasCongresso distrital de Leiria do PS aclama Pedrosa como novo líderFoi um conclave de aclamação ao novo líder distrital mas ensombrado pela denúncia de ilegalidades no processo eleitoralAntónio Paulo“Só estamos presentes neste congresso por respeito àqueles que votaram em nós, mas fazemo-lo sob protesto, porque foram violadas diversas regras democráticas, estatutárias e legais, que nos levaram a impugnar todo o processo eleitoral”. As palavras foram proferidas por Delfim Azevedo, apoiante da candidatura de Luís Monterroso, à presidência da Federação Distrital de Leiria do PS, e que constituíram a “nuvem cinzenta” que pairou sob o conclave rosa, realizado no passado sábado em Leiria, e no qual, tal como se previa, não houve lugar a surpresas quanto a vencedores.
João Paulo Pedrosa viu a sua moção “Novos Desafios” ser sufragada maioritariamente de forma esmagadora pelos delegados, obtendo 113 votos a favor, 23 contra e 2 abstenções, e elegendo para a Comissão Política Distrital (CPD) 41 elementos, 4 para o Conselho de Jurisdição (CJ) e dois representantes para Comissão Fiscalizadora das Contas (CFC). A moção “Falar Verdade e Mobilizar o PS” de Luís Monterroso, obteve 113 votos contra e 26 a favor, tendo o ex-presidente da Câmara Municipal da Nazaré, logrado eleger para a CPD, 14 elementos, 1 para o CJ e também um representante para a CFC. “Um grande congresso”Na opinião do novo líder João Paulo Pedrosa, “este foi um grande congresso, vivo e participativo, no qual se debateram os problemas das pessoas, e no qual ficou claro que precisamos de mudar, fazer mais e melhor, num esforço para repensar o papel dos partidos na sociedade civil”. “Neste distrito temos de ganhar a confiança dos cidadãos e isso só se consegue com um PS renovado, empenhado e trabalhador”, sustentou João Paulo Pedrosa”. Afirmando “ter entrado e sair do congresso, livre de qualquer tipo de fidelidades”, Pedrosa apontou como desafios que se colocam à sua liderança, os “os que se colocam ao distrito, como os investimentos estruturantes da OTA e do TGV, a defesa do património natural, a consciência social e a luta contra as desigualdades, num país que, por exemplo, precisa que façamos mais filhos, mas que coloca o desafio de fazer com que seja mais fácil mantê-los”. Alberto Costa, dirigente nacional do partido, em representação de José Sócrates, marcou presença no encerramento dos trabalhos de “um partido que atrai o sucesso e que atrai a sorte”, numa referência a Camões e ao desempenho do PS enquanto Governo. Fazendo uma incursão pela área da Justiça, pasta que tutela como ministro, Alberto Costa anunciou para os próximos meses a “desmaterialização dos processos cíveis” com recurso aos meios electrónicos, assim como, a criação “pioneira” de comarcas cíveis no distrito de Leiria. Lições da Nazaré para Pedrosa Particularmente aplaudida foi a intervenção do delegado nazareno Serafim Cardoso da Silva – apoiante de Pedrosa – que se mostrou disponível “para ensinar o que fizemos para mudar na Nazaré, quando lançamos uma OPA (oferta pública de aquisição) de honestidade e de verticalidade no PS, para acabarmos com todos os adjectivos aqui referidos pelo subscritor da moção “B” ”, numa referência directa às denúncias levadas ao conclave por Delfim Azevedo.“Há vinte anos que não ponho os pés num congresso”, referiu Serafim Cardoso da Silva, diagnosticando que “existe muita retórica para fora, mas fala-se pouco para dentro”, sublinhando que “esta federação tem uma responsabilidade acrescida para com tempo, construir o futuro, desenvolvendo um trabalho de base”. “Temos de ter os jovens do nosso lado, e não termos medo que ocupem o nosso lugar”, explicou Serafim Cardoso da Silva dirigindo-se directamente ao líder João Paulo Pedrosa, enfatizando que “este é um ensinamento que vais ter que gramar, para tornares o PS vencedor”. Por seu lado, Ricardo Caneco recentemente eleito líder da concelhia rosa nazarena e que tomou lugar na mesa do congresso – apesar de pender sobre a sua eleição um processo de impugnação junto da Comissão de Jurisdição Nacional apresentado pela sua adversária Isabel Vigia -, apelou à Federação para “ajudar na captação de novos investimentos para a Nazaré de modo a contrariar a tendência de os jovens nazarenos licenciados terem de procurar emprego fora do concelho”. “A Câmara da Nazaré não soube dar resposta nem desenvolver acções para integrar os jovens que se vão formando”, sustentou Ricardo Caneco.Processo eleitoral impugnadoMas todo o processo eleitoral dos órgãos federativos distritais do PS para os próximos dois anos poderá ser anulado, caso a Comissão de Jurisdição Nacional do partido dê provimento à impugnação apresentada no passado dia 26 de Abril por um conjunto de 14 militantes apoiantes da candidatura de Monterroso, relativa à deliberação da CPD que elegeu a Comissão Organizadora do Congresso (COC) e a todas as suas deliberações subsequentes. Em causa estará, como Luís Monterroso referiu ao REGIÃO, a “inexistência de um quórum mínimo para a CPD poder funcionar e deliberar, uma vez que dos 48 membros que a constituíam e tomaram posse, apenas estiveram presentes 18, dos quais 10 eram do Secretariado, que no início do mandato tinham suspendido o mandato na CPC, e como tal, não tinham direito a voto, sendo que o quórum mínimo exigido era de 25 elementos”. “Depois, a votação foi feita de braço no ar, contrariando os estatutos que exigem a votação secreta quando estão em causa pessoas”, reforça Monterroso, concluindo que “sendo nula a deliberação que elege a COC, isso implicará a nulidade de todas as suas deliberações, nomeadamente as referentes ao processo eleitoral, que culminou com a realização do congresso”. Para além desta alegada ilegalidade, o REGIÃO apurou que do processo de impugnação, constam ainda denúncias do não cumprimento de normas estatutárias referentes a cumprimento de prazos de aceitação e composição de listas, e uma alegada falsificação de assinatura numa declaração de aceitação de inclusão de uma candidata a delegada efectiva na lista de João Paulo Pedrosa, pela secção de Alvaiázere.




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