Depois de as chaves não terem feito rodar a fechadura, Ricardo Caneco assinou a acta de instalação no meio da ruaPS da Nazaré continua mergulhado num ambiente confuso e de cortar à facaEleições validadas e impugnadas, uma tentativa frustrada de entrada na sede partidária e um acto de instalação no meio da rua, são os mais recentes episódios da guerrilha que se vive no partido.António Paulo Os elementos da lista vencedora das eleições para a Comissão Política Concelhia (CPC) do PS da Nazaré – realizadas a 18 de Março – liderada por Ricardo Caneco, procederam no passado domingo à instalação daquele órgão, numa cerimónia realizada no meio da rua. Uma situação decorrente da tentativa frustrada de abertura das portas da sede da secção da Nazaré – onde habitualmente reúne a CPC -, com recurso a chaves confiadas ao cabeça de lista à Câmara, João Benavente, aquando das Autárquicas do ano passado. Depois de alguns momentos de conferenciação com os membros do Secretariado e da Comissão Política da Federação Distrital (CPFDL) de Leiria, Virgílio David, Fernando Antunes e José Maria Faria, foi decidido avançar para a abertura da porta, só que para “surpresa” geral o canhão da fechadura havia sido mudado.
“Uma infelicidade, é triste mas é um facto”, lamentava-se Ricardo Caneco, sublinhando que “pedi as chaves várias vezes, mas nunca me foram facultadas”. “Agora somos como os sem tecto”Face à situação, Caneco decidiu-se em avançar para a instalação da CPC em pleno largo das Forças Armadas, enquanto Virgílio David classificava a situação de “insólita” e desabafando que na “Nazaré tudo é possível”. “Agora somos como os sem tecto”, ironizava um militante, enquanto outro, classificava a situação de “vergonhosa” e “revoltante”.Ao acto de “tomada de posse”, convocado por Ricardo Caneco enquanto “presidente da CPC”, apenas compareceram os 16 elementos eleitos da lista mais votada, não tendo respondido à chamada qualquer dos 15 eleitos pela candidatura de Isabel Vigia. Tomaram também “posse”, por inerência, o primeiro militante eleito para a Câmara, João Benavente, e Vítor Vieira, em substituição de Teresa Coelho – eleita como sexta da lista à CPC -, que nas Autárquicas passadas, foi o primeiro militante eleito para a Assembleia Municipal.Recorde-se, que na sequência das eleições – que Caneco venceu por uma margem de quatro votos -, Isabel Vigia apresentou um protesto por alegadas irregularidades cometidas durante a votação na secção de Famalicão, mas por unanimidade, o Secretariado da Distrital não lhe deu provimento, declarando-o “improcedente”. Uma decisão da qual Isabel Vigia apresentou recurso para o Conselho de Jurisdição Distrital, a qual já tentou apreciar por duas vezes a impugnação, não o tendo feito por falta de quórum, mas sobre a qual Rui Rodrigues, presidente daquele órgão, fixou “o efeito meramente devolutivo, ou seja sem efeito suspensivo”. Uma opinião sustentada igualmente por Virgílio David e Fernando Antunes que “apadrinharam” a tomada de posse dos membros da lista mais votada nas urnas. Vigia sustenta suspensão de resultados Opinião literalmente contrária sobre os efeitos do recurso tem Isabel Vigia, contrapondo ao REGIÃO a tese de que “o recurso tem efectivamente efeitos suspensivos”, invocando o definido no Artigo 45º do Regulamento Disciplinar do PS (Capítulo V, Dos Recursos, Subida e Efeitos dos Recursos) onde se refere que “têm efeitos suspensivos os recursos interpostos das decisões finais”. Escudando-se neste articulado, Vigia sustenta que “enquanto não for proferida uma decisão sobre o recurso apresentado junto da Comissão Federativa de Jurisdição, não pode haver tomada de posse”. Sem poupar nas críticas aos seus adversários, Isabel Vigia, acusa-os de quererem “fazer chicana política e dar cabo do partido na Nazaré”, e de ao terem feito o “pretenso acto de instalação da Comissão Política na rua”, quererem “espectáculo e achincalhar o PS, enquanto que o PSD bate palmas e dá saltos de contentamento”. “Se não quisessem fazer espectáculo, podiam ter feito a alegada instalação na sede da secção de Famalicão, pois o PS no concelho tem duas sedes de secção, tanto mais, que eu tinha dito ao Ricardo Caneco que não entregava a chave, enquanto não houvesse um resultado do recurso”, reforça Isabel Vigia.




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