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Caminho Real pode ser uma potencial atracção turística

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Jornada sobre património cultural realçou importância do Caminho Real Tânia Rocha Realizou-se no passado sábado, no Mar-Alto, uma jornada sobre “Património Cultural e Desenvolvimento Sustentado”, onde foi amplamente discutido o Caminho Real da Pederneira. O evento foi promovido por Rui Remígio, Pedro Penteado e Paulo Almeida Fernandes, e contou com a participação de um vasto […]
Caminho Real pode ser uma potencial atracção turística

Jornada sobre património cultural realçou importância do Caminho Real Tânia Rocha Realizou-se no passado sábado, no Mar-Alto, uma jornada sobre “Património Cultural e Desenvolvimento Sustentado”, onde foi amplamente discutido o Caminho Real da Pederneira. O evento foi promovido por Rui Remígio, Pedro Penteado e Paulo Almeida Fernandes, e contou com a participação de um vasto conjunto de especialistas nacionais de várias áreas, nomeadamente, História, Arqueologia, Património Cultural, Museologia, Geografia do Turismo, Ambiente e Desenvolvimento Sustentado. Dividido em duas sessões, o programa contemplou, na parte da manhã, um largo debate sobre o “Caminho Real da Pederneira, património cultural a proteger e valorizar”, e da parte da tarde, uma discussão relativa ao património cultural em geral, e ao desenvolvimento sustentado.

Os objectivos da iniciativa, segundo Rui Remígio, é “conhecer a importância do património natural, construído, móvel e imaterial num contexto do desenvolvimento sustentado e criar uma dinâmica que conduza à preservação e valorização do património cultural e da nossa identidade”, e “debater o caso do Caminho Real e do património cultural da Nazaré, salientando o papel dos cidadãos, do munícipe e do Estado, na procura das vias que o valorizam e tornam parte integrante da identidade local e regional”.Durante a apresentação geral da jornada, Rui Remígio, disse que “os nazarenos não devem ficar indiferentes ao seu património” e referiu que “o Caminho Real é um património estruturante, que faz ligação a outros concelhos”. O mesmo promotor ainda deixou algumas sugestões, afirmando “que o património não pode ser visto como um obstáculo”. Paulo Fernandes, membro da direcção da Associação Portuguesa de Arqueólogos, salientou que “actualmente há um divórcio entre os agentes políticos e os agentes culturais”. Para demonstrar a potencial importância histórica e turística do Caminho Real da Pederneira, apontou alguns exemplos de outros caminhos reais, devidamente preservados, e classificou o Caminho Real como “uma via estruturante na história da região” e realçou também, “a importância da realização de um estudo arqueológico aprofundado no local, de forma a poder ser classificado com precisão”.Por sua vez, Pedro Penteado, outro dos oradores do painel da manhã e membro do Centro de Estudos de História Religiosa, exibiu algumas fotografias de figuras reais e membros do povo, os quais usavam o Caminho Real para a peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora da Nazaré. Pedro Penteado referiu que “é importante compreender o património, muitas vezes destruído em nome do progresso”, e salientou “a necessidade de recuperar e valorizar a memória destes itinerários”.A título de resumo, o presidente da mesa, José Morais Arnaud, sublinhou a “importância do potencial e a real recuperação das antigas estradas e caminhos”, disse que “qualquer desenvolvimento tem de ter em conta as pré-existências”, e salientou ainda que “é importante que haja desenvolvimento, mas hoje há condições para não se cometerem certos erros desastrosos”.No período de debate e de intervenção do público, o presidente da Câmara Municipal da Nazaré, Jorge Barroso, interveio, mostrando o seu agrado pela concretização deste tipo de iniciativas, e fundamentou que o cartaz de promoção do evento “traz para a ribalta aquilo que já há decisões para se concretizar”, nomeadamente, a classificação do Caminho Real. O presidente afirmou que “o Caminho Real já teve várias intervenções, servindo a sociedade de cada uma das alturas”, reconhecendo que “estas situações nunca são pacíficas”. Barroso explicou que, por um lado, “temos o património, enquanto motor do desenvolvimento, e por outro, há a parte menos boa, em que o património vai sofrer em nome desse desenvolvimento”. Barroso terminou a sua intervenção afirmando que “estamos todos interessados na preservação do Caminho Real”.Por seu turno, o vereador da CMN responsável pelo pelouro do Urbanismo e Ordenamento do Território, António Salvador, declarou que “o património é de todos e deve ser construído para todos”. António Salvador disse que a CMN e a Assembleia Municipal “classificaram o troço sul do Caminho Real e que não houve em momento algum, o pôr em causa a classificação do Caminho Real como um todo”, justificando que a classificação em parte, teve a ver com a classificação do local, em área não urbana”, alegando ainda, que a classificação de interesse municipal do Caminho Real, não inviabiliza a classificação de interesse público de todo o percurso. Durante a sua intervenção, Salvador falou de alguns projectos para o Caminho Real, nomeadamente a construção de um miradouro e de um percurso que liga S. Gião, o Caminho Real e o Monte de S. Bartolomeu, que “permite potenciar o desenvolvimento económico do concelho”, e terminou dizendo que “todos querem preservar o património”. Também o vereador do Grupo de Cidadãos Independentes, António Trindade, quis usar a palavra, afirmando que “não é da parte deste Grupo que tem havido negligência por se ignorar o património”.A mesa redonda, da parte da tarde, teve a participação de José Morais Arnaud, presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses, José Sirgado, consultor e docente universitário, Pedro Roseta, ex-ministro da Cultura, e Valdemar Rodrigues, docente universitário, com a moderação de Pedro Barbosa, também docente, na Faculdade de Letras, da Universidade de Lisboa.Perto do encerramento do colóquio, António Salvador, após Pedro Roseta ter demonstrado a sua disponibilidade para juntar esforços e ajudar no que fosse necessário, para vir a garantir a reabilitação e execução das obras em S. Gião, o vereador solicitou aos restantes elementos presentes, incluindo à mesa, toda a ajuda no processo, “importante para a concretização do percurso cultural, que engloba S. Gião, Caminho Real e S. Brás.

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