25 anos depois do primeiro diagnóstico, a SIDA continua a matar milhares de pessoas por ano em todo o mundo1 de Dezembro – Dia Mundial da Luta Contra a SIDAAlcobaça e Nazaré são dois dos concelhos do distrito de Leiria onde se verificam mais casosJoana Fialho158 pessoas morreram, desde 1983 e no distrito de Leiria, devido à Síndrome de Imuno-Deficiência Adquirida (SIDA). Outras 129 lutam diariamente contra uma doença que vai acabar por matá-las. São estes os dados revelados no último relatório do Centro de Vigilância Epidemiológica das Doenças Transmissíveis (CVEDT), de 30 de Junho, que dá ainda conta do aparecimento de 730 novos casos no distrito durante o primeiro semestre deste ano, um número significativamente superior ao total dos anos anteriores. Por isso, Leiria é o quinto distrito português onde se verificam mais casos de infecção pelo Vírus de Imunodeficiência Humana (VIH). Só em 2006, 332 pessoas foram já infectadas com o vírus através de relações heterossexuais, enquanto 259 receberam o vírus pelo consumo de drogas injectáveis.
Quanto aos concelhos de Alcobaça e Nazaré, os números não se revelam mais animadores. Segundo dados da Comissão Distrital da Luta Contra a Sida de Leiria, estão diagnosticados 61 doentes em Alcobaça e 40 na Nazaré, um aumento significativo relativamente a 2003, quando estavam notificados 42 casos de SIDA em Alcobaça e 30 na Nazaré. Estes concelhos ocupam, respectivamente os 4º e 6º lugares no ranking distrital, liderado por Leiria, Peniche e Caldas da Rainha.Uma epidemia mundialSão estes os dados regionais de uma epidemia que desde 1981, ano em que foi comunicada a primeira prova clínica da SIDA, se propagou por todo o mundo, vitimando milhares de pessoas a cada ano que passa. Pelos dados revelados no mais recente relatório da ONUSIDA, o órgão das Nações Unidas com competências na vigilância da evolução da epidemia, mais de 40 milhões de pessoas vivem actualmente com o VIH, e a SIDA (o estádio terminal da infecção pelo VIH) já terá vitimado cerca de 25 milhões de pessoas.Desde que foi diagnosticada pela primeira vez, a SIDA é uma doença que suscita reacções distintas. Inicialmente, esta doença era entendida como um mal exclusivo da comunidade homossexual, sobretudo da masculina, dos toxicodependentes e do submundo da prostituição e da sexualidade promíscua e perversa. Mas cedo a SIDA chegou aos grupos de elite e começou a vitimar crianças, originando uma onda de pânico e um enorme receio de que a transmissão fosse possível através de simples práticas sociais.25 anos depois da sua descoberta, a SIDA continua a não ceder a inovações científicas nem a tratamentos progressistas. No entanto, foi já possível diagnosticar as formas de contacto. Na próxima sexta-feira, dia 1 de Dezembro, é assinalado o Dia Mundial da Luta Contra a SIDA, uma data cujo principal objectivo é lembrar que embora esta doença não tenha cura, é possível evitar o contágio. Relações sexuais desprotegidas e troca de seringas entre toxicodependentes são alguns dos comportamentos de risco a evitar. Neste dia, as diversas organizações de prevenção e apoio aos doentes com SIDA unem vozes para fazer passar uma outra mensagem: a SIDA não se transmite com um aperto de mão, e os doentes não devem ser excluídos nem estigmatizados pela sociedade.Números nacionais De acordo com o último relatório do CVEDT, desde Outubro de 1983, quando foi diagnosticado o primeiro caso de infecção pelo VIH em Portugal, já foram notificados 29461 casos de infecção pelo VIH em diferentes estádios de infecção. Destes casos, cerca de 45,5 por cento (13 426) são toxicodependentes consumidores de drogas injectáveis, enquanto o segundo maior grupo é o da transmissão sexual por relações heterossexuais (36,9 por cento). Quanto aos diagnósticos concretos de SIDA (o estádio terminal da infecção), foram notificados 12 844 casos, que vitimaram 6386 pessoas.Só durante o primeiro semestre do ano de 2006, foram diagnosticados 1173 casos de infecção por VIH, sendo que 465 já terão desenvolvido para casos de SIDA. No primeiro lugar da tabela nacional encontra-se o distrito de Lisboa, com 5 432 casos e 2 802 mortes, seguido do Porto, onde foram diagnosticados 2993 casos, que resultaram em 1 500 óbitos.




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