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Nazaré acolhe concerto da obra no centenário do compositor António Fragoso

JL

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O pianista e compositor António Fragoso vai ser recordado na passagem dos cem anos da sua morte, com 70 concertos, e uma edição integral da obra.

A programação da AAF envolve 90 atividades, entre as quais 70 concertos, a realizar em Portugal e no estrangeiro, a edição em disco da integral da obra do compositor para piano, conjuntos de câmara e para orquestra, estando garantida ainda a revisão da sua obra ao nível da notação, pelo maestro Evaristo Neto, e na sua globalidade, pelo também compositor e musicólogo Alexandre Delgado.

António Fragoso (1897-1918) morreu em 1918, aos 21 anos, vítima da pneumónica, depois de concluídos os estudos no Conservatório Nacional, em Lisboa, sob a orientação de Luís de Freitas Branco e Marcos Garin. A assimilação da expressão impressionista da época, patente na sua obra, quando ainda era rara no panorama português, e a morte prematura, levou especialistas a estabelecer um paralelismo entre o compositor, na música, e Amadeo de Sousa Cardoso, na pintura.

Em declarações à agência Lusa, Alexandre Delgado salientou que a obra de António Fragoso “é muito refrescante”, no contexto da época, tanto mais que “o impressionismo chegou muito tarde” a Portugal.

A obra de António Fragoso, iniciada aos 16 anos, com “Toadas da Minha Aldeia”, compreende maioritariamente música para piano (Prelúdios, Mazurkas, a “Petite Suite” e o Nocturno em ré bemol maior), para formações de câmara (“Suite Romantique”, para violino e piano, “Canções do Sol Poente” e “Poèmes Saturniens”, para canto e piano) e peças para orquestra (Noturno e o inédito “La ville d’automnne”).

Para o ano do centenário, Eduardo Fragoso, responsável da AAF, disse que será realizada uma “análise e transcrição do espólio literário inédito” de Fragoso, pela investigadora Barbara Anielo, da Universidade de Coimbra, que também irá publicar uma nova biografia do compositor, “à luz de recentes descobertas”, estando igualmente prevista a publicação de “Correspondência e Cartas a Maria”.

A obra musical de Fragoso será disponibilizada no endereço www.antoniofragoso.com, que deve estar ‘online’ em outubro, segundo o responsável da AAF, que adiantou que será feita uma edição especial da “Obra Completa de António Fragoso”, prefaciada pelo musicólogo Rui Vieira Nery, com o pianista Aquiles Delle Vigne.

A programação do ciclo “In memoriam de António Fragoso” abre a 21 de outubro, no Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz, com a estreia do inédito de Fragoso, o noturno “La ville d’automnne”, para orquestra de cordas e harpa, e de “Monumento 21 – Quadros Sinfónicos Fragosianos”, para piano e orquestra, obra encomendada pela AAF a Rui Paulo Teixeira, numa interpretação da Orquestra Atlântico, dirigida por Artur Pinho Maria, com o pianista Manuel Araújo, como solista.

O programa do concerto inclui ainda Noturno em Ré Bemol Maior, Noturno em si bemol menor e “Petite Suite”, de António Fragoso, com arranjos para orquestra de Vasco Mendonça e Edward Luiz d’Abreu, respetivamente, e “Aguarela”, de David Souza, contemporâneo do compositor.

Suceder-se-ão concertos em Funchal, Póvoa de Varzim, Nazaré, Coimbra, Porto e Lisboa, entre outras localidades, além de Pocariça, Cantanhede, onde Fragoso nasceu, em 17 de junho de 1897, e onde viria a morrer, em 13 de outubro de 1918.

Durante a vida do compositor, a sua casa de família acolheu concertos de músicos da época, como Lourenço Varela Cid, Fernando Cabral e Francine Benoît. A programação do centenário, segundo Eduardo Fragoso, prevê igualmente recriar estes serões musicais de “janelas abertas”, a que a população de Pocariça acedia.

Além de Portugal, estão previstos concertos “In memoriam António Fragoso” em Madrid, Munique, Londres, Paris, Rio de Janeiro e Roma, e mais oito recitais nos Estados Unidos, seis dos quais em Boston, outro em Chicago e mais um no Iowa.

Em 2010, a Culturgest acolheu o colóquio “António Fragoso e o seu tempo”, dirigido pelo musicólogo Paulo Ferreira de Castro, que deu origem a um volume dedicado ao compositor. Em 1968, Leonardo Jorge publicou uma monografia sobre Fragoso.

Nas décadas de 1990 e de 2000 foram editados discos com a obra para piano de Fragoso, por Miguel Henriques (Resonare/Museu dos Sons e Numérica), e para conjuntos de câmara, pelo violinista Carlos Damas, com a pianista Jill Lawson e a violoncelista Jian Hong (Brilliant Records).

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