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Falta de médicos no Hospital das Caldas da Rainha condiciona Urgências Obstétricas

Paulo Alexandre

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A falta de médicos no Serviço de Obstetrícia do Hospital das Caldas da Rainha está a condicionar o acesso às urgências obrigando à transferência de grávidas para os hospitais de Santarém e de Santa Maria, em Lisboa.

Dos “21 médicos especialistas” de que o serviço deveria dispor o Hospital das Caldas da Rainha conta apenas com “10 médicos obstetras”, disse à Lusa o Conselho de Administração (CA) do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), admitindo que a falta de clínicos está a provocar, em alguns dias o condicionamento das urgências daquele serviço.

De acordo com o CA, o funcionamento do Serviço de Urgência [de obstetrícia] “deve contar com dois a três especialistas de Obstetrícia durante 24 horas”, bem como com “dois enfermeiros, além da disponibilidade de um anestesista e de um pediatra”.

Embora a carência de médicos obstetras seja “sentida em todo o país”, no caso do CHO a situação agrava-se pelo facto de existirem “médicos com idade para dispensa de trabalho noturno” e “absentismo por maternidade ou outras razões”, adiantou o CA sublinhando que o hospital “tem que recorrer com elevada frequência a prestadores externos, através de empresas prestadoras, nem sempre disponíveis”.

Condicionantes que levaram a que no primeiro fim de semana do mês, “entre as 18:00 de sexta-feira e as 09:00 de sábado, e repetiu-se entre as 09:00 de domingo e as 09:00 de segunda-feira,” as urgências tenham estado condicionadas, revelou o hospital.

Durante esses períodos, precisou o hospital, “as grávidas que acorreram à Unidade de Caldas da Rainha foram avaliadas no Serviço de Urgência Geral e, quando necessário, encaminhadas para outros hospitais, nomeadamente o Hospital de Santarém e o Hospital de Santa Maria, devidamente acompanhadas por um enfermeiro especialista de obstetrícia”, em linha com as orientações da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT).

Ainda assim, a maternidade da unidade das Caldas da Rainha, “nunca esteve encerrada”, esclareceu ainda o CA, afirmando que “as mulheres que se encontravam internadas no Serviço de Obstetrícia contaram com apoio médico em regime de prevenção, e com a escala habitual de enfermagem”.

O número de 21 médicos especialistas com que o hospital deveria contar tem por base o número de partos realizados, que em 2016 se cifrou em 1.378.

No mesmo ano foram atendidos 10.204 episódios na Urgência de Ginecologia/Obstetrícia.

Nos primeiros oito meses de 2017 foram realizados 817 partos e foram atendidos 6.604 episódios de urgência, segundo o CA.

O Conselho de Administração espera que a situação “seja colmatada, no futuro, quando existir reforço do número de médicos obstetras”, para os quais o CHO “tem aberto repetidamente concursos para colocação de novos médicos especialistas”.

Durante o ano de 2016 e princípios de 2017 entraram três novos médicos e “aguardam-se novos concursos para breve” relativos ao ano de 2017, informou o CHO.

O CHO resultou da fusão do antigo Centro Hospitalar do Oeste Norte e do antigo Centro Hospitalar de Torres Vedras e integra os hospitais das Caldas da Rainha, Peniche e Torres Vedras.

Serve uma população de mais de 300 mil habitantes dos concelhos das Caldas da Rainha, Óbidos, Peniche, Bombarral, Torres Vedras, Cadaval e Lourinhã e de parte dos concelhos de Alcobaça (freguesias de Alfeizerão, Benedita e São Martinho do Porto) e de Mafra (com exceção das freguesias de Malveira, Milharado, Santo Estevão das Galés e Venda do Pinheiro).

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