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Encontro de abadias cistercienses de dez países da Europa em Alcobaça

Paulo Alexandre

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O Mosteiro de Alcobaça acolheu, no passado dia 12, o I Encontro Internacional de Abadias Cistercienses, que reuniu 12 gestores de património cisterciense de 10 países europeus, que integram a Carta Europeia de Abadias e Sítios Cistercienses.

Dar a conhecer a riqueza e diversidade da herança cisterciense existente na Europa, da qual faz parte o Mosteiro de Santa Maria, e criar, em Alcobaça, uma oportunidade de reflexão e troca de experiências ao nível de gestão destes monumentos, que têm uma identidade muito própria, foram os principais objetivos do Encontro de gestores.

Na sessão de abertura, o Presidente da Câmara Municipal de Alcobaça, Paulo Inácio, alertou para “os diversos constrangimentos que ordenamento jurídico português coloca ao acesso a fundos comunitários para obras de requalificação do património histórico. Noutros países essa situação está bastante mais agilizada.”

“É um orgulho receber pessoas ligadas ao património cisterciense que é uma pedra basilar da história e da cultura deste território. Sempre defendi que Alcobaça deve ocupar uma posição de charneira no contexto da rede europeia de abadias cistercienses. Esta iniciativa é, de facto, um contributo importante para concretizar esse desafio. Esta rede é também um instrumento essencial para a captação de investimento com vista à requalificação deste legado, preparando-o para o futuro.”

Foi à vereadora da Cultura, Inês Silva, que coube apresentar o Mosteiro de Cós neste evento. A responsável destacou todo o processo que conduziu à integração do Mosteiro de Coz na rede cisterciense: “a inclusão de Coz nesta rota europeia é um passo essencial para que o monumento possa usufruir de necessárias melhorias que irão complementar todo o esforço desenvolvido nos últimos anos pela Câmara Municipal de Alcobaça, desde a aquisição patrimonial e demolição das casas confinantes ao mosteiro até à dinamização do artesanato local, através do projeto Cozarte”.

A integração do monumento na Carta Europeia de Abadias e Sítios Cistercienses ficou assinalada com o descerramento de uma placa alusiva a esse facto, saudado pelo vice-presidente Jean-Louis de Lagausie.

“Nos últimos anos tive a oportunidade de visitar e de acompanhar o enorme esforço feito pelo Município na recuperação deste espaço. É para mim uma honra poder celebrar convosco este momento e quero felicitar a Câmara Municipal de Alcobaça pelo seu trabalho desenvolvido em prole desta magnífica igreja.”

Das 230 abadias que integram a Carta Europeia de Abadias e Sítios Cistercienses [associação que promove a preservação e a valorização do património legado pela Ordem de Cister em toda a Europa] “doze participam neste primeiro encontro em que se pretendeu refletir sobre a gestão deste património, “entregue a proprietários tão diversos”, explicou a diretora do Mosteiro de Alcobaça, Ana Pagará.

Entre monumentos propriedade do Estado, uns entregues a associações e outros ainda na posse de privados, “há que refletir sobre a gestão destes sítios que têm preocupações e necessidades diferente, dado uns disporem de verbas dos orçamentos de Estado para a sua conservação, outros dependerem das receitas de visitação e outros são suportados por utilizações como o alojamento turístico ou outras”, disse aquela responsável.

Contando com a representação de dez países europeus (Portugal, Espanha, Bélgica, França, Reino Unido, Itália, Alemanha, República Checa, Polónia e Dinamarca), o encontro foi “um espaço de reflexão, de troca de experiências e de construção de projetos internacionais conjuntos”, nomeadamente ao nível da promoção conjunta dos sítios cistercienses de toda a Europa, da realização de exposições itinerantes, da criação de rotas (integrando o Itinerário Cultural do Conselho da Europa) e de mapas assinalando a localização dos monumentos e, também, da edição de livros.

O encontro inseriu-se no contexto da implementação da nova estratégia gestionária em curso no Mosteiro de Alcobaça, em particular no que se refere ao objetivo estratégico de aposta na internacionalização do monumento, classificado como Património da Humanidade e considerado um dos principais exemplares cistercienses.

O Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, cuja construção se iniciou em 1178, foi erigido de acordo com o plano arquitetónico usado por São Bernardo de Claraval na construção da casa mãe da ordem, em França, e que foi em grande parte destruído após as guerras napoleónicas.

“Ficou apenas [o mosteiro de] Alcobaça como exemplar visitável, o que aumenta a importância do conjunto, que é “dos maiores, mais completos e mais bem preservados” da Idade Média, explicou a diretora.

A par do legado de Alcobaça, que atrai 40 mil visitantes por ano, há 1.750 abadias desta época [até ao seculo XVI] espalhadas por vários países da Europa, e outras, posteriores, noutros pontos do mundo, cujos representantes a direção do mosteiro pretende que “participem rotativamente nestes encontros que serão anuais” e se realizarão previsivelmente em novembro.

No âmbito da Carta Europeia, realizar-se-á, em novembro do próximo ano, o segundo encontro de abadias, incluindo as da Suécia e Suíça (ausentes no 1º) e espera-se que até à próxima Assembleia Geral, que decorrerá em França, em meados de abril, todos “reflitam sobre o papel que têm na promoção dos sítios cistercienses e elenquem possíveis projetos a propor nessa reunião magna”, explicou a diretora.

Projetos para a divulgação e promoção deste património são o objetivo desta reflexão proposta. Estão em estudo a criação de mapas por país (das abadias existentes), um mapa internacional, um site, projetos relacionados com promoção e a venda produtos produzidos por estas abadias, ou exposições itinerantes, que chamam alertem para a importância de preservação desse património.

Alcobaça, para além de pertencer à Carta, também integra a Rota das Abadias Cistercienses, um itinerário cultural do conselho da Europa, e o seu propósito é “valorizar este itinerário e amentar a circulação de visitantes entre todas as abadias”.

A primeira reunião internacional, realizada no passado dia 12, contou com a participação do presidente da Carta Europeia de Abadias e Sítios Cistercienses, Dominique Mangeot.

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