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Nazareno João Delgado Godinho lança novo Livro “Fosse a verdade praça do povo”

Paulo Alexandre

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O nazareno João Delgado apresenta no próximo dia 11 de junho, em Lisboa, no Clube Literário do Chiado, no Tivoli Fórum, na Av. Da Liberdade 180- piso -1 sala F, às 17h30, o seu livro “Fosse a Verdade Praça do Povo”.

João Delgado Godinho, nasceu a 7 de setembro de 1938, embora o seu CC refira 25 de dezembro de 1938, situação que acontecia com grande frequência naquela época.

Filho de Joaquim de Jesus Rato Godinho e de Virgínia Vagos Delgado, ambos naturais da Nazaré, frequentou a escola primária, e teve como professor, o seu grande amigo, Carlos Lineu Soares Miranda, homem de uma imensa cultura, de um sentido social invulgar, mesmo para os tempos que hoje decorrem, e um professor que sabia que agir é ultrapassar as dificuldades e que quando agimos em função das ofensas ou de ofendidos acabamos por não suportar a vida e carregamos a ansiedade dos outros.

A máxima do seu professor, que acompanhou o seu crescer ao longo dos anos era: Ler. Aprender. Desenvolver. Relacionar. Discutir. Crescer. Ler. LER. Ele acreditava que a escola era o centro privilegiado da liberdade.

Eu sempre assumi que Aprender é um processo interior que nos faz emergir a vontade de nos ultrapassarmos.

Quando acabou a quarta classe o seu professor pretendia que fosse estudar, mas o seu pai, em honra da sua própria palavra, assumiu cumprir a sua promessa de João Delgado Godinho integrar o grupo que iria frequentar a Escola de Pesca da Nazaré. Depois seguiu para a Escola de Profissional de Pesca de Lisboa. Aqui foi-lhe atribuída uma bolsa de estudos com o objetivo de seguir para a Escola Náutica. Rumo que não seguiu por ser daltónico. Esta circunstância mudou o rumo dos seus estudos e da sua vida. Seguiu Psicologia e foi para Paris estagiar para a Escola de Altos Estudos com bolsa de estudos do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Governo Francês e com o apoio da Sacor, empresa onde trabalhava enquanto estudava. Aqui seguiu a carreira profissional até atingir os mais altos cargos de Direção.

Casou, em 1970, com Maria José Tavares Duarte Pedro, que assumiu o seu nome de família Delgado Godinho, licenciada em Filologia Germânica. Tem quatro filhos e três netos.

Entrevista

RN:Qual é a mensagem que quer transmitir com o título do seu novo livro “Fosse a verdade praça do povo”?

JD: A mensagem do meu livro “Fosse a Verdade Praça do Povo” é uma chamada de atenção para que se assuma a verticalidade da Honra, para que se facilite a motivação, para que se viva em função dos factos, para que as pessoas que sangram a vida para viverem com alguma dignidade tenham a coragem para se afirmarem, levantarem a voz e exigirem os direitos que lhes estão sendo usurpados. É também uma chamada de atenção à Europa dos valores que não ama de igual modo os “seus filhos”. Que os diferencia socialmente, que a muitos lhes amarga a vida.

RN:Qual é o poema ou poemas que descrevem melhor o seu novo livro?

JD: Não é fácil escolher este ou aquele poema nem convém explicitar o conteúdo dos poemas. A compreensão de cada poema é um acto criativo e intimo de cada leitor. Todavia referirei três: Na minha terra; A Guerra; Enquanto estendo as mãos e dou um reino.

RN:Este novo trabalho é composto por quantos poemas?

JD: O livro contém 32 poemas, um prólogo, 3 olhares sobre a minha poesia e uma Nota do Autor.

RN:Que temas aborda?

JD:A temática do livro tem a ver com a verdade, a guerra a prisão, a miséria, a exploração e como escreve a poeta Isabel Mendes Ferreira ” Fosse a verdade praça do povo é um abrigo um desejo e a sabedoria de que não há praças que salvem a verdade, mas pode haver uma espécie de salvação em cada verso em cada metáfora em cada ninho deste angelismo que o autor subconscientemente roga para si. e nos oferece. em dádiva em apelo. assim: “Desprende o teu medo que no nosso abrigo não temos segredo somos um contigo.”

Esta é a praça da palavra generosa” Maria Manuela Meneses diz: “João faz transbordar preocupações sociais, ética, solidariedade. Nas suas palavras os contraditórios entrelaçam-se, há solidão mas há fraternidade, há uma mistura do que é e do que ele gostaria que fosse. É uma vida entrecortada de crises e de paixões de problemas e soluções”. Para José Pires F. ” Este é um livro de um homem para outro homem que seja livre e consciente da ordem dos mistérios. A consciência do vazio adquire substância nas palavras de João Delgado Godinho no que têm de estável e denso e na dissolvição das pequenezas equilibrando assim e absorvendo com humildade a própria individualidade.

Maria Symeonidou escreve: “Fosse verdade praça do povo é um grito de angústia perante o novo rosto da guerra e das suas vítimas visíveis e invisíveis.Tempo, memória, história é a tela onde há milhares de anos é tecida a existência da humanidade e hoje esta tela adquire uma dimensão difícil e dolorosa e por isso no poema “O tempo já não é história”, João Godinho segreda-nos: “Constrói-te no hoje e cala bem fundo todos os dias”.

RN:Quanto tempo demora a escrever um poema? Como é o processo de criação?

JD: Não há tempo para medir o tempo de um poema. Nenhum poeta escreve apenas para si. Um poema só se acaba quando não existem mais leitores. O leitor é a última etapa do processo criativo de um qualquer poema, aquela etapa em que o leitor dialoga com o próprio autor.

RN:Esta coleção de poemas foi escrita em que período de tempo?

JD:Esta coletânea de poemas iniciou-se em 1973. Embora muitos amigos insistissem para publicar os poemas eu não descobria em mim a coragem para enfrentar uma hipotética ou real reação autoritária da polícia politica. Fui deixando na gaveta os poemas que me prendiam o desejo de os publicar.

O tempo, as atitudes politicas perante a divulgação do pensamento, a liberdade assumida pelo Povo e a sua expressão mais consciente foram criando o caminho da esperança, mas os políticos e os homens do poder que falavam em nome do Povo depressa misturaram as ideologias com os seus próprios interesses. E assim nasceu em mim a coragem de abordar a temática da verdade e da honra e reescrever “Fosse a verdade praça do povo”.

RN:Qual é critério do alinhamento dos poemas no Livro?

JD:Os poemas estão ordenados em função de um crescente emocional. Mas o livro termina com três poemas, dois de ternura sobre a minha infância e um de humor, para que o leitor sinta que existe sempre um rasgo de esperança mesmo no centro do desespero.

RN:Como é que descreve a sua poesia, nomeadamente neste novo livro?

JD:A minha poesia não obedece a regras rígidas ou universais. Eu escrevo a musicalidade da palavra, eu pretendo que os sons estejam em sintonia com o sentido do conteúdo e que a mensagem seja interiorizada como quem nos segreda na alma. A rima para mim não é nem tem de ser a charneira do poema.

RN:Vai apresentar o livro na Nazaré?

JD:Irei com muito gosto. Se me for possível. Foi na Nazaré, na Taverna do Sr. Júlio que apresentei o meu “Território Íntimo”, livro hoje esgotado. Foi um momento de que nunca me esquecerei.

RN:Viveu em Paris. Estar longe de Portugal e da Nazaré influenciou de forma decisiva a sua escrita?

JD:Todos nós, os que se preocupam em viver e assumir o momento que passa, serão influenciados por esse próprio momento. Viver é apreender e transformar o olhar em substância do ser.

Em Paris, em África, em St John’s do Canadá onde cheguei por ação da Escola de Pesca de Lisboa, aos bancos da Terra Nova a bordo do navio bacalhoeiro o “Lousado”, no Brasil ou em muitos lugares da Europa, em muitos lugares do meu País sempre contribui e sempre fui influenciado pelas vivências, pela cultura, pelo saber ouvir e por respeitar as pessoas, os momentos e os lugares por onde vivi.

RN:O mar e a Nazaré são uma fonte inspiradora da musicalidade, do sentimento e da coragem da sua poesia, como referiu o professor e seu amigo Gabriel Brustoloni?

JD:O meu Amigo Gabriel Brustoloni não dizia palavras em vão. Era um homem de profunda Cultura, gostava de conhecer e de se relacionar com povos muito diferentes, era um excelente conhecedor da literatura mundial e muito em especial da cultura latina. Eu tenho a honra de ele ter sempre admirado a minha poesia e a minha prosa.

RN:Que ligação existe entre escrita e pintura, duas das suas paixões? E como é que uma influencia outra?

JD:Para responder à questão sobre a relação entre a minha poesia e a minha pintura, basta dizer que em muitas situações uso a pintura para expressar imagens poéticas. Foi o meu Amigo René Lúcio, Xilogravador Brasileiro que me incentivou a colocar na tela as imagens da minha poesia. Comecei por pintar algumas aguarelas e mais tarde os meus filhos ofereceram-me todo o material na tentativa de me iniciar na pintura. Fiz uma primeira exposição em 1995. A minha pintura em grande parte representa imagens criadas nos meus poemas e outras que se contêm na linguagem que através dos tempos e das minhas aprendizagens e naturalmente dos meus sonhos, das minhas emoções e dos meus “fantasmas” constituem o conteúdo de base da minha pessoa.

RN:Quais os poetas que mais marcaram a sua vida, clássicos e contemporâneos?

JD:Os poetas que marcaram a minha vida, foram muitos. O meu primeiro livro de poesia, o marco da minha sensibilidade foi Campo de Flores de João de Deus que me foi oferecido pelo meu professor primário, Carlos Lineu soares Miranda. Este livro é ainda hoje uma reliquia do lirismo. João de Deus influenciou-me pela simplicidade com que o lia e o compreendia. Depois cheguei a muitos outros grandes poetas: Camões lírico, Camões épico, Camões dramaturgo; Almeida Garrett., Guerra junqueiro, Teixeira de Pascoaes que ainda hoje é profundamente atual; Carlos Queirós; Natália Correia e muitos outros. Lembro-me sempre com muito carinho de Natércia Freire, foi ela que publicou os meus primeiros poemas no Diário de Notícias. Conheci Sophia de Mello Breyner Andersen que ao ler o meu Maré distante referiu que a minha poesia sobre o mar era de qualidade. Convivi, li e escrevi na companhia de Ruy Cinatti, um poeta maior talvez pouco conhecido do grande publico português; Fernando Pessoa o poeta incontornável da literatura mundial e muitos outros poetas que pode até parecer ofensa em não referir. Não posso deixar de referir Jorge Luís Borges, Drummond de Andrade, Konstandinos Kavafis grego de Alexandria que possui uma expressão poética de grande cultura e de invulgar requinte. E outros tantos outros que fazem parte do acervo cultural mundial.

Mas hoje, à minha cabeceira tenho alguns livros muito especiais:O Papalagui, chefe de tribo de Tiavéa nos mares do sul. É um livro para ler e reler e incorporar a simplicidade com que se olha para as circunstâncias difíceis. Refiro também “As palavras simples” de Gisela Ramos Rosa. São poemas/pensamentos que em poucas palavras nos deixam a pensar e a recriar a beleza nelas intuída. E finalmente de entre muitas e muitos outros poetas é forçoso não esquecer Isabel Mendes Ferreira concretamente o seu livro “As lágrimas estão todas na garganta do mar”, onde se encontra uma galeria de poesia que navega numa linguagem culta e penetrante mares de esperança.

RN:Que conselhos daria a quem começa a escrever?

JD:Eu não sou homem de dar conselhos, gosto de ajudar as pessoas a se descobrirem, a encontrarem as suas valências, as suas respostas a si mesmos no fundo a tomarem consciência das suas capacidades. Mas num abrir o que a todos nos envolve eu digo que..

Escrever é crescer ao ritmo do andar

É descobrir o sentir

É navegar por cima da espuma

É abrir a palavra aos sentidos

É não se conformar com a rima fácil, vazia, oca

É descobrir a música da palavra

É abrir-se à beleza e ao que nela se esconde

É mergulhar na cultura e encontrar o sentido das coisas.

RN:Que livro leu ultimamente que mais o tenha impressionado?

JD: O último livro que mais me impressionou foi O FIM DO HOMEM SOVIÉTICO de Svetlana Aleksievitch. Um livro que de forma magistral com um misto de romance e jornalismo narra a tragédia da perda da própria identidade. è um livro para ser lido e pensado e também atual nestes tempos de horrendas tragédias da humanidade.

RN: Onde podemos encontrar à venda os seus livros?

JD: Hoje só se encontra à venda o meu “Em solidão cresce este mar azul” editado pela TERRAMAR- Editores, Distribuidores e Livreiros, Lda.

Na Nazaré está na livraria do Abílio na rua de Sub-Vila.

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