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Comércio na expetativa com o relançamento termal

Francisco Gomes

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“Estamos ansiosos. O Hospital Termal era o pulmão desta cidade. Com ele fechado esta zona está morta. Dantes para almoçarem aqui tinham de ficar à espera. Agora está às moscas. Esperamos que seja relançado mas é difícil, porque tem de haver estabilidade no funcionamento”, comentou Júlio Almeida, proprietário do restaurante Tijuca, junto às termas caldenses.

Lurdes Luz, gerente da pastelaria Baía, também aguarda com expectativa a reabertura dos tratamentos termais nas Caldas da Rainha. “Para ver se vem mais movimento, porque o comércio está parado. Dantes via-se pessoas a andar para baixo e para cima, toda a gente fazia negócio, agora não. É possível o relançamento mas vai levar muito tempo, porque as pessoas foram para outras termas”, referiu.

Fechadas aos tratamentos com as águas terapêuticas há três anos devido a uma bactéria nas canalizações, as Termas das Caldas da Rainha poderão reabrir em 2017, depois da autarquia local ter recebido do Estado a gestão do hospital termal por setenta anos, comprometendo-se a investir dois milhões e meio de euros na sua recuperação.

“Estamos perante um marco histórico”, considerou o presidente da Câmara das Caldas da Rainha. Tinta Ferreira afirma que o desinvestimento continuado do Estado no hospital termal, fundado pela rainha D. Leonor e em volta do qual a cidade se desenvolveu, “não deixou outras alternativas”, admitindo que a solução “vai ser onerosa para o município”. Mas acredita num “futuro risonho, como no passado, onde chegámos a ter 12 mil aquistas a fazer tratamentos nas termas”.

“A administração central deixou degradar este património que esteve na origem da fundação da cidade. Não estava a funcionar com tratamentos termais e ao município não restou outra alternativa senão assumir a gestão deste património. Foi isso que fizemos, apesar de sabermos que temos uma tarefa difícil pela frente e um conjunto de encargos muito significativo, mas estamos convictos de que conseguiremos encontrar as parcerias necessárias para ultrapassar esses encargos e incrementar a vida que existe nas Caldas com as termas a funcionar em pleno, porque o Hospital Termal não tem só importância para a cura das pessoas, tem muita importância para a atividade económica da região, e vamos criar condições para mais movimento de pessoas”, sublinhou.

Tinta Ferreira anunciou que a primeira ação será a reparação das aduções e canalizações, que permitirá “retomar os tratamentos termais em 2017”. Para isso foi aberto o concurso público, no valor de 660 mil euros.

Está a ser concluído o programa preliminar para o projeto das obras de requalificação do edifício do hospital termal. A Câmara está também a desenvolver contatos com instituições sem fins lucrativos para a gestão das termas.

O Estado só vai começar a receber rendas pela ocupação das termas dentro de 25 anos. O valor é crescente e varia entre 120 mil e 200 mil euros anuais, ascendendo, no total, a cerca de oito milhões de euros. A repartição de lucros, deduzidas as rendas, será de 25% . No caso de cedência do imóvel a terceiros, o Estado irá cobrar 25% sobre o valor dessa subconcessão.

Quanto aos direitos de exploração da água mineral, a autarquia pagará 70% da quantidade de água extraída anualmente, a vinte cêntimos o metro cúbico.

Património degradado

O espaço verde em redor das termas foi concessionado por cinquenta anos à autarquia, que prevê gastar 9,7 milhões de euros na sua requalificação.

É intenção do município encontrar investidores privados interessados em instalar um spa, residências seniores ou um hotel em pavilhões do século XIX e num antigo casino, junto às termas.

A autarquia tenciona recorrer a fundos comunitários para realizar obras que evitem a ruína dos pavilhões. No interior o cenário é de degradação acentuada, com lixo acumulado, arquivos e equipamentos hospitalares amontoados, portas arrombadas e vidros partidos, infiltrações de água nas paredes e zonas interditas por falta de segurança.

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