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Pera rocha bate recordes de exportação mas está mais barata com embargo russo

Paulo Alexandre

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Das 201 mil toneladas colhidas em agosto de 2014 e escoadas até agosto de 2015, 102 mil foram vendidas no mercado externo, ultrapassando as 100 mil toneladas exportadas na campanha de 2013/2014, de acordo com dados da Associação Nacional de Produtores de Pera Rocha. (ANP).

Apesar dos receios dos efeitos do embargo da Rússia, um dos principais consumidores de pera rocha, para onde foram exportadas 6.500 toneladas em 2013/2014, cerca de 6,5% das exportações, o setor conseguiu escoar a pera para outros mercados”, explicou Aristides Sécio, presidente da ANP, à agência Lusa.

A pera rocha era o produto português mais vendido em quantidade na Rússia.

O setor da pera rocha não só exportou mais fruta para mercados já seus consumidores, como alargou o leque dos países emergentes que começam a provar a pera rocha do Oeste, entre os quais a Arábia Saudita, China, Singapura, Sri Lanka, Nigéria, Gana, Emirados Árabes Unidos e o Uruguai.

Contudo, o efeito mais negativo da proibição da Rússia à entrada de produtos europeus foi o aumento da fruta nos mercados europeus, os principais absorvedores dessa oferta. “Como se aumentou a oferta, os preços caíram”, frisou.

Segundo o dirigente, a desvalorização do Real, no Brasil, o país que mais consome aquela fruta, contribui também para a desvalorização do preço.

“Não foi uma boa campanha, porque, por um lado o efeito do embargo russo fez com que os mercados da Europa sobretudo ficassem inundados de fruta e por outro lado assistimos ao esmagamento dos preços. É um ano de má memória para os fruticultores”, rematou Aristides Sécio.

Na colheita, que decorreu durante o mês de agosto, o setor conseguiu uma produção de 133 mil toneladas, abaixo de 2014, com 202 toneladas colhidas. Contudo, as peras são maiores e avizinham-se preços mais altos.

“Por razões climáticas e sanitárias, a produção teve uma quebra de 32% . Houve uma quebra de vigamentos que, por si só, é responsável por uma quebra de 10 a 15% da produção. Depois tivemos o problema de um fungo junto à colheira, que afetou entre 25 a 30% “, justificou o dirigente.

Com o setor a viver das poupanças para evitar despedimentos, a ANP estima que os problemas se possam agravar, a manter-se o embargo russo.

“Com menos produção, mesmo que se consiga um melhor preço de venda e com o efeito do embargo russo, naturalmente no horizonte se perspetiva um cenário pouco animador”, adianta o presidente da associação.

Em 2014/2015, a pera rocha rendeu ao país cerca de 120 milhões de euros, dos quais 90 milhões obtidos na exportação.

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