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Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores quer salvar porco malhado de Alcobaça

Paulo Alexandre

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A Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS) reuniu com os criadores da raça de suínos “Malhado de Alcobaça”, na sede da Associação de Agricultores da Região de Alcobaça, no passado mês de Março. O objetivo principal deste encontro foi apresentar aos produtores o Livro Genealógico do Malhado de Alcobaça (LGMA), gerido pela FPAS, onde nele deverão ser registados todos os animais desta raça, de forma a serem reconhecidos e os seus detentores serem elegíveis a apoios comunitários que visam conservar e manter esta raça.

O Malhado de Alcobaça é uma raça autóctone cujo Registo Zootécnico data do ano de 2003. Daí até aos dias de hoje, a raça chegou a ter um efetivo contabilizado superior a 200 reprodutoras, detidas por apenas um produtor. Atualmente, a população ronda as 90 reprodutoras, estando por isso seriamente ameaçada de extinção. Por isso, e enquadrada na estratégia de dinamização e potenciação deste tão importante património genético nacional, a FPAS tomou a iniciativa de juntar os produtores interessados em dar ao Malhado de Alcobaça uma “segunda vida”.

A reunião iniciou-se com uma intervenção do presidente da FPAS, Vítor Menino, que sublinhou a importância de uma estratégia agregadora entre produtores, organizações, autarquias e instituições de I&D à volta deste projeto de recuperação de uma raça e incentivo de um modo de produção que pode trazer aos produtores boa rentabilidade económica, para além do desenvolvimento rural que a disseminação da raça providenciará.

Para o efeito, o diretor federativo referiu a estratégia desenvolvida ao longo dos últimos anos pelos responsáveis do porco Bísaro como um exemplo a seguir. Refira-se que em apenas quatro anos, esta raça passou de uma população de 2000 reprodutoras em 2009 para praticamente duplicar para as 3800 reprodutoras registadas em 2013, sendo uma raça altamente valorizada, rendendo ao produtor cerca de 3,20€/kg de peso vivo, num animal adulto.

É por isso fundamental que o Malhado de Alcobaça siga um caminho semelhante, quer ao nível da organização da produção, quer num futuro próximo ao nível da estratégia comercial a adotar, tendo em conta a qualidade da carne destes animais ideal para a produção de leitões para assar. Vítor Menino deixou claro que o papel que a FPAS assumia neste processo era de entidade propulsora desta tarefa inicial, mas que o caminho, depois de iniciado, teria de ser percorrido pelos produtores.

Seguidamente, usou da palavra o presidente do LGMA e também diretor da FPAS, Gonçalo Pimpão que explicou os objetivos gerais do Livro, Assegurar a pureza étnica da raça Malhado de Alcobaça,contribuir para o melhoramento genético e difundir reprodutores qualificados. Ficou ainda evidente que o envolvimento da FPAS não se cinge à regulação. O médico veterinário apresentou o projeto que a Federação em parceria com o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária está já a desenvolver de constituição de um núcleo de reserva de 50 reprodutoras alocadas nas instalações da Estação Zootécnica Nacional, onde se desenvolverá um programa de melhoramento genético e redução da consanguinidade existente nesta espécie, através de exames de ADN, relatórios de caracterização genética e planos de Inseminação Artificial. Nesse sentido, a FPAS celebrou ainda parceria com o Centro de Inseminação Artificial AIM CIALA, que receberá dois barrascos para recolha de sémen.

A terceira intervenção foi do secretário técnico da raça, António Vicente que é o responsável por visitar as explorações e pontuar os animais, de forma a certificar que efetivamente são animais Malhado de Alcobaça.

A sua apresentação abordou o historial da raça e os trabalhos já feitos no sentido de melhor conhecer o ponto de situação da mesma. Há efetivamente um problema grave de consanguinidade nos animais analisados que importa ser assumido como prioridade de resolução, que só será alcançada disseminando cada vez mais a raça e promovendo a variabilidade genética, daí a importância de se estabelecer um grupo inicial de produtores que deve ser futura e gradualmente alargado.

Finalmente, o secretário-geral adjunto da FPAS, João Bastos apresentou aos produtores os incentivos a que estes se podem candidatar, inseridos no Quadro Comunitário de Apoio 2014-2020, nomeadamente no seu segundo pilar, no Plano de Desenvolvimento Rural 2020.

O PDR 2020 não só prevê apoios para a produção de raças autóctones, como majora as raças com maior perigo de extinção. Naturalmente, o Malhado de Alcobaça está classificado com o maior grau de ameaça (Grau A), significando isso que o produtor candidata-se a um apoio de 100€ por reprodutora e 60€ para qualquer outro suíno com mais de 3 meses. Para que o produtor se possa candidatar a este apoio, basta estar inscrito no LGMA.

Neste encontro a Câmara Municipal de Alcobaça também se fez representar evidenciando, mais uma vez, a importância que este projeto representa para a região e o envolvimento e estímulo que todos os agentes demonstram, o que só pode ser sinónimo que o sucesso será alcançado e que o Malhado de Alcobaça será em breve uma marca pujante, um produto apetecível e uma indústria estabelecida.

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