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60 mil ovos de gaivota são destruídos por ano nas Berlengas

Franciso Gomes

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O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) revelou que todos os anos é feito um controlo de ovos de gaivota nas Berlengas, sendo destruídos cerca de 60 mil ovos anualmente.

Segundo o LIFE Berlengas, coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), “já se começa a notar um decréscimo na população de gaivotas na ilha, o que não significa que elas não possam estar a nidificar noutros locais”.

O LIFE Berlengas, que conta com o ICNF, a Câmara Municipal de Peniche, a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e a Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar como parceiros, “irá ajudar a tirar dúvidas nesse sentido, uma vez que está previsto monitorizar gaivotas, ou seja, serão colocados pequenos aparelhos nas aves, que irão permitir saber para onde estas se deslocam e onde se alimentam”.

Em relação à visitação à ilha, em face dos resultados apresentados, foi manifestada “alguma inquietação com a crescente procura das Berlengas e a sua capacidade de carga, que poderá por em causa a qualidade da experiência recreativa e os valores naturais”.

O projeto espera contribuir para uma melhor gestão da visitação. António José Correia, presidente da Câmara Municipal de Peniche, informou da intenção de concretizar, antes da época de verão, a instalação do centro de visitantes das Berlengas.

Com arranque a 1 de junho de 2014 e duração de quatro anos e meio, o LIFE Berlengas pretende monitorizar a fauna e a flora do arquipélago das Berlengas, controlar espécies exóticas invasoras e implementar uma estratégia de gestão sustentável dos valores naturais do arquipélago. O projeto será implementado até 30 de setembro de 2018 e teve um investimento total orçamentado em cerca de 1,4 milhões de euros, com o apoio do Programa LIFE+ da União Europeia.

O LIFE Berlengas foi apresentado no dia 7 de fevereiro no Edifício Cultural em Peniche, dando a conhecer à população local e a todos os interessados as ações que estão a ser implementadas nas Berlengas com o objetivo de recuperar e conservar os seus valores naturais.

Após a apresentação do projeto e dos resultados preliminares sobre a visitação, foi aberto o debate a todos os presentes, havendo várias intervenções, sobretudo de cidadãos com uma forte ligação às Berlengas. As consequências da remoção do chorão e o controlo da população de gaivotas-de-patas-amarelas, foram os temas que mais dúvidas suscitaram por parte dos participantes.

Os intervenientes responderam a estas e outras questões, esclarecendo, nomeadamente, que o chorão foi introduzido no passado por se pensar que ajudava a evitar a erosão do solo, sendo o objetivo inicial apenas mantê-lo numa área circunscrita da ilha. Atualmente sabe-se que o chorão não evita a perda de solo e que contribui para o fraturamento do granito na Berlenga.

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