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Nazareno João Delgado esteve no Parlamento Europeu para falar de Pesca nas regiões ultraperiféricas – Aspetos Sociais e propostas de Futuro

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João Delgado, responsável pela delegação da Nazaré, da Mútua dos Pescadores, foi ao Parlamento Europeu falar de pesca, da ”brutalidade e a injustiça a que a generalidade dos profissionais deste sector está destinada a viver, num país como Portugal”.

“Um país que, ao longo dos últimos trinta anos, tem aceitado ocultar e negligenciar as suas potencialidades, particularidades e características, condenando o seu povo e hipotecando o seu próprio futuro enquanto nação que se quer soberana e próspera”, disse.

De acordo com a declaração que leu aos eurodeputados, João Delgado disse ainda que “as pescas nacionais vivem, por estes dias, uma das maiores crises de que há memória”, acrescentando que “os profissionais deste setor estão no olho de um furacão interminável que os remete para níveis de marginalidade e para situações deveras preocupantes”.

Referindo-se a situações de grande fragilidade e complexidade do ponto de vista social e humano, com muitas famílias a viver abaixo do limiar da pobreza, João Delgado abordou, ainda, os “problemas crónicos, tais como os preços de primeira venda em lota, a subida constante dos custos dos fatores de produção, a falta de incentivos à entrada e criação de condições para a permanência de jovens no setor, as paragens biológicas ou pseudobiológicas (como a última paragem do subsetor da sardinha), sem as justas compensações aos profissionais, os rendimentos residuais, as barras constantemente assoreadas e estruturas portuárias em avançado estado de degradação, a infindável e dispendiosa parafernália burocrática, juntam-se agora as condições meteorológicas extremas que deixam em terra, por largos períodos de tempo, milhares de pescadores sem terem possibilidade de aceder a quaisquer rendimentos que possam fazer face às suas necessidades imediatas”.

Apesar do mar de dificuldades, o setor pesqueiro português ainda é responsável por cerca de 2,4% do PIB nacional, correspondendo a cerca de 8 mil milhões de euros e estima-se que possa dar emprego a 100 mil pessoas direta e indiretamente, o que significa 2,3% da população ativa em Portugal, fazendo do país “um dos maiores exportadores europeus de Pescado”.

O dirigente manifestou a sua preocupação com o facto da riqueza gerada pelo setor ir direta à comercialização, bem como à “incapacidade do consumo e procura interna dos produtos do mar pela escassez de poder de compra que, por sua vez, reflete o desemprego generalizado no país, ainda que na primeira venda em lota, muitas espécies sejam transacionadas a valores irrisórios”.

A maioria das famílias em Portugal não consegue aceder ao pescado que se encontra à venda nas bancas das grandes cadeias de supermercados, onde se encontram inflacionados, em muitos casos na ordem dos 1000 a 2000% .

Sobre o futuro, de um setor que pode gerar ainda mais riqueza, “é necessário que se assegurem rendimentos coincidentes com os níveis de risco e de esforço dos profissionais da pesca e, para tal, é fundamental a regulamentação dos preços do pescado na primeira venda em lota”, disse João Delgado.

“Com rendimentos praticamente inexistentes, e com um setor que passou a absorver os profissionais doutros setores de produção em franco declínio, como a construção civil, a pesca deixa de ser encarada como uma carreira profissional, mas sim como uma remediação, a prazo, onde ninguém se fixa”, alertou, ainda.

Para João Delgado é sobre os ombros dos sucessivos governos nacionais, e na forma submissa com que subscreveram as políticas emanadas pela União Europeia, recai inteiramente a responsabilidade sobre o cenário a que atualmente assistimos no setor. Neste setor em particular, de 1990 até 2012, Portugal perdeu 18.144 dos seus pescadores”.

Apelar a uma política de pesca que vá ao encontro das reais necessidades e características das comunidades piscatórias, capacidade e condições de frota, assim como, ter em conta as especificidades da nossa costa¸ e o apoio à entrada de jovens no setor para estancar o envelhecimento generalizado foram alguns dos pedidos deixados pelo dirigente no Parlamento Europeu.

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