Presidente apelidado de “mentiroso”

PSP chamada à reunião de Câmara da Nazaré para identificar munícipe

Francisco Gomes

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A PSP foi chamada à reunião de Câmara na Nazaré do passado dia 7 para identificar um elemento do público que fazia uma intervenção que deixou o presidente da autarquia indignado, ao ponto de solicitar às autoridades policiais para que comparecessem nos Paços do Concelho.

O ponto da discórdia aconteceu no período destinado à intervenção do público. José Hilário, de 72 anos, um habitual frequentador e participante ativo nas sessões, chamou a atenção do presidente da Câmara para um assunto que já havia falado anteriormente e que dizia respeito à retirada de lixo num prédio situado na Rua Gil Vicente/Praça Manuel Arriaga e que, segundo o munícipe, o autarca teria comentado que “não tinha máquinas para resolver o problema”.

Contudo, acabaria por ser “aprovado por unanimidade notificar o dono do prédio para efetuar a limpeza do mesmo no prazo de 30 dias e 60 para as obras de segurança para não colocar em risco outros imóveis”, recorda José Hilário.

Na Assembleia Municipal, onde o caso chegaria, “passados 90 dias, o presidente da Câmara respondeu a um deputado da CDU que o prazo não tinha acabado, quando já tinha caducado há 36 dias”, sustenta o munícipe, que alega que o executivo socialista não tem interesse em pressionar o proprietário a agir, pois este é também dono de um hotel “onde o PS faz sessões sem pagar nada”.

Na última reunião de Câmara estalou o verniz na altura em que José Hilário fez a pergunta: “Porque é que o senhor (presidente da Câmara) mentiu?”.

O edil, Walter Chicharro, levantou-se e mandou chamar a PSP. “Não houve exaltação nenhuma. Continuei a intervir e ficou tudo espantado com a chegada da polícia. Eu, na brincadeira, estendi a mãos e pedi para não me apertarem muito as algemas que sofro do coração”, relata José Hilário, que é militante do PS, o mesmo partido do presidente da autarquia.

Os agentes identificaram José Hilário e foram-se embora. O munícipe ficou na reunião e relata que no final, “na leitura da ata, o presidente da Câmara estava a exigir que fosse escrito que eu o tinha ofendido com palavras injuriosas e os vereadores da oposição rejeitaram”, considerando a atitude do edil “uma forma de me intimidar”.

Contatado pelo REGIÃO DA NAZARÉ, Walter Chicharro explica que “o que me levou a chamar a PSP foi o acumular de situações em reuniões de Câmara, em que fui acusado de mentir, chegando ao meu limite de paciência. O meu bom nome tem de ser respeitado. Não estou para ser chamado de mentiroso em plena reunião de câmara”.

“Os munícipes do concelho da Nazaré têm toda a liberdade para apresentarem as questões que entendam por convenientes, com educação, elevação e com respeito. Com este munícipe não é o caso, porque constantemente sou apelidado de mentiroso e ao final de muitas reuniões de câmara achei que era altura de impor um limite”, afirma.

Walter Chicharro diz que José Hilário “insinuou que haveria contrapartidas por detrás desta atitude para com o proprietário, quando o que está em cima da mesa é um prazo administrativo que deve ser respeitado, e que termina no período de 15 de julho a 15 de setembro, quando o regulamento municipal não permite realizar obras no centro histórico, sejam públicas ou privadas, durante esse tempo. Era meu desejo resolver antes do verão, mas os prazos administrativos não o permitiram”.

“A câmara tem um orçamento e vai avançar no final de 15 de setembro. Lançar-se-á o concurso público e far-se-á a obra, se o proprietário não remover o entulho por sua própria ação, e a Camara irá assacar-lhe as despesas, como a lei define”, garante o autarca, que chama ainda a atenção que “este é um processo que vem do verão passado, sem que o anterior executivo o resolvesse. E para além disso, segundo os serviços técnicos, não há documentos que suportem a intervenção feita no ano passado”.

Sobre o seguimento que a intervenção da PSP irá ter, Walter Chicharro revela que está “a ponderar tomar as medidas apropriadas devido a um constante desrespeito e insinuações contra a minha pessoa, que num mundo civilizado não podem ser ditas de forma tão leviana e simples”.

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