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Peixeiras exigem deslocalização da venda para entrada do Mercado Municipal

JL

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A abertura de uma loja da empresa “Nazaré Peixe” no Mercado Municipal continua a ser o alvo das críticas das vendedoras de peixe fresco, que ali exercem a sua atividade, há vários anos. “A instalação do empresário no mercado vai-nos destruir o negócio”, queixa-se Encarnação de Jesus, acrescentando que a loja “vende o peixe mais barato, a preço de custo”, valores contra os quais elas não podem competir.

“Vai-nos destruir a vida”, alerta a peixeira, que fala de sucessivas quebras de rendimento, em parte devido à quebra do poder de compra dos consumidores, e de mais este caso, que não ajuda à venda.

“Hoje, [sábado] fiz 25 euros na venda. Comprei 400 euros de peixe. O que faço com o que sobrou?”, pergunta a peixeira.

Sobre o plano de intenção da Câmara para a requalificação do mercado municipal, as peixeiras referem pouco saber.

“Tudo o que aí está, não nos foi dito. Vieram cá, da Câmara, duas funcionárias, e segundo se constou, para tirarem lixo e colocar publicidade”, continua Encarnação de Jesus, referindo que foram deixados, na fiscalização do Mercado, papéis que deveriam ser assinados pelas vendedoras.

“Uma arquiteta da Câmara veio ter comigo e falou-me nos papéis, mas eu disse nem agarrá-los, quanto mais assiná-los”, remata.

Com marido doente oncológico, contas por regularizar a algumas entidades, preocupada com o futuro e indignada com a instalação do comerciante de peixe à entrada do Mercado, Encarnação de Jesus questiona-se sobre o que irá “fazer para viver”.

“O grossista renovou o espaço do mercado que passou a ocupar, abrindo uma porta e montra para o exterior”, dizem as peixeiras, que falam em oportunidades diferentes de negócio.

Rosária Silva, também vendedora de peixe no Mercado Municipal, defende, como solução, a deslocalização da venda do peixe para a principal entrada do Mercado Municipal, num espaço próximo à loja do empresário contestado, para que se possa fazer concorrência direta.

“Queria que o senhor presidente arranjasse uma parte no mercado, à entrada, como nos prometeu, que colocasse novas bancas, e nos coloque lá em baixo, para haver concorrência direta, de modo a que os clientes, ao entrarem, possam ter as duas ofertas em simultâneo”, explica Rosário Silva.

Com 60 anos, filhos desempregados, e o marido sem trabalho, também Rosário Silva questiona “Como vou fazer? O senhor presidente irá dividir o ordenado comigo?“.

As duas peixeiras, que dizem manifestar a preocupação de todas as que vendem no Mercado Municipal, acusam o Presidente da Câmara de faltar à verdade sobre todo este processo da venda do peixe no Mercado, nomeadamente sobre a loja ali instalada.

“Trata-se de um espaço comercial de um grossita, que tem um armazém no Porto de Pesca, lojas na Nazaré e em Peniche, e que vende peixe fresco aqui e para fora do país], e faz grandes promoções”. Como é que podemos sobreviver assim?”, Diz, indignada, Rosário Silva, que acusa, o Presidente da Câmara de ter “estragado a vida toda das vendedoras de peixe no mercado”.

Quanto às intenções da Câmara para melhoramentos no mercado e a substituição das atuais bancas do peixe para novas em inox, assim como a criação de zonas para a preparação do peixe, que terão sido sugeridas às peixeiras que ali vendem, referem pouco saber, lembrando, em alternativa, as promessas que receberam em alturas de campanha eleitoral para as Autárquicas.

“O presidente veio ao Mercado na altura da campanha, ofereceu flores, e prometeu ajudar-nos, colocando-nos lá em baixo, à entrada, e ainda que iria arranjar o mercado para que tivesse outras condições para vendedores e consumidores”, referem.

“Nunca nenhum presidente nos fez isto”, garantem, adiantando que a empresa “Nazaré Peixe tentou, com o anterior presidente, instalar aqui uma loja, ele nunca consentiu, porque nos ia destruir”.

Para Encarnação de Jesus “o atual presidente estendeu a passadeira vermelha ao empresário e deixou-nos aqui com o lixo”.

A autarquia tenciona requalificar o Mercado, numa intervenção que irá “respeitar as funções para a qual o espaço foi destinado”, lê-se no documento, disponível na página da Câmara Municipal da Nazaré.

O plano de intervenção estabelece as regras de intervenção no equipamento, destacando o tratamento dos espaços interiores, que compreende a zona de venda de peixe; zona de venda de produtos variados e Lojas individualizadas, e tem como objetivo “relançar o equipamento existente”, através de uma ação de infraestruturação e modernização dos equipamentos.

A contenção da degradação na zona de venda de peixe, com o arranjo das câmaras frigoríficas; requalificação do espaço físico; colocação de eletrocaçador de insetos; colocação de painéis com publicidade do espaço [com a função de eliminar a iluminação direta sobre os produtos expostos] e colocação de cortina de tiras no portão de acesso direto a esta área, é uma das medidas que irá avançar, brevemente, no âmbito deste plano de intervenção.

Presidente da Câmara, Walter Chicharro comenta o assunto

“Instalação da Peixeira faz parte dos planos de reabilitação do Mercado Municipal”

Instado a comentar o assunto e a reagir às afirmações das vendedoras de Peixe, Walter Chicharro assegura que a instalação da peixaria no Mercado faz parte do plano de reabilitação do Mercado, cujo principal objetivo é dar maior qualidade ao espaço, aos que lá trabalham e aos que a ele se dirigem, para fazer compras.

“Este executivo camarário considera os espaços comerciais municipais como uma oportunidade de gerar mais-valias económicas para a comunidade local, potenciando os produtos regionais, das mais variadas tipologias, e com isso gerar atratividade na população local e, acima de tudo, transformar esses espaços em atrações turísticas, quer pelas suas características urbanísticas, quer pelos produtos que poderão vir aí a ser comercializados.

Para cumprir este objetivo sabemos que será primordial gerar um projeto de requalificação do Mercado Municipal da Nazaré. Essa é uma certeza da qual não abdicaremos. Lamentamos que depois do total abandono a que estes espaços foram dotados, durante as últimas décadas, e relembramos que este estado se aplica também aos mercados de Valados dos Frades e Famalicão, sejam esses mesmos que dotaram ao esquecimento os agora citados como os beneméritos desses espaços. A vida tem algumas ironias que, por vezes, redundam em inconsistências, mas lamentamos que se cite como benfeitores quem nada fez para gerar riqueza nos mercados municipais do concelho da Nazaré.

As atuais reivindicações são geradas, exclusivamente, por um grupo de vendedores de peixe que consideram ilegítimo a inclusão de uma peixaria numa das lojas que foi concessionada em concurso público.

Ainda que respeitando as reivindicações, o que podem ter a certeza é que este processo faz parte do plano de reabilitação e requalificação do Mercado Municipal da Nazaré. Aguardaremos, apenas que quando as condições estiverem todas geradas, no sentido de proporcionar melhores condições de trabalho, de higiene e segurança, a energia de parabenização seja a mesma que tem sido utilizada para criticar as atuais ações. Quando o Posto de Turismo for alocado ao espaço do Mercado Municipal da Nazaré; quando a cobertura for substituída; quando os equipamentos facultados aos vendedores forem adequados à normal atividade comercial; e quando o espaço espelhar uma dinâmica social e cultural atrativa aí estaremos apenas a executar o que nos cumprimos concretizar, não precisaremos de loas porque sabemos que o trabalho que desenvolvimento é para benefício de todos, e acreditamos piamente que as recentes ações virão trazer muitos mais benefícios do que prejuízos. No que concerne a questões concorrências, obviamente, não compete ao município gerar qualquer ação restritiva ou discriminatória, para além da geração de mais postos de trabalho e mais-valias financeiras para quem desenvolve a sua atividade nos espaços municipais”.

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