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Conferência do JORNAL DAS CALDAS e Livraria Bertrand “Da corrupção à crise” com Paulo de Morais

“O único sítio em Portugal onde não se encontram políticos corruptos é na cadeia”

Marlene Sousa

EXCLUSIVO

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Paulo Morais, professor universitário e vice-presidente da associação Transparência Portugal cuja batalha contra a corrupção tem afetado as mais diversas entidades esteve nas Caldas da Rainha no passado sábado. O autor do recente livro intitulado “Da corrupção à crise – Que fazer", apresentou a sua obra na sede da Junta de Nossa Senhora do Pópulo numa iniciativa organizada pelo JORNAL DAS CALDAS e a Loja Bertrand no Vivaci Caldas.

A sala da Junta foi pequena para o evento que cedo lotou o espaço. É a prova da admiração que os caldenses têm pelo autor que foi bastante aplaudido pela sua coragem em denunciar casos de corrupção. Paulo Morais diz que não tem medo e o dia que tiver “abandona o país com vergonha de abandonar esta luta”. “Para o autor a luta contra o medo é a primeira para começar a combater a corrupção”, revelando que o medo, “impede muitos de denunciar o que sabem que está mal por receio de perderem o emprego, a família, a casa ou o carro”.

Segundo o autor do livro a maioria dos políticos não são vigaristas nem corruptos mas são medrosos. “Depois há uma pequena minoria que é os corruptos que são 10% a 15% , que dominam 90% do orçamento. “Eles dividem-se em três grupos: os corruptos (10% a 15% ) que manda na maioria do dinheiro. Depois, há do outro lado da vida pública, um pequeno grupo de resistentes. No meio há uma quantidade imensa de cúmplices que são medrosos, têm medo de perder as poucas migalhas que têm pelo facto de serem políticos. Dá um estatuto social nalguns locais”, apontou, Paulo Morais.

Sempre acutilante, o orador criticou o Estado português acusando-o de ser culpado pela falência. Garantiu que a crise económica em Portugal não se deve ao facto de os portugueses terem vivido acima das suas possibilidades, mas aos fenómenos de corrupção. “O Estado chegou à bancarrota, apenas por sucessivos governos andaram a favorecer amigos, delapidaram o dinheiro dos nossos impostos e transformaram a política numa megacentral de negócios”.

O antigo vereador do Urbanismo da Câmara do Porto, destacou o peso do caso BPN e das Parcerias Público-Privadas (PPP), entre outros, na dívida pública e lembrou que 70% da dívida privada é resultante da especulação imobiliária, salientando que só cerca de 15% da divida privada se pode atribuir aos alegados excessos dos portugueses.

Para Paulo Morais a verdadeira explicação para a crise em Portugal está nos fenómenos de corrupção na administração central e local, que têm permitido a “transferência de recursos públicos para grandes grupos económicos”.“

O autor do livro é da opinião que a justiça deveria ir buscar os bens que os corruptos roubam, basta averiguar devidamente, seguir o rasto do dinheiro e ir buscá-lo onde está. “Se houver vontade política e se a justiça atuar como deve, o Estado ainda pode recuperar três ou quatro mil milhões de euros, através dos ativos do grupo Galilei e das contas bancárias dos principais acionistas e o mesmo com os ex administradores da SLN que estão bem identificados”, revelando que é o que “já se está a fazer na Itália que já recuperaram milhares de milhões de euros e a Alemanha, fez o mesmo e também confiscou fortunas aos corruptos”.

Paulo Morais garantiu, no entanto, que “Portugal tem todas as condições para sair da crise, bastará que seja bem governado, e sobretudo em função do interesse da população e não de “alguns grupos económicos que dominam o país de forma feudal”. “Os governantes de que hoje necessitamos são os que consigam enfrentar o medo, os atuais poderes fáticos que empobrecem o país”, apontou, o autor,

Deve haver censura social à corrupção

O assunto gerou o interesse tanto por parte dos intervenientes como do público presente. Não houve tempo para todas as perguntas ou comentários, uma vez que já era tarde e Paulo Morais ainda tinha que viajar para Lisboa.

Perante a pergunta do moderador, fundador e ex-diretor do JORNAL DAS CALDAS, Jaime Costa, sobre como é que o cidadão comum pode combater a corrupção, o antigo vereador do Porto provocou gargalhadas do público quando disse que “o único sítio em Portugal onde não se encontram políticos corruptos é na cadeia”. Paulo Morais o primeiro contributo que cada um pode dar é no seu dia a dia ser militantemente sério. Um segundo aspeto é segundo o autor do livro “um aumento generalizado da censura social à corrupção”. “Se os corruptos identificados começarem a ser mal recebidas nos locais a coisa muda”, afirmou, Paulo Morais.

Em representação do Município das Caldas esteve presente o vereador Hugo Oliveira que elogiou a obra de Paulo Morais nomeadamente a sua credibilidade. Aproveitou a oportunidade e foi transparente quando disse que “há quem por vezes levante suspeitas por alguns políticos sem provas para denegrir a sua imagem”. O autarca que defende a o combate à corrupção confessou que ele próprio já “sentiu na pele acusações não fundamentadas e recentemente foi provado a sua inocência”.

António Salvador, presidente do Grupo Oeste Capital (propriedade da empresa jornalística Caldas Editora), fez a abertura e encerramento do evento. Segundo o responsável, esta iniciativa está inserida no Ciclo de Conferências do JORNAL DAS CALDAS, no âmbito da sua estratégia de expansão e maior intervenção social e cultural nas Caldas da Rainha e na região Oeste. Agradeceu à Livraria Bertrand pela parceria nesta organização.

O JORNAL DAS CALDAS agradece à Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Pópulo a cedência do espaço para a organização da conferência.

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