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Comemorações do centenário da Fundação Maria e Oliveira

Paulo Alexandre

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A Fundação Maria e Oliveira está a assinalar 100 anos de existência. A festa à data realizou-se no sábado, 4 de maio, na presença de vários convidados, entre os quais a Secretária de Estado para os Assuntos Parlamentares, Maria Teresa da Silva Morais.

“É um dia especial. Trata-se do dia em que a fundação perfaz um século de história. É, pois, dia de homenagear a sua fundadora e os que prosseguiram o seu trabalho”, disse a Secretária de Estado.

Maria Teresa Morais salientou a “enorme importância destas IPSS, no momento de grandes dificuldades económicas e sociais, sendo estas instituições que estão mais próximas da população”.

“A complementaridade da ação social destas IPSS constitui-se num pilar da nossa vida social e comunitária”, disse.

A Secretária de Estado disse, depois, que o Estado “não pode e nem sabe fazer tudo, mas tem o dever de criar as condições para que os mais vulneráveis recebam o apoio necessário ao desenvolvimento integral e saudável e a uma velhice com dignidade. É esta a resposta que esta fundação dá diariamente”.

Maria Teresa Morais destacou, de seguida, “outra categoria de pessoas vulneráveis que não estão abrangidas por esta IPSS e por outras no distrito de Leiria, que são as vítimas de violência doméstica, que em 85% dos casos são mulheres”.

“Alcobaça não tem um centro de atendimento, nem uma casa abrigo para vítimas de violência doméstica”, disse, lembrando, depois, os números deste flagelo, 26 mil participações de violência doméstica no país, das quais 979 foram apresentadas no distrito de leiria.

“É um desafio à Fundação e a outras, aqui presentes, para que ponderem a abertura de uma valência dirigida ao atendimento ou acolhimento de vítimas de violência doméstica, especialmente mulheres e seus filhos”, reconhecendo que “os tempos são difíceis para assumir novos encargos”, mas apelando à solidariedade, pois “há lutas que valem a pena, como esta”.

A habitação é um dos principais obstáculos para o início de uma nova vida por parte das vítimas de violência, depois de saírem das casas de abrigo, lembrou a Secretária de Estado.

“A renda a preços de mercado consome a maioria do seu rendimento disponível, criando carência económica, o que leva com frequência ao regresso ao cenário de violência de que saíram”, afirmou, lançado, de seguida, o desafio à Fundação para “alargar a sua resposta de habitação social (actualmente composta por 19 casas) a mulheres vítimas de violência doméstica em processo de autonomização”.

A Secretária de Estado desafiou, ainda, o presidente da Câmara Municipal de Alcobaça a aderir ao protocolo assinado com a ANMP em que os municípios se comprometem a considerar as vítimas de violência doméstica entre as beneficiárias de habitação social ou de outras que o município detenha.

Por sua vez, Paulo Inácio, presidente da Câmara, enalteceu o casal, Manuel José Sousa Oliveira e Maria do Carmo Eliseu, que deixou a sua fortuna aos mais necessitados, e aos que prosseguiram a sua obra até à atualidade.

O autarca frisou, depois, que “as IPSS têm hoje uma tarefa difícil de executar. Fazer a solidariedade social é, hoje, difícil, mas diariamente muita gente trabalha nesta tarefa de auxiliar o próximo no concelho de Alcobaça”.

“É preciso ambição e realismo para fazer trabalho social”, disse, adiantando que “estes objetivos que têm sido conseguidos por todos que têm passado pela Fundação”.

O autarca falou, de seguida, do papel da autarquia na ação social e auxilio aos mais necessitados, salientado o apoio dado pela Câmara ao novo lar de Pataias, às novas instalações do CEERIA, à ampliação do Centro Cénico da Cela, e ao novo Lar do Centro Paroquial e Santa Casa da Misericórdia de Alfeizerão; assim como da equipa multidisciplinar do projeto Alcobaça Amiga, do fornecimento diário de mais de 300 refeições graciosas a pessoas carenciadas do concelho de Alcobaça, ao abrigo do protocolo com a segurança social.

“Todo este trabalho de ação social foi possível nas piores receitas de sempre, sem que a Câmara tenha agravado a sua situação financeira, chegando a autarquia ao final do mês de maio com dívida zero aos fornecedores”, destacou o autarca.

Maria do Céu Mendes, diretora da segurança social de Leiria, lembrou, por seu turno, que o primeiro protocolo da Fundação Maria e Oliveira com a segurança social foi firmado há 40 anos.

“Tem sido uma cooperação muito profícua que se tem estendido às várias valências da instituição, hoje com 115 crianças na creche e pré escolar, e 164 idosos no lar residencial, centro de dia, centro de convívio, envolvendo uma comparticipação financeira de várias centenas de euros, que é para manter”, disse a responsável pelo centro regional de Leiria da Segurança Social.

João Paulo Costa, diretor da Fundação Maria e Oliveira, destacou o papel dos fundadores, Maria do Carmo Eliseu Oliveira e Manuel José Oliveira, lembrando, depois, que as comemorações irão decorrer ao longo de vários meses deste ano.

A Fundação é uma grande instituição do concelho de alcobaça e do distrito de Leiria, “com diversas secções que fazem movimentar muitas verbas e muitas pessoas”.

Com mais de 100 trabalhadores, a Fundação é, hoje, uma das grandes entidades empregadoras do concelho de Alcobaça, cujas verbas, para funcionamento, provém da comparticipação dos utentes e da Segurança Social.

Apesar do momento não ser de desafogo financeiro, tal como noutras instituições, “a situação da tesouraria da Fundação encontra-se estável”, disse João Paulo Costa.

Sobre o futuro da instituição, João Paulo Costa adiantou que “assim que houver maior poder financeiro, a construção e requalificação de um novo lar”, serão as prioridades da gerência.

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