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Conferência com Camilo Lourenço foi um grande sucesso

“Este ano Portugal vai ter as contas equilibradas mas há muita gente a mamar do Estado”

Marlene Sousa

EXCLUSIVO

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Foi um grande sucesso a terceira Conferência do JORNAL DAS CALDAS, que decorreu no passado dia 11 de janeiro, no Centro Cultural e de Congressos (CCC) das Caldas da Rainha. A afluência de cerca de três centenas de pessoas à sessão, onde se pode conhecer os problemas da economia portuguesa, é a prova da admiração que os caldenses têm pelo jornalista Camilo Lourenço, levando o pequeno auditório a ficar lotado, com pessoas a terem de ficar nas escadas ou em cadeiras suplementares entretanto colocadas no espaço.

Sempre acutilante, o orador criticou o Estado acusando-o de “gastar” o que “tinha e o que não tinha”. “O pouco crescimento que fomos tendo foi por causa do endividamento que temos tido”, disse o jornalista de economia, acrescentando que a sua preocupação como analista “é fazer com que as pessoas perguntem aos políticos: “Tem como pagar? Então, se não tem, não faça”.

Esta iniciativa, realizada ao fim da tarde da passada sexta-feira, contou também com a presença de Fernando Costa, presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, que foi o orador convidado em representação do Município.

Camilo Lourenço procurou dar respostas a muitas dúvidas da população em relação “à bancarrota do país”. “Há por aí muita conversa e muita estupidez em relação à nossa situação atual e para onde estamos a ir”, referiu, adiantando que não tem complexos para “dizer o que tem que ser dito”. Referindo-se ao seu livro “Basta!”, apresentou vários gráficos que mostram “os graves problemas da sociedade portuguesa que podem ser “assacados a todos nós cidadãos”. “Poupámos pouco, queremos o Estado presente em tudo, temos baixa produtividade e um sistema de educação medíocre”, referiu o jornalista.

Falou da presença asfixiante do Estado na economia, da “tragédia da má despesa pública”, do “endividamento descontrolado” e por causa disso da “inevitabilidade das políticas de austeridade”. “Daqui a três ou quatro semanas a Troika vem cá. Espero que os deputados da esquerda e da direita tenham o bom senso e se juntem para ver o que vão fazer, senão a coisa vai correr mal. A Troika vai chegar cá e cortar aqui e ali criando várias injustiças”, manifestou Camilo Lourenço.

O jornalista referiu que a construção civil é o setor que está a contribuir para o maior crescimento do desemprego em Portugal. Segundo este analista, dos mais de 500 mil postos de trabalho perdidos, 33% foram deste setor.

Segundo apontou, “este ano Portugal vai ter as contas equilibradas”. “Eu não conheço outro país que faz isto na Europa em dois anos, nem a Irlanda fez”, disse, o orador, acrescentando que o esforço “é merecedor de um elogio porque está a sair-nos do pelo, com salários mais baixos, impostos mais elevados, com corte de despesa e com menos importações”. No entanto, sublinhou que a reforma do Estado é urgente. “Porque se não a fizermos, quando a Troika sair de Portugal, daqui a quatro ou cinco anos, o país volta a cair nos mesmos excessos que o levaram à bancarrota”, lembrando o público que em “34 anos chamámos o FMI três vezes para nos ajudar”. Camilo Lourenço diz que a sua luta diária como jornalista é tentar convencer o país de que “já chega!”. “Eu não quero a voltar a passar por isto. Dou graças a Deus por nós termos uma Troika”, sublinhou o analista, prometendo que vai fazer tudo ao seu alcance como jornalista para que “aquela política que nos levou a esta situação não volte a ser aplicada”.

Fernando Costa considerou a intervenção de Camilo Lourenço um “pouco exagerada”. “Tenho 40 anos de política e não tenho vergonha de dizê-lo. Só podemos ter piores políticos porque as pessoas estão a afastar-se da política”, afirmou o autarca, revelando que vai deixar a Câmara de cabeça erguida “sem dívidas”. É opinião de Fernando Costa de que o país está na bancarrota também “por culpa do cidadão comum” que “pede obra”. “Há dez anos toda a gente queria um Estádio Municipal de 30 milhões de euros nas Caldas. Leiria tem um e está falido”, recordou o autarca, referindo que “o cidadão tem tendência a esquecer-se de que somos todos nós portugueses que temos que pagar as obras e a sua manutenção”.

Fernando Costa considera que Portugal tem Municípios a mais. “De 308 chegavam 120”, revelou, adiantando que “o Estado antes de cortar nas pensões das pessoas deveria cortar nos ministérios e Câmaras”.

Evento suscitou um debate interessante

O assunto gerou o interesse tanto por parte dos intervenientes como do público presente. Não houve tempo para todas as perguntas ou comentários, porque Camilo Lourenço tinha que regressar um pouco mais cedo a Lisboa para um programa televisivo.

Enquanto representante da AIRO (Associação Industrial da Região Oeste) Sabrina Ribeiro, que foi uma das moderadoras da conferência, partilhou com Camilo Lourenço a sua preocupação com o crescimento económico e a criação de emprego. “O Estado em vez de criar condições para as empresas poderem trabalhar e criar riqueza, cria constantes bloqueios, constantes processos de burocracia, licenças, taxas e impostos”, referiu esta responsável, que já se deparou com “empresários que querem abrir a sua própria empesa, alguns com ideias fantásticas e que desmoralizam com todas as dificuldades que o Estado impõe”.

“É só tirar o Estado da frente”, respondeu o orador a este comentário, acrescentando que o problema “é que há muita gente a mamar do Estado”.

Jaime Costa, diretor do JORNAL DAS CALDAS, também foi moderador desta iniciativa, que no final contou com uma sessão de autógrafos. Foram muitos os que esperaram para ter os seus livros assinados pelo autor.

Esta conferência foi uma organização do JORNAL DAS CALDAS em parceria com a AIRO e ainda com apoio da Caixa de Crédito Agrícola de Caldas da Rainha, Óbidos e Peniche, da Mais Oeste Rádio, que transmitiu o debate em direto, e da Makewise – novas tecnologias, que fez a transmissão vídeo diretamente para os sites dos vários jornais do Grupo Oeste Capital, e do Diário de Leiria, parceiro do JORNAL DAS CALDAS.

António Salvador, presidente do Grupo Oeste Capital (propriedade da empresa jornalística Caldas Editora), fez a abertura e encerramento do evento. Segundo o responsável, esta iniciativa está inserida no Ciclo de Conferências do JORNAL DAS CALDAS, no âmbito da sua estratégia de expansão e maior intervenção social e cultural nas Caldas da Rainha e na região Oeste.

No dia 27 de outubro, o JORNAL DAS CALDAS realizou a primeira conferência deste Ciclo, tendo como orador convidado Reginaldo Almeida, uma figura nacional, coautor e apresentador do programa “Falar Global”, da SIC Notícias.

Feliciano Barreiras Duarte, secretário de Estado-Adjunto do Ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, foi o convidado da 2.ª Conferência que decorreu no dia 1 de dezembro no CCC.

A organização agradece à direção e colaboradores do CCC e ao responsável pelo café concerto “Sons, Tons & Sabores”.

As conferências pode ser vistas em http://www.jornaldascaldas.com/conferencias.

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