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Nazarena lidera investigação na área da Psicologia Positiva

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ENTREVISTA Helena Águeda Marujo, 53 anos, doutorada em Psicologia, é professora no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, tendo leccionado, durante 30 anos, na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. Reconhecida internacionalmente pelo trabalho na área da Psicologia Positiva, de que é pioneira em Portugal, é membro do […]

ENTREVISTA Helena Águeda Marujo, 53 anos, doutorada em Psicologia, é professora no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, tendo leccionado, durante 30 anos, na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. Reconhecida internacionalmente pelo trabalho na área da Psicologia Positiva, de que é pioneira em Portugal, é membro do Board of Directors da International Positive Psychology Association, representante de Portugal na Rede Ibero-Americana de Psicologia Positiva, presidente da Associação Portuguesa de Estudos e Intervenção em Psicologia Positiva e membro fundador da Associação Nacional de Incentivo, Modificação e Estudo da Saúde Emocional. Com um currículo impressionante, no ano lectivo 2011-2012 é professora extra ordinária na North-Western University, Africa do Sul, e na Universidade de Valladolid, Espanha. É co-autora do site de divulgação do Inquérito Apreciativo (www.inqueritoapreciativo.com) e nos últimos anos tem-se, também, dedicado à aplicação da Psicologia Positiva ao contexto empresarial, fazendo palestras, workshops e formações em empresas. Colabora, frequentemente, em programas da comunicação social, tendo sido colaboradora residente semanal, durante três anos, no programa da RTP Sociedade Civil, com uma rubrica de Bem-estar/Notícias Positivas. Em 1998, lançou o primeiro livro de divulgação científica, com os colegas Luís Miguel Neto e Fátima Perloiro, chamado Família e Sucesso Escolar. No ano seguinte, publicam Educar para o Optimismo, já em 20ª edição, e desde então continuam a receber convites para dar formação na área do optimismo, em Portugal e no estrangeiro. Estes foram os argumentos para a entrevista do Região da Nazaré a Helena Águeda Marujo, uma nazarena, que se sente uma cidadã do mundo, mas que escolhe a sua terra natal como refúgio sereno para o descanso em família. O que é, afinal, a felicidade? Como se define este estado? A felicidade é um estado subjetivo, que todos sabemos identificar facilmente – sabemos com clareza quando estamos ou não felizes, o que parece ter aspetos cognitivos (sinto-me satisfeito, no geral, com a minha vida ou com domínios específicos, como o trabalho, a saúde, a família, o lazer…) e aspetos afetivos (quantos afetos negativos e positivos considero ter, e como os sinto ou não equilibrados). Há investigadores que dizem que para haver felicidade há que ter 5 aspetos: 1: emoções positivas, ou uma boa dieta emocional (o hedonismo, e estes afetos podem ser alegria, amor, prazer, apreço, riso, curiosidade…); 2: vida comprometida (ter alguma área em que ponha em pratica os talentos, forças pessoais, em que se envolva de tal forma que se sinta a fluir); 3: relações positivas e construtivas com outras pessoas; 4: Objetivos e metas; 5:Vida com sentido (que se dedica ao bem comum, que é maior do que nós mesmos). Quais os objectivos do Instituto da Felicidade? Investigar a felicidade em Portugal e divulgar os dados dos estudos que se vão fazendo, criando espaços de partilha, e reflexão, por forma a aumentar o espaço de escolha dos portugueses sobre a vida que vale a pena ser vivida. Os portugueses são um povo feliz? Dizem-se mais ou menos felizes (sem muitos valores extremados). No estudo do Instituto encontramos 56% de pessoas a dizer que não estão nem felizes nem infelizes. No geral, quando comparados com outros estudos com povos europeus e mundiais, tendemos sempre a estar abaixo da média, e por vezes no final da lista, entre os que se sentem mais infelizes, como aconteceu num estudo recente da OCDE. Numa altura em que muito se fala de crise e de incerteza quanto ao futuro, o que é que cada um de nós deve fazer para procurar a felicidade? Primeiro, percebermos que a crise precisa de soluções colaborativas e conjuntas, criativas e inovadoras, e isso é mais fácil de conseguir se tivermos em conta alguns dos dados dos estudos científicos sobre a felicidade: as pessoas que estão a viver emoções positivas são mais capazes de pensar em soluções e de se relacionarem mais eficazmente para o fazer (e encontram mais soluções, mais diversificadas, mais ricas, e ficam mais pro-sociais, com vontade de se relacionar e dar com os outros e cooperar do que as que se estão a sentir mal, seja porque estão deprimidos, desanimados, descrentes, cheios de raiva…); terem em conta que o negativo tem tanto peso nas nossas vidas quando acontece que precisa se sobrecompensado (para conseguirmos ir mais além depois de viver uma coisa má, precisamos pelo menos de 3 positivas para a compensar. Por isso para superarmos o negativo e florescermos, temos que investir no positivo; relembrar que os seres humanos, e os portugueses em particular, já viveram momentos muito duros na sua história, e fomos sempre melhorando e superando, tendo hoje vidas melhores, a inúmeros níveis, do que noutros momentos da história da humanidade (longevidade, qualidade de vida material, igualdade, proteção aos desvalidos, período de paz mais longo da história, gerações mais educadas e cultas, cuidados de saúde, diminuição da mortalidade infantil); tantas vitórias que terão que ser lembradas, para não perder a esperança e ter um sentido histórico das coisas. Finalmente, agir individual e coletivamente de forma a melhorar o espaço social em que vivemos e a orgulhar-nos mais do que somos como família humana: aumentar a participação ativa e democrática, envolvendo-nos mais nas decisões e práticas das nossas comunidades em vez de nos queixarmos de quem decide e mantermos a passividade triste e queixosa que tantas vezes nos caracteriza, diminuir a corrupção, a poluição, a injustiça e a desigualdade social, encontrar soluções para o desemprego (uma das experiências de vida que mais afeta a nossa felicidade e da qual custa mais a recuperar), investir nos bens relacionais e não apenas nos materiais, promover as chamadas “emoções espirituais”, como a gratidão, a compaixão, não perder o optimismo realista face ao futuro, e ter em conta que, este momento da história da humanidade, tem que ser um momento para, juntos, repensarmos valores e práticas de vida, e voltarmos a ver o que é essencial para sermos felizes, numa felicidade que não é já, e apenas, a da competitividade e sucesso individual, mas que só faz sentido se for a felicidade de todos. Os ricos são mais felizes que os pobres? O dinheiro dá felicidade? Sim, os ricos são mais felizes. A pobreza é uma das vergonhas da humanidade, pois só nos faz lembrar o quão mal distribuídos estão os bens materiais (que se transformaram em ‘males materiais’), e que há cidadãos de primeira, de segunda, e de terceira, e que uns valem mais que outros. O mais interessante destes estudos é que a partir do momento em que temos as nossas necessidades básicas resolvidas, e cumpridas (acesso à alimentação, à educação, à saúde, ao emprego, casa condigna, direitos que, infelizmente, estão em risco para muitos, por causa da ganancia de alguns e de um enfoco da existência apenas em valores materiais, capitalistas e consumistas), ter um aumento salarial, uma casa com mais metros quadrados, um carro com mais potência, um telemóvel de ultima geração ou muitos sapatos no armário, não afeta a nossa felicidade. A partir desses bens mínimos, para viver com conforto, ter mais coisas, ter mais dinheiro, apenas nos torna transitoriamente mais felizes e nos faz adaptar rapidamente ao que temos agora, e querer mais, sempre mais, comparando-nos constantemente com quem tem melhor, e assim vivendo vidas insatisfeitas, não apreciando o que já temos de bom, mas sempre esperando o que vem depois, a seguir, o que ainda falta ter.para, finalmente, um dia nos sentirmos felizes. Somos, por isso, como ratos em roda livre, a trabalhar mais e a gastar mais os recursos do planeta para consumirmos mais, para, um dia, algures, acharmos que temos condições para finalmente atingir o que nos faz felizes. E muito do que nos faz feliz nada tema ver com dinheiro: são as relações interpessoais e ter com quem contar; é ter liberdade; é aprender coisas novas; e é ter uma sociedade, e uma comunidade, que nos permita desenrolar e concretizar os nossos melhores potenciais. Estas 4 coisas mostraram ser as mais importantes para nos sentirmos bem com a vida num estudo que teve uma representatividade de mais de 90% da população mundial. Muitos portugueses têm o hábito de responder ao cumprimento com um expressivo: “vamos andando”, mesmo quando tudo lhes está a correr tudo bem. Isto significa que os portugueses têm medo de ser felizes? Os portugueses parecem ter receio de reconhecer que o são, não de serem, mas de publica e abertamente dizerem que são felizes. Talvez ainda tenhamos as marcas do terramoto de 1755, em que no meio do luxo e da riqueza em que se vivia, Lisboa foi arrasada, e centenas de milhares morreram quando rezavam nas igrejas. Talvez tenhamos ficado com um sentimento permanente de que quando tudo está muito bem, no auge, temos que nos precaver pois vem aí desgraça. Passaram mais de dois séculos, mas se calhar ainda receamos. Diz uma filósofa norte-america, a Susan Neyman, que o terramoto de Lisboa foi o fim do optimismo na cultura ocidental, marcando os filósofos e a cultura. Quem sabe se nos ficou tão embrenhado esse receio que ainda tenhamos medo de estar bem, ou de reconhecer que estamos, porque.pode ser sinal de que vem aí desgraça. Mas a cultura também se faz por cada um de nós, por isso será tempo de tomarmos consciência do que somos e alimentamos culturalmente, no nosso “inconsciente coletivo”, e escolher o que queremos manter, e o que queremos transformar, e refletirmos sobre a gestão coletiva do sentido e do significado da vida. O Instituto da Felicidade foi criado em Novembro. O que foi feito ao longo desde então. Está feliz com o trabalho desenvolvido? Fez-se o primeiro estudo, caracterizador da felicidade dos portugueses, comparando com resultados de mais 5 países europeus, escreveu-se o livro com os resultados e cruzaram-se com as teorias e dados sobre felicidade de estudos e autores internacionais. O livro foi uma obra muito cuidada, do ponto de vista estético (tem um boneco – o feliz/contente, de feltro vermelho a abraçar o próprio livro), mas sobretudo do ponto de vista social e ético (foi encomendado e feito por uma fábrica de manteigas, que trabalha materiais e produtos tradicionais, como o burel, e que ia para lay off de trabalhadores, e a encomenda impediu despedimentos). Foi feita uma ampla divulgação na comunicação social (mais de 4,5 horas só de televisão e números especiais sobre felicidade no Diário Económico, na revista RH, na Ginkgo). De momento estamos em processo de fazer a 1ª de quatro investigações, que serão realizadas ao longo deste ano, e da qual sairão 4 novos livros, com 4 novos bonecos de burel. O tema atual, o primeiro do ano, é sobre Economia e Felicidade. Associadas à edição, estarão conferências e ações pelo país; foram estabelecidos acordos com a Fundação do Gil (que receberá os eventuais ganhos das ações, como a futura venda de livros), realizar-se-ão reuniões com entidades e figuras nacionais nestas áreas, como o Prof. Dr. Gabriel Leite Mota, o único economista português que se doutorou em Economia da Felicidade. Saiu da Nazaré com poucos meses, apesar disso considera-se uma nazarena? Saí com seis meses, e não me considero integralmente nazarena, nem lisboeta. Confesso que a alegria e a bênção de ter vivido nos Estados Unidos da América do Norte, onde nasceu o meu filho mais novo, o Thomas, e o mais velho, o David, que aprendeu a ler e escrever (e até a sonhar) em inglês, e de trabalhar, há décadas, com gente de muitos países e continentes, ter os meus filhos a estudar no estrangeiro, contribuiu para que me sinta uma cidadã do mundo. Ainda assim, a Nazaré exerce sobre mim um grande fascínio. Há em mim características que são muito marcadas pela forma de ser nazarena, na maneira subjetiva como a entendo: uma profunda ligação ao mar e aos horizontes largos e abertos, à beleza da paisagem e da natureza regeneradora, ao poder ver as coisas de cima, do alto, e comtemplar a vida, como podemos fazer do Sítio, a importância dos laços familiares – fortes, e vitais – a limpeza e organização das mulheres, a ligação com o exterior e a rua, porque aí se cimentam os laços, a festa e a celebração como rituais coletivos, a manutenção da história e das tradições no que elas têm de melhor, a simpatia, a espiritualidade, o empreendedorismo, a dor superada heroicamente (as mortes dos pescadores frente à praia), a forma linguística tão sui generis, o gostar de ser diferente, numa espécie de orgulho humilde. Que ligação tem à Nazaré? Tenho primos e familiares, que adoro, amigos, e até antigos alunos. Esta é a ligação do presente, mas que vem em continuidade com o passado. Tenho dele muitas e boas memórias de infância, um avô – o José Hilário de Águeda – que adorei e me marcou muito (era um poeta, um humorista, um ser humano apaixonado pelas pessoas, que adorava cuidar-se – fazia ginástica diariamente, comia saudavelmente, precisava das caminhadas no paredão para se sentir ligado à vida, adorava a Nazaré e a existência, tinha uma imensa alegria de viver e capacidade de se pensar e renovar). Tenho uma casa, que era dos avós, e foi renovada pela família, em especial pela minha irmã Bé, e onde adoro estar. Tenho memórias lindas de infância e adolescência na praia – a nadar nas águas intensas, a jogar ao prego, nos bailes de carnaval – adoro dançar! , das refeições e conversas em família, nas caminhadas à beira-mar. A Nazaré é, hoje, um espaço de descanso e de retiro para os meus filhos, que adoram ir para a casa antiga dos avós, para mim e para o meu marido. Deliciamo-nos com cada fim de semana, infelizmente raros, em que podemos zarpar até ao imenso mar, às caminhadas até ao Sitio e no excelente passeio junto aos pinhais, aos passeios na praia do norte, à subida à Pederneira, ou nas idas ao porto de abrigo. Luz, pureza, espaço aberto, serenidade, descanso, densidade, terra com alma e substância, onde o trivial ganha belas dimensões. É reconhecida na Nazaré (quando cá vem)? Só pela família e amigos, felizmente. A Nazaré é para mim um refúgio sereno. O que mais gosta e o que menos gosta da Nazaré? O que mais gosto, já referi. O que acho mais difícil é a dimensão da terra e a consequente excessiva proximidade, que faz com que seja difícil para quem lá vive ter vida própria, escolhas diferentes, assumir vivências, como o divórcio, os conflitos interpessoais, a homossexualidade, tudo coisas difíceis de assumir na Nazaré. Há a coexistência de inflexibilidade e fechamento, e de abertura ao novo. As questões politicas têm sido um domínio de que nem sempre me orgulho ser nazarena. O excesso de uma cultura de turismo e algumas escolhas urbanísticas, pouco cuidadas, também me entristecem. É uma terra onde não gosto de ir durante as fases de enchente, pois trazem ao de cima o pior – o esquecimento das pessoas em prol do comércio, o desrespeito pela beleza natural em prol do consumo. Paga-se um preço elevado por quebrar o melhor da cultura. Quando há excessos nestas áreas, perde-se a beleza. Mas, ainda assim, o positivo supera largamente o negativo. Defina a Nazaré numa frase. “Insularidade em comunhão” JL

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