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Tertúlia “Nazaré no Feminino”fez reflectir sobre a Mulher

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Dia Internacional da MulherTânia RochaNo ano em que se comemorou 100 anos do Dia Internacional da Mulher, o Museu Dr. Joaquim Manso realizou, na passada segunda-feira, dia 8 de Março, uma tertúlia, intitulada “Nazaré no Feminino”, na Biblioteca Municipal da Nazaré, que teve como convidadas de honra duas mulheres nazarenas de diferentes gerações, com percursos […]
Tertúlia “Nazaré no Feminino”<br>fez reflectir sobre a Mulher

Dia Internacional da MulherTânia RochaNo ano em que se comemorou 100 anos do Dia Internacional da Mulher, o Museu Dr. Joaquim Manso realizou, na passada segunda-feira, dia 8 de Março, uma tertúlia, intitulada “Nazaré no Feminino”, na Biblioteca Municipal da Nazaré, que teve como convidadas de honra duas mulheres nazarenas de diferentes gerações, com percursos profissionais diferentes, Júlia Salvador e Lurdes Petinga de Almeida, e uma investigadora em Estudos Femininos, Maria de Fátima Toscano.Segundo a directora do Museu da Nazaré, Dóris Santos, este evento, que encheu o auditório, teve como objectivo “promover a reflexão sobre o papel da Mulher na comunidade piscatória da Nazaré”, além de ter contado com o contributo de testemunhos pessoais das convidadas nazarenas.

Dóris Santos disse que “a Mulher, de facto, tinha uma certa autoridade e um papel indiscutível na sociedade nazarena”. Eram as mulheres que geriam a casa, educavam os filhos, e em termos profissionais dedicavam-se, sobretudo, desde muito cedo, ainda em crianças, à venda de peixe e aluguer de quartos. A sessão foi iniciada com a leitura de dois poemas, dedicados à Mulher nazarena, da autoria de Maria Otília Salsinha, aluna da Universidade Sénior. Enquanto as oradoras davam a conhecer o seu percurso de vida e papel na sociedade, enquanto mulher da Nazaré, esposa, mãe e profissional, podiam ser visualizadas várias fotografias da colecção do Museu Dr. Joaquim Manso, de várias épocas, que retratam vários aspectos da vida da mulher nazarena. Maria de Fátima Toscano, investigadora e docente de Sociologia na Universidade de Coimbra, começou por lembrar o que mudou “nestes 100 anos de 8 de Março”. Neste sentido, a investigadora enumerou algumas questões como: a redução dos horários de trabalho, o facto de a Mulher conseguir trabalhar fora de casa, a utilização, cada vez mais, do espaço público por parte das mulheres, o acesso a outras profissões, a noção de partilha entre homem/mulher, a intervenção na política, entre outras conquistas. No entanto, Maria de Fátima Toscano considerou que ainda falta mudar muita coisa, mas salienta que essas modificações “passam muito pela mudança que nós, enquanto mulheres, ainda não fizemos”. Para reforçar esta opinião, a investigadora reforçou que “se queremos que algo mude, temos de ser nós a mudar”. Por sua vez, Lurdes Petinga de Almeida começou a sua intervenção por se apresentar, não enquanto profissional, mas sim enquanto filha da terra. Identificou a sua mãe e avós, dizendo de quem era filha e neta, mostrando assim o forte peso que a cultura feminina teve e tem para a sua vida e para a sociedade nazarena, enquanto modelo de valores.Falou da Nazaré de há décadas, de forma a vincar a importância que os antepassados tiveram para a evolução do tempo, o tempo que se vive hoje. “Temos de perceber quem fomos, para saber onde estamos”, afirmou Lurdes Petinga.Falou da sua descendência de “mulheres de armas”, mulheres nazarenas que lutaram toda a vida por um futuro melhor. Apesar de esta nazarena ter demonstrado que a sua mentalidade era diferente das gerações anteriores, mais evoluída, confessou que, no que toca a valores morais, essencialmente, “continuo a reproduzir os modelos que herdei”. Lurdes Petinga também realçou que, desde pequena, teve a convicção de que queria ter uma vida diferente. O percurso profissional de Lurdes Petinga fugiu um pouco à regra, comparativamente a outras pessoas da sua geração, uma vez que seguiu os estudos e conseguiu forma-se, sendo hoje professora de História. No entanto, realçou que sempre ajudou a sua família na lida da casa ou no tratamento do peixe, uma das formas de sustento da sua família. Por sua vez, Júlia Salvador contou que começou a ajudar a mãe aos 11 anos de idade. Trabalhou sempre no peixe, mas também aprendeu costura, exercendo hoje a profissão de costureira. Disse que não pôde estudar, porque tinha de ajudar a mãe, era o seu “braço direito”, mas que, enquanto mãe, teve sempre uma preocupação, “quis sempre que os meus filhos estudassem. Agora, graças a Deus, têm uma vida diferente”. Confessou também que a sua família nunca passou fome, graças ao duro trabalho, “nunca tivemos fome, vivíamos desafogados, mas com muito trabalho”.Deste modo, ao darem a conhecer a sua história de vida, as duas nazarenas destacaram o importante papel, na educação pessoal e formação cívica, que as mães e avós desempenhavam, ou seja, o papel da Mulher na formação da sociedade.Esta iniciativa foi promovida no âmbito das comemorações do Dia Internacional da Mulher e da dinamização do seu “Objecto do Mês”, e contou com a colaboração da Biblioteca Municipal da Nazaré e da Universidade Sénior da Nazaré. O mês de Março é dedicado à “algibeira”, acessório do traje tradicional feminino.O encontro terminou também com a leitura de dois poemas sobre a Mulher da Nazaré, feitos por uma tia de Júlia Salvador, com 81 anos de idade. A tertúlia “Nazaré no Feminino” estava inserida no projecto “Conversas de Algibeira”, uma parceria entre o Museu Dr. Joaquim Manso e a Universidade Sénior da Nazaré, que envolve várias disciplinas na realização de trabalhos inspirados na tradicional “algibeira” nazarena. Este projecto vai terminar com uma exposição conjunta, no final deste ano lectivo. Ainda no mesmo dia foram realizados pelo concelho vários jantares-convívio, que juntaram dezenas de mulheres com o mesmo objectivo, celebrar o Dia Internacional da Mulher.

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