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Vidas de antigamente em Artesanato

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Júlio Romão recria em madeira cenários de vidas passadas Tânia Rocha “O artesanato é uma coisa que vem de dentro do coração, nasce com a pessoa”. Foi desta forma que Júlio Romão, natural dos Raposos, caracterizou as formas de vida que recria em madeira, gosto que descobriu há oito anos. Modos de vida de antigamente, […]

Júlio Romão recria em madeira cenários de vidas passadas Tânia Rocha “O artesanato é uma coisa que vem de dentro do coração, nasce com a pessoa”. Foi desta forma que Júlio Romão, natural dos Raposos, caracterizou as formas de vida que recria em madeira, gosto que descobriu há oito anos. Modos de vida de antigamente, coisas que caíram no desuso, tarefas que já ninguém faz e costumes que se perderam no tempo, tudo isto renasce pelas mãos de Júlio Romão, mantendo assim, as vivências do passado presentes no tempo. Bocados de madeira, quatro instrumentos (navalha, lima, esquadro e lápis) e muito gosto pelo que faz, é o necessário para fazer crescer uma pequena aldeia, onde vão nascendo cada vez mais personagens, à medida que as mãos de Júlio Romão vão trabalhando.

Lembra que todo este trabalho foi impulsionado quando um dia olhou para um armário e viu um barco em madeira, e disse para si “talvez consiga fazer um igual”. Foi a fazer uma réplica do navio “Sagres” que acordou esta paixão que estava adormecida dentro de si, e desde então, nunca mais parou. Hoje, no seu atelier, que já foi um armazém de fruta, uma antiga câmara frigorífica, estão expostas todas as peças que recriou até hoje. Cenas de lazer, ofícios, profissões e costumes maioritariamente do século XIX e princípios do século XX, foram recriados em miniatura pelas mãos de Júlio Romão. Mas, já diz o ditado, “atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher”, esta obra, única e original, tem também a ajuda da sua esposa. Hortense Figueiredo veste todas as bonecas dos diversos cenários, com os restos de tecidos que sobraram dos fatos que fazia para as suas filhas. Retalhos, esquecidos num baú, que agora enfeitam as bonecas criadas por Júlio Romão. Todos os cenários recriados foram cenas passadas na sua vida, que viveu antes de emigrar para os Estados Unidos. Quando voltou, dedicou-se a esta actividade, mas refere que “este bichinho esteve sempre no seu sangue”, porque também já a sua família, de gerações anteriores, se dedicavam aos trabalhos de artesanato. Pela forma como as peças de maneira estão expostas, desenhadas e posicionadas parecem ter vida própria. Tudo está feito e desenhado ao pormenor. A constituição do cenário, a posição das coisas, os enfeites, é o que Júlio Romão chama de “o sal do artesanato”. Antes de começar a constituir um cenário, tudo se completa na sua mente. “As coisas não vão surgindo, primeiro são pensadas”. Quando começa, já tem presente qual o resultado final que pretende recriar. No entanto, todos os utensílios são funcionais, as carroças andam, os moinhos podem moer o milho, os engenhos funcionam. Contudo, o seu trabalho tem um objectivo. Um fim que não termina em si próprio. Júlio Romão faz tudo isto com o intuito de mostrar aos jovens presentes e aos que ainda hão-de vir, como era a vida de antigamente. Como é que o pão chegava mesa, como é que o vinho se consegue, como o carvão se forma, enfim, como era a vida…. “Tudo isto é uma demonstração do que é a agricultura. Os jovens devem compreender e saber a origem das coisas”. Este artesão, hoje com 72 anos, não vende nada do seu trabalho. “Estou a fazer isto para demonstração, se entrasse na parte comercial perdia o interesse”. Cada peça é única, original, desigual a tudo o que existe, “não faço cópias”, assim “o trabalho perdia o seu valor”. Vai recriando estes modos de vida à medida do seu tempo disponível. Só encontrou tempo para ouvir o seu “bichinho” quando se reformou. Faz as peças à medida da sua vontade, disponibilidade, e com o recordar dos momentos passados. Na sala de exposição estão representadas as diversas fases do trigo, do milho, desde a sementeira até ao produto final. O vinho também começa com os agricultores a prepararem a terra até o poderem saborear. O percurso da madeira, desde ao corte da árvore até à construção da casa, também está presente. O mundo da agricultura está praticamente todo representado, mas também se dedicou a outras profissões, como o ferreiro e o ferrador de gado. Além da vida do campo, também desenhou outros cenários, como um campo de futebol, uma praça de touros e um presépio. Ao nível da crítica política, construiu, recentemente, uma manifestação de agricultores a contestarem as medidas do primeiro-ministro. Tem feito exposições por toda a região, mas também abre sempre as portas da sua casa para mostrar o seu trabalho a quem desejar. Mostra, explica e partilha toda a sua obra, gratuitamente. Diz que o apoio das pessoas é o “fermento” para o aumento da sua obra. Agora, o artesão está a trabalhar na recriação de uma feira de porcos e afirma que o que lhe dá mais prazer é montar todo o cenário, pois só nessa altura é que vê se realmente fez aquilo que imaginou. Júlio Romão confessou ainda que gostava de sair mais vezes para “mostrar a mais pessoas o que era a vida de gerações passadas”. Ciclo do Pão Antes de o pão chegar ao formo passa por um longo processo. Semear, debulhar e moer o trigo e o milho era um processo muito trabalhoso e penoso. Os braços humanos, com a ajuda dos animais, eram os instrumentos fundamentais. Só mais tarde começaram a aparecer as primeiras máquinas que ajudaram na produção. Júlio Romão desenhou a evolução dos tempos, desde a sementeira até à cozedura do pão. Baile Aqui está representado um baile saloio. Os casais solteiros dançavam ao som de um acordeão, enquanto alguns jovens esperavam pela sua vez. Para conseguirem dançar com as raparigas, os moços tinham de comprar uma flor. A flor era leiloada, quem mais oferecia é que tinha direito a dançar com as moças. As mães das raparigas, sentadas a assistir, não arredavam pé do local. Feira As gentes da região reuniam-se para a venda e compra de gado. No local era improvisado um restaurante para que os feirantes, longe de casa, pudessem alimentar-se. No letreiro lê-se “come-se barato e com asseio”. Procissão de Santa Susana Procissão em honra de santa Susana. As pessoas dirigiam-se para a igreja matriz da aldeia. À frente seguia o padre, depois os músicos e seguidamente os devotos, acompanhado de carros enfeitados, conduzidos por bois. Taberna Antigamente, os tempos de lazer eram passados na taberna. Hoje, o café é o vinho de antigamente. Quando estavam reunidos, jogavam as cartas, à malha e punham a conversa em dia. Para acompanhar e molhar a garganta não faltavam uns copos de vinho.

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