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“Apartheid” no areal da Nazaré

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Jovens nazarenos só podem alugar barracas nas filas 9 e 10, na parte norte da praia Tânia Rocha Os grupos de jovens nazarenos que queiram alugar uma barraca no areal da Nazaré, estão limitados a duas filas. Esta foi uma decisão da “Sol e Mar – Associação de Banheiros do Concelho da Nazaré”, tomada este […]
“Apartheid” no areal da Nazaré

Jovens nazarenos só podem alugar barracas nas filas 9 e 10, na parte norte da praia Tânia Rocha Os grupos de jovens nazarenos que queiram alugar uma barraca no areal da Nazaré, estão limitados a duas filas. Esta foi uma decisão da “Sol e Mar – Associação de Banheiros do Concelho da Nazaré”, tomada este ano. Aqui na Nazaré, os jovens nazarenos estão proibidos de alugar, e consequentemente, pagar uma barraca onde desejam, porque a Associação assim o entendeu. Não podem portanto, usufruir livremente da praia da terra onde nasceram, à semelhança dos turistas ou das pessoas que nos visitam, pois esses, não têm qualquer limitação. Este foi o caso de um grupo de cerca de dez jovens nazarenos, entre os 15 e os 17 anos de idade, que quiseram, como já tem sido habitual nos últimos três anos, alugar uma barraca na parte da praia onde mais gostam.

No início do mês, dirigiram-se ao banheiro que lhes alugou uma barraca o ano passado, mas este, segundo um dos jovens do grupo, disse que “não tinha nenhuma nessa fila”. Depois foram procurar outro banheiro que lhes alugou no espaço que pretendiam. No entanto, quando estavam nessa barraca foram abordados por outros banheiros que lhes perguntaram: “de onde é que vocês são?”, os jovens responderam que eram da Nazaré, e então, esses membros da associação disseram: “então não podem estar aqui”. Esta pergunta repetiu-se várias vezes, até que, ao que parece, o banheiro que lhes alugou a barraca foi chamado à atenção por outros sócios, e posteriormente, foi avisar os jovens de que afinal não podiam lá permanecer, porque a Associação tinha decidido não alugar barracas aos jovens nazarenos, a não ser em duas filas, disponíveis para o efeito. O grupo foi expulso desse espaço, mas os pais não se conformaram com esta medida, o que levou Paula Serrador a falar com a presidente da Associação, Ana Meco. Falámos com duas mães destes jovens, nomeadamente, Paula Serrador e Lídia Pires, que nos explicaram como tudo aconteceu. Paula Serrador marcou uma reunião com a presidente da Associação, representando também a posição das outras mães, com o intuito de saber qual a regra que a Associação tinha implementado. Esta mãe disse que a presidente antes de dizer qual foi a regra, começou por justificá-la, argumentando que “o pessoal da praia diz muitas asneiras, que as pessoas de fora não querem estar nas barracas ao pé do pessoal de cá, e que são muito irrequietos”. Paula, quando confirmou esta medida com a presidente, além de ficar furiosa, disse que “não queria acreditar no que estava a ouvir, não queria acreditar que as pessoas da minha terra estavam a fazer uma coisa destas”. Paula sugeriu à presidente que a atitude a tomar não deveria ir por este caminho, e pediu, inclusivamente, a cópia da acta dessa reunião para tratar do assunto nas instâncias devidas. Perante este cenário, segundo Paula Serrador, a presidente disse que “não sabia que era o teu filho”, e depois da reunião, o grupo, onde os filhos de Paula Serrador e Lídia Pires estão inseridos, foi autorizado a permanecer na barraca que queriam alugar, situada numa outra fila. Portanto, ao que parece, a Associação delibera uma medida que aos olhos da Constituição da República Portuguesa não é legal, uma vez que, segundo o artigo 12º, “todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei”, e “ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever, em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica ou condição social”, mas depois não respeita essa própria medida, porque conhece os familiares dos jovens em questão. Contactámos a presidente da “Sol e Mar, Associação de Banheiros do Concelho da Nazaré”, Ana Meco, que se recusou a marcar uma reunião para falar sobre o assunto, mas que nos disse pelo telefone, antes de o desligar repentinamente e sem avisar, que “a Associação não tem de dar satisfações a ninguém e muito menos aos jornais”. No entanto, afirmou que “a medida é da Associação, que a tomou com o conhecimento e autorização dos sócios, e a partir daí, a Associação não deve nada a ninguém e não precisa de ninguém”. Ainda disse que “quando os pais não dão educação aos filhos, então as outras pessoas têm de a dar por outras medidas”. A presidente confirmou esta decisão, ao afirmar que “a Associação decidiu alugar as barracas aos miúdos da praia numa certa fila”, e ainda realçou que “para alguns não há fila, nem há nada, nem devia haver areal”. Fomos falar com algumas pessoas que têm barraca alugada na fila 9 e 10, que nos disseram que estão ali de livre vontade e que aquele espaço não lhes foi imposto, mas todos afirmaram que não tinham conhecimento desta regra ou imposição da Associação. Laura Fardilha, uma senhora que não é nazarena, mas que já passa férias há muitos anos na Nazaré, disse que “se assim for, é uma vergonha para a Nazaré”, e afirmou que “os nazarenos não deviam aceitar uma coisa destas, estarem enfiados num gueto”. Esta senhora ainda realçou que não tem “qualquer problema com os vizinhos das barracas” e que “os nazarenos não são vândalos”. Abordámos também alguns banheiros que nos confirmaram a veracidade desta medida. Nenhum deles esteve presente na assembleia onde foi tomada esta decisão, afirmando que “não votámos em nada”. Ainda divulgaram que souberam desta medida no encontro que tiveram antes de começarem a montar as barracas na areia, no qual a presidente lhes comunicou que, “se alugassem barracas aos jovens nazarenos sem ser nestas duas filas, que lhes tirava a barraca”. Esta fonte afirmou também não concordar com esta medida, mas disse que tem de a respeitar. Inclusivamente, vão alugar barracas nessas filas a pessoas que não são da Nazaré, se as pessoas assim o desejarem, mas nem sequer vão referir que aquele espaço é o único que pode ser alugado a jovens nazarenos. Contudo, apesar de a situação deste grupo de jovens ter sido resolvida, eles continuam a ser constantemente interpelados pelos banheiros, com as mesmas perguntas, e sentem-se, segundo Luís Serrador, “vigiados e controlados”. O comandante da Capitania do Porto da Nazaré, José Miguel Neto, disse não ter conhecimento desta norma que a Associação criou, e comunicou que “todas as pessoas que se sentirem lesadas podem fazer queixa à Capitania”, sendo que, posteriormente, este órgão pode “agir consoante as suas competências”. No parecer que o comandante da Capitania enviou ao Região da Nazaré sobre esta medida da Associação, refere que “um espaço de praia que é concessionado pela Autoridade Marítima e pela Autoridade Ambiental a pessoa colectiva ou particular, esta fica responsável pela sua gestão a todos os níveis, tendo regras que lhe são impostas ao nível da segurança e da preservação do espaço concessionado. Por outro lado, no que se refere aos utentes, o concessionário deverá zelar pelo seu bem-estar nestes espaços, proporcionando a todos as melhores condições de lazer que cada um deseja”.

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