A invenção da verdade

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António Lopes Colunista “— Quieto, carago! Tira as mãos! Já sei que dói. E quem é que tem a culpa? Quem? Eu? Quem tem a culpa é o Governo! Mete isso bem na moleirinha. O Governo é que tem a culpa de teres os dentes podres. O Governo é que tem a culpa de te […]

António Lopes Colunista “— Quieto, carago! Tira as mãos! Já sei que dói. E quem é que tem a culpa? Quem? Eu? Quem tem a culpa é o Governo! Mete isso bem na moleirinha. O Governo é que tem a culpa de teres os dentes podres. O Governo é que tem a culpa de te doer.” doutor Rubicundo Loachamín, in “O velho que lia romances de amor” de Luís Sepúlveda Tornou-se habitual, entre nós, este protestar contra o Governo, contra os sucessivos governos. Da mesma maneira que protestamos contra tudo e contra todos os que nos contrariam ou não nos fazem as vontades. É genético e não há nada a fazer. Mas há protestos e protestos. Há os que têm como razão de força toda a força da razão. E há os que nasceram dum qualquer ódio recalcado que se transformou, com o tempo, numa verruga moral de contestação. Os primeiros são justificados, os segundos são intoleráveis.

Por outro lado, em Portugal, há quem diga verdades a mentir. E não estou a referir-me a este ou àquele em particular, mas a todos em geral. Principalmente a todos os que fazem da política a sua profissão ou a sua forma de ganhar a vida. Incluindo aqueles que dizem ter na verdade o seu estatuto ético. Porque nós sabemos o valor que têm essas palavras nas suas bocas, onde as verdades de hoje são as mentiras de ontem e vice-versa. Há, também, verdades que não são bem verdade e mentiras que não são bem mentira. Isto é, há verdades que são um pouco mentirosas e mentiras que são um pouco verdadeiras. Como dizia o Aleixo: “prà mentira ser segura e atingir profundidade, tem que trazer à mistura qualquer coisa de verdade!”. Há mesmo políticos que, de tanto mentirem, lhes apodrecem os dentes. O que seria motivo bastante para os impedir de continuarem a mentir. Pois a mentira só é credível se for suportada por um sorriso imaculado, puro e angelical. O que não acontece com uma boca desdentada, cheia de cáries e mau hálito. Daí o recurso frequente a próteses dentárias que, para além de lhes garantirem o sucesso do sorriso, lhes asseguram igualmente o emprego. A mentira tornou-se assim parte integrante da nossa vida quotidiana. O Governo mente, a oposição mente, os políticos mentem… Por conveniência, por hábito ou por vício. E, mesmo quando falam verdade, já ninguém acredita. Porque a verdade é, para eles, apenas e só uma recriação da mentira.

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