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“É preciso abrir um novo ciclo”

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Daniel Adrião, vereador do PS, na Câmara Municipal de Alcobaça afirmaEntrevista Tânia RochaRegião da Nazaré – Qual o balanço que faz do seu mandato?Daniel Adrião – Sou suspeito para fazer esse balanço. São os eleitores que têm de fazer essa avaliação. O que posso dizer é que estou de consciência tranquila, relativamente ao meu desempenho. […]
“É preciso abrir um novo ciclo”

Daniel Adrião, vereador do PS, na Câmara Municipal de Alcobaça afirmaEntrevista Tânia RochaRegião da Nazaré – Qual o balanço que faz do seu mandato?Daniel Adrião – Sou suspeito para fazer esse balanço. São os eleitores que têm de fazer essa avaliação. O que posso dizer é que estou de consciência tranquila, relativamente ao meu desempenho. Penso que cumpri a minha missão na acção fiscalizadora da maioria PSD. Levantei um conjunto vasto de questões ao longo destes anos, que considero importantes e que, sobretudo, visaram o esclarecimento, o escrutínio e a fiscalização de medidas e decisões tomadas pelo executivo camarário. Estive muitas vezes a favor de medidas e obras que considerei importantes para o desenvolvimento do concelho, mas também votei contra, quando entendi que as medidas propostas não defendiam, convenientemente, os interesses das populações do concelho de Alcobaça. Agi sempre na defesa da coesão social e territorial, do ordenamento do território, com uma grande preocupação relativamente às questões urbanísticas, colocando um grande enfoque nas questões culturais, no desenvolvimento estratégico do concelho e no relançamento da actividade económica, bem como, numa gestão criteriosa dos dinheiros públicos.Estas foram as principais matérias que me preocuparam e que orientaram a minha acção, enquanto vereador do PS.

R.N. – Quais são as principais dificuldades de um vereador da oposição?D.A. – De facto, ser vereador da oposição é uma tarefa muito difícil, com as condições precárias que temos para o desempenho das nossas funções. Tive muita dificuldade em ter acesso aos documentos de forma atempada, praticamente não consegui ter acesso aos serviços camarários, no sentido de poder falar directamente com os técnicos, agendar reuniões com os responsáveis de cada uma das áreas, para ter um conhecimento mais directo da forma de organização e gestão na Câmara Municipal. De facto, às vezes houve claramente o objectivo de impedir que eu, enquanto vereador da oposição, tivesse acesso a reuniões, a iniciativas organizadas pela Câmara, onde eu sinto que o meu contributo poderia ter sido útil.O episódio mais recente foi o das acções desenvolvidas pela Câmara como resposta à crise da cerâmica, junto dos empresários, e outros representantes do sector, em que pura e simplesmente, o vereador do PS não foi convidado, e portanto, não tive a possibilidade de estar nessas sessões. De facto, há uma grande desconfiança, relativamente aos vereadores da oposição, porque se pensa que os vereadores da oposição são um fardo, são um incómodo, e que não são membros de pleno direito da Câmara. Essa é uma visão errada. Os vereadores da oposição podem e devem constituir uma mais-valia para o próprio executivo.R.N. – Como são recebidas as suas propostas pela maioria? Há uma real execução das mesmas?D.A. – As propostas que tenho apresentado, e apresentei muitas ao longo do mandato, foram sempre recebidas com muita desconfiança e frieza. R.N. – Quais são essas propostas?D.A. –Porexemplo, apresentei uma proposta para a criação de uma Sociedade de Reabilitação Urbana, para responder aos problemas de degradação urbanística, nomeadamente no centro histórico de Alcobaça. Essa ideia chegou a ser admitida pela Câmara, mas rapidamente foi abandonada, e portanto, não foi concretizada, com grande prejuízo para Alcobaça.Outra questão que considero muito importante é o tema da “Marca Alcobaça”, que foquei várias vezes ao longo do mandato. Falei na necessidade de se criar a “Marca Alcobaça”, desenvolvendo uma estratégia de marketing territorial, assente nos produtos de excelência que o concelho produz, como forma de apoiar a indústria e a actividade económica, potenciando, igualmente, a oferta cultural e a atracção turística. Outra proposta que fiz recentemente, foi no sentido de criar um programa que responda às dificuldades sociais que o concelho de Alcobaça atravessa, nomeadamente através do desenvolvimento de um programa de empreendedorismo social, que ajude as pessoas desempregadas, sobretudo as mais qualificadas, a retomar a sua actividade produtiva. Nenhuma destas minhas propostas teve acolhimento por parte da maioria PSD.R.N. – As propostas são postas de parte por serem da oposição?D.A. – Acho que esse é o princípio. De facto, o que vem da oposição tem tendência para ser rejeitado. Tem sido uma marca desta maioria a falta de diálogo e a incapacidade de se entrosar com os vereadores da oposição, de os chamar a participar nos projectos, nas equipas, nas soluções. Essa não tem sido a linha de orientação desta Câmara, que se fecha, que se enclausura, que apenas olha para o seu próprio umbigo, o que na minha opinião revela uma visão completamente errada da gestão autárquica.R.N. – Qual é a avaliação que faz à gestão PSD na CMA?D.A. – Acho que quando se trata de fazer balanços, há naturalmente aspectos positivos e negativos. Não fizeram tudo mal, caso contrário era impossível estarem a governar há 12 anos e terem tido três maiorias absolutas. Portanto, isso significa que, efectivamente, houve aspectos positivos e negativos. A aposta nos equipamentos desportivos, a requalificação de S. Martinho do Porto e as várias requalificações feitas na cidade de Alcobaça, por exemplo, foram globalmente positivos. Mas, claro, que em algumas destas intervenções houve também aspectos negativos e que de alguma maneira ensombraram o seu sucesso, é o caso da requalificação da zona envolvente do Mosteiro. R.N. – Acredita que o PS pode conquistar mais vereadores com a não recandidatura do presidente Gonçalves Sapinho?D.A. – Teoricamente, sim.Esta é uma janela de oportunidade que se abre ao Partido Socialista. Efectivamente, não se recandidata alguém que marcou de forma indelével, par o bem ou para o mal, depende dos pontos de vista, o concelho de Alcobaça, nos últimos 12 anos.Portanto, o facto de o presidente carismático da Câmara de Alcobaça, ao longo deste tempo todo, não se recandidatar é um trunfo para a oposição, mas resta saber se a oposição tem capacidade para aproveitar esse trunfo e essa oportunidade e tirar partido disso.O concelho de Alcobaça é um concelho sociologicamente conservador, portanto, o que é normal é o PSD ganhar as eleições. Para que haja uma alternativa ao PSD, é necessário que houvesse uma convergência muito grande, muito forte, em torno do Partido Socialista. Sinto que se deveria aproveitar a oportunidade da não recandidatura do actual presidente, para um sobressalto cívico, no sentido de se criar as condições necessárias para que fosse possível essa alternativa à actual gestão do PSD. Sem que isso exista é muito difícil destronar o PSD. É necessário que haja um processo muito aberto, muito transparente e muito convergente. O PS tem de ser um grande espaço de intervenção cívica, chamando pessoas que não sendo militantes do PS, não se revêem no actual modelo de gestão protagonizado pelo PSD e que consideram que chegou a hora de mudar de rumo.R.N. – Mas acha que o PS tem essa capacidade?D.A. – Espero que tenha. O meu desejo é que, efectivamente, o PS tenha o melhor resultado possível e consiga contribuir para pôr fim a 12 anos de gestão PSD.R.N. Acha que a população quer essa mudança?D.A. – Acho que sim. Para bem ou para mal, está a acabar um ciclo e é preciso abrir um novo ciclo, com novos protagonistas, com novas ideais, com novas estratégias, com novas formas de estar e de pensar. O PS é a alternativa natural, mas é necessário que o partido se abra à sociedade de forma a enriquecer-se com os contributos e com as energias e dinâmicas que os alcobacenses podem oferecer. Só com esse trabalho é possível criar as condições para que o PS ganhe as eleições. R.N. – Vai integrar alguma lista?D.A. – Acho que há um tempo para tudo. Considero que nesta fase vou cumprir e tenciono fazê-lo o meu mandato até ao fim. Ao longo deste mandato penso que consegui dar visibilidade ao Partido Socialista, como provavelmente o PS não teve em mandatos anteriores. Apresentei muitas propostas, tive uma acção permanente de fiscalização e escrutínio da actividade da Câmara e tentei, o mais possível, exteriorizar aquilo que fiz. Penso que esse é um trabalho que constitui um activo para o Partido Socialista, que constitui uma vantagem para o PS, nas futuras eleições. Penso que o trabalho que aqui desenvolvi foi importante para que o Partido Socialista possa efectivamente ter melhores condições para disputar as próximas eleições. Infelizmente, eu senti muito a falta desse trabalho antes. Quando disputei as eleições, de facto, não tinha esse activo. Neste momento, os candidatos do PS têm esse activo e isso pode ser muito útil.R.N. – Mas quer continuar como membro do executivo na CMA?D.A. – Na actual conjuntura, não. Esta experiência como vereador foi muito interessante, gostei imenso de ter estado aqui estes anos, aprendi imenso e penso que também trouxe alguma coisa de novo, em termos de actividade e participação democrática. Nesse aspecto considero-me muito satisfeito e realizado. Agora, chegou a hora de outros protagonizarem esse combate, e espero bem que o meu contributo venha beneficiar e constituir uma mais-valia para o PS. R.N. – Quais os pontos fortes e pontos fracos do seu desempenho? Como se avalia?D.A. – O ponto fraco foi a falta de tempo para acompanhar a acção da Câmara fora das reuniões. Como vivo e trabalho em Lisboa tenho muito pouco tempo para fazer o acompanhamento quotidiano da acção do executivo. Houve muitos convites para iniciativas em todo o concelho a que não consegui comparecer, por motivos profissionais, e lamento isso. Gostaria de ter sido muito mais assíduo. O ponto forte, se posso chamar-lhe assim, é de facto, a minha combatividade, a minha determinação e a minha atenção permanente aos problemas. Mesmo à distância, sempre quis obter o máximo de informação e sempre decidi de uma forma livre. Sou um cidadão livre, sou um vereador livre, decidi sempre em função da minha consciência e do meu ideal político, e não estive aqui a representar outros interesses que não fossem os interesses das minhas convicções. Poder ter sido alguém que teve a ousadia de dizer sempre o que pensa, de uma forma perfeitamente livre, dá-me imensa satisfação. Não representei aqui lobbies, não representei aqui interesses inconfessáveis, não estive aqui para beneficiar ninguém e muito menos a mim próprio. Estive aqui numa acção cívica, de liberdade plena do ponto de vista político. Penso que nesse aspecto estive à altura da confiança que os eleitores depositaram em mim.

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