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Está aqui o futuro?

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Rui Morais, director da Academia de Música de Alcobaça e programador do Cine-Teatro de Alcobaça, em entrevista sobre o papel da cultura no desenvolvimento da região Alcobaça e as indústrias criativas:Além de programador do Cine-Teatro de Alcobaça e director do Festival Cistermúsica, Rui Morais é acima de tudo director da Academia de Música de Alcobaça […]
Está aqui o futuro?

Rui Morais, director da Academia de Música de Alcobaça e programador do Cine-Teatro de Alcobaça, em entrevista sobre o papel da cultura no desenvolvimento da região Alcobaça e as indústrias criativas:Além de programador do Cine-Teatro de Alcobaça e director do Festival Cistermúsica, Rui Morais é acima de tudo director da Academia de Música de Alcobaça (o cargo que mais tempo lhe ocupa e porventura a actividade que menos lhe é conhecida). Desde 2001 que a Academia de Música de Alcobaça não tem parado de crescer, isto numa terra que sempre foi de músicos e fez da música uma das suas mais famosas formas de expressão na região e no país. Numa altura em que o clima económico pede novas soluções, estratégias e sobretudo ideias, a cultura é na sua opinião um factor predominante para responder à crise. Foi por isso que falámos com Rui Morais sobre o a actividade cultural no concelho, o papel que a indústria criativa e os próprios criadores podem ter para o desenvolvimento económico do concelho e como essa tradição nunca deixou de fazer parte do património cultural, histórico e social dos alcobacenses.

Entrevista de David MarianoProgramador do Cine-Teatro de Alcobaça, Director do Festival Cistermúsica e Director da Academia de Música de Alcobaça: como é conjugar estas três actividades?É difícil, o trabalho já é muito, devido a tudo aquilo que implicam, mas ao mesmo tempo acaba por ser simples porque se entrecruzam. Estas áreas estão envolvidas naquilo que é a área de gestão cultural, que é um pouco aquilo que tenho vindo a fazer, no caso dos projectos da Academia de Música de Alcobaça (AMA), onde se insere a direcção executiva da Academia e a direcção do Festival Cistermúsica, entre outros grandes projectos, que é, digamos, a área onde trabalho a “full-time”, sendo esta a minha principal actividade. Depois, em relação ao Cine-Teatro de Alcobaça (CTA), funciono um pouco mais como consultor da Câmara Municipal de Alcobaça (CMA), e se é verdade que ando sempre a correr, as áreas acabam por estar ligadas, pois a própria AMA, que é uma instituição que tem vindo a crescer muito, também acaba por ser um parceiro muito importante da CMA, não só na actividade cultural genérica, mas um pouco na programação do CTA. Portanto, é ao mesmo tempo complicado em termos de gestão do meu tempo, mas em termos de concepção é simples, porque tudo tem a ver com a área da cultura.Falando de números e da oferta de formação musical que AMA tem, o que é que isso significa em termos reais?Nós hoje somos uma escola que está presente no pré-escolar, no primeiro ciclo, e que tem depois os cursos vocacionais, mais sérios, com uma componente, digamos, oficial e que são tutelados pelo Ministério da Educação. Temos também algumas alunas numa escola de dança, e temos ainda o ensino sénior, o que perfaz um total de 2713 alunos e 61 professores a colaborar connosco. A nossa vocação principal é obviamente o ensino especializado de música, onde temos hoje 248 alunos e esta área do ensino vocacional cresceu muito sobretudo neste ano lectivo com a mudança do regime. O ensino oficial da música tem dois regimes: o regime articulado e supletivo, sendo este último um regime residual, mas que fruto da anterior legislação acabava por ser o regime da regra, e o articulado que era para as crianças que aos dez anos iam para o segundo ciclo e começavam a estudar música, era no fundo o que se tornava residual. Entretanto, o governo alterou essas regras no sentido de as crianças terem aulas de música integradas nas escolas e no ensino regular. Alcobaça agarrou essa oportunidade com unhas e dentes e penso que se trata mesmo de um caso exemplar e fruto dessa mudança nós também crescemos de um ano lectivo para o outro mais de cem por cento. A AMA tinha em média, desde que abriu no ensino vocacional, cerca de 100 alunos em média e este ano passa para os 248, dos quais 185 estão no regime articulado, que é um dos dois regimes oficiais, porque quando falamos em 248 alunos, estamos a falar em iniciações, dos 4 aos dez anos, cursos livres para adultos, estando nós presentes graças a esta alteração em 7 escolas do concelho onde em regra os nossos professores vão ensinar música. Facilmente se compreende que qualquer encarregado opta desta forma mais rapidamente por inscrever e integrar os seus filhos no ensino musical e tem sido todos estes projectos que nos têm ocupado todo o nosso tempo.´Esses são já fortes sinais de crescimento, mas será que ainda existem maiores perspectivas de a AMA crescer mais? E de que forma isso pode acontecer?Claramente e sobretudo nesta questão do regime articulado: este é o primeiro ano do novo regime e esta foi uma reforma feita em Julho, durante as férias escolares e quando as escolas já tinham os horários feitos, onde conseguimos entrar com alguma abertura dos Conselhos Executivos, mas a verdade é que foi correr contra o tempo. Mesmo assim conseguimos 185 alunos, a maioria novos alunos e outros que já estavam na AMA noutro regime e que por via desta abertura transitaram. Este ano lectivo que aí vem vai ser aquele que nos vai permitir preparar este novo regime com tempo e isto vai-nos levar a duplicar o número de alunos, pois numa perspectiva conservadora, se nós tivemos estes números num processo que começou em Julho, e quando as aulas se iniciavam em Setembro, agora preparando isto a partir de Março, com tempo, divulgação e acções de sensibilização, pensamos que poderemos, no mínimo, duplicar o número de alunos no ensino articulado, que tem a vantagem de as crianças a partir dos dez anos poderem estudar música mais a sério.Até que ponto a indústria cultural, a criação artística e a formação musical, aquilo que está, no fundo, na base do trabalho da AMA, podem ser determinantes para Alcobaça?Eu penso que é mesmo uma das ideias chave do desenvolvimento de Alcobaça e que de alguma maneira está presente desde sempre, basta pensarmos no papel dos monges e do Mosteiro de Alcobaça. Esta é uma terra que se diferencia nisso, isto numa altura em que cada vez mais procuramos aquilo que nos diferencia dos outros. Somos uma terra com muita história, com um passado e um presente muito fortes na área da cultura, e tudo aquilo que se tem passado à volta da AMA e de outros agentes culturais, daquilo que implica o património do Mosteiro, ao nível do turismo, tudo aquilo que o CTA tem feito, não só em termos locais, mas ao atrair pessoas de fora para dentro, vindo assistir aos espectáculos, tudo o que existe ao nível de criadores, não apenas na música, no teatro, na dança, sobretudo desde que se fixou a CeDeCe – Companhia de Dança Contemporânea, isto faz de nós um concelho que se apostar decisivamente nesta área da indústria cultural ou se quisermos da indústria criativa, termo que talvez nos permita alargar o leque e considerarmos profissionais liberais como arquitectos ou designers e outros na área de entretenimento, pode ser um campo que permita o desenvolvimento. A cultura cada vez mais não pode ser entendida como algo a ser subsidiado e da qual não fica nada, os estudos da economia e da cultura demonstram que é um sector com viabilidade económica e que pode alavancar o desenvolvimento económico de algumas regiões. Isso tem vindo a ser estudado sobretudo em Inglaterra, e Portugal começa também a descobrir isso. Hoje em dia há estudos e regiões que o provam, sobretudo no Porto está a tentar-se desenvolver-se um “cluster” de indústrias criativas que tem por base a Casa da Música, a Fundação de Serralves, e aqui na nossa região temos também essa possibilidade. Óbidos, por exemplo, está a apostar muito nisso e acho que Alcobaça tem, também fruto da sua história e da sua dimensão, outras potencialidades que não tem Óbidos.De facto, uma das ideias pré-concebidas que existe é que o ramo da cultura é normalmente um factor de despesa, mais do que investimento ou gerador de riqueza: isto quando sabemos que a cultura é já o terceiro sector que mais contribui para a economia e que está até em crescimento. Nesse aspecto, até que ponto a cultura não pode constituir um dos sectores com maior futuro no concelho de Alcobaça, sabendo das enormes variáveis para que pode contribuir; o turismo, o design, a formação e as próprias indústrias locais?É verdade e aí estamos a falar de um estudo da União Europeia; esse estudo espantou muitas pessoas, embora se deva dizer que estão nesse estudo as áreas da televisão, do entretenimento, da edição discográfica. Estamos a falar mais do que as indústrias criativas, de uma coisa chamada a “economia criativa”. Mas realmente se pensarmos em escala, e talvez não devêssemos falar apenas de Alcobaça, mas de uma região, penso que se pode apostar num “cluster” criativo e criar condições para a fixação de artistas. Alcobaça já o tem feito, mas julgo que pode ser pensada de uma forma ainda mais organizada, não só nesta área da música, da dança ou do teatro, mas também alargando o leque para outras profissões na área da criatividade que podem ser a resposta até para outras áreas em declínio como a cerâmica, indústrias tradicionais que como nós sabemos estão numa crise brutal, mas cuja resposta pode e deve ser dada por uma outra visão onde o factor diferenciador seja o design, a criatividade. Portanto, as indústrias criativas podem representar muito mais até do que as actividades associadas à cultura no seu sentido mais tradicional e ser um factor de criação de riqueza, de criação de novos negócios e de desenvolvimento económico para uma região. Alcobaça tem muitas potencialidades a este nível, mas falta realmente um plano estratégico, uma outra organização, ou quem sabe uma instituição que consiga coordenar tudo isto. Temos também de trabalhar em rede e tentar criar sinergias entre os vários criadores, abrindo portas para negócios nesta área, passar de uma área da criação e da cultura para o estabelecimento de negócios, de uma indústria que tenha a ver com isto. Penso que isso é possível, através de um conjunto de medidas que têm de ser sistematizadas e que facilitem o aparecimento deste tipo de indústrias. Ao fim ao cabo, criar um conjunto de políticas novas para que esta indústria possa florescer e continuar a ser conhecida como uma terra de cultura e de empreendedorismo. Conseguir conjugar o empreendedorismo nesta área cultural com aquilo que é a nossa tradição criativa e artística.

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