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Capitalismo: o grande e o pequeno

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Valdemar RodriguesProf. UniversitárioSem mecanismos próprios de defesa, a Europa poderá estar condenada a ter de pagar a crise dos mercados financeiros, iniciada nos EUA. O processo em curso de “salvação” pelo Estado americano de grandes grupos privados do sector financeiro envergonha os teóricos do liberalismo, é mais ou menos aceite pelos keynesianos (a maioria) e […]

Valdemar RodriguesProf. UniversitárioSem mecanismos próprios de defesa, a Europa poderá estar condenada a ter de pagar a crise dos mercados financeiros, iniciada nos EUA. O processo em curso de “salvação” pelo Estado americano de grandes grupos privados do sector financeiro envergonha os teóricos do liberalismo, é mais ou menos aceite pelos keynesianos (a maioria) e faz renascer a Ocidente esperanças de “amanhãs que cantam” há algum tempo abandonadas, e que anunciam já com secreta satisfação o “colapso do capitalismo”.

Entretanto, os biliões de dólares, euros, libras e ienes injectados pelos bancos centrais nos mercados financeiros representam dívida, o que significa que alguém (o povo) vai ter de pagar esse “soro” com que tentam desde há algum tempo reanimar o defunto. No meio da confusão, ninguém fala dos dividendos bilionários há bem pouco recebidos pelos accionistas e gestores de tais grupos financeiros (só em 2007 a recentemente falida Lehman Brothers pagou a astronómica quantia de 5,7 mil milhões de dólares em bónus aos seus gestores). A pornografia é coisa que poucos em público se orgulham de apreciar. É claro que não existe aqui a mínima sombra de justiça, mas a justiça há muito que deicou de ser o objectivo nobre da política, e o BCE não é propriamente um tribunal. O BCE é um banco “moderno” que sofre com a inflacção ou seja, com os baixos niveis de desemprego, que naturalmente fariam subir os salários dos trabalhadores e estimulariam a “pequena economia”. O BCE, a americana FED, o Banco de Inglaterra ou o Banco do Japão são governados por gente que é farinha do mesmo saco, apostada em espremer as classes médias e os pequenos mercados independentes baseados na produção de pequena escala, negando assim as possibilidades à democracia como a conhecemos. As coisas mudam de natureza consoante a sua dimensão. Sabemo-lo de há muito. Um roubo, por exemplo, é-o só até um certo ponto, a partir do qual se passa a falar não somente de “desvio”, mas também de “estratégia”, de conquista de “posição de mercado”, de “disputa territorial”, de “democratização”, etc. Quando os grandes negócios corrompem a política, como é agora a regra, surgem as “leis eficazes” através das quais certos roubos deixam de o ser, passando a gozar do estatuto de “pagamentos legais”. Daí que faça pouco sentido falar-se agora de “colapso do capitalismo”. O que virá certamente a colapsar é o grande capitalismo financeiro desregulado, que cresceu por todo o mundo nas últimas décadas diante do olhar cúmplice dos políticos. O pequeno capitalismo assente na produção de pequena escala não tem a mesma natureza, embora se continue a falar de “capitalismo”. Pois nesse sentido seria tão capitalista o pequeno produtor de aguardente de medronho, cruelmente fiscalizado pela ASAE, como o grande banco comercial cândida e docemente “regulado” pelo Banco de Portugal. O que as políticas recentes têm atacado não é apenas o “socialismo” ou os direitos dos trabalhadores, é também e sobretudo o “pequeno capitalismo”. Será que nacionalizar um grande grupo financeiro, mesmo estando ele à beira da falência, não é dar força à ideia de “socialismo”? Não foi também para salvar milhares de postos de trabalhos que o governo dos EUA assim fez com o Freddie Mac, a Fanny Mae, o Merrill Lynch ou a AIG?Há obviamente uma pergunta inconveniente, política, a fazer àqueles que ainda acreditam que a União Europeia ou o Japão são regiões independentes, não “ocupadas militarmente” desde 1945 pela potência militar vencedora da II Grande Guerra, ocupação essa reforçada após 1989 com a vitória da Guerra Fria: porque razão injecta o BCE centenas de milhar de milhões de euros no sistema financeiro europeu e cá os juros sobem, ao contrário dos EUA onde têm vindo a descer? Será porque o risco financeiro é maior na Europa? Ou será porque chegou a hora de pagar, com juros, a conta das ajudas concedidas à Europa pelo Estado protector, desde a era do famoso Plano Marshall? E será que é justo pagarmos sem que no-lo digam abertamente? Sinceramente, acho estranho sempre que a história de repente se esfuma anulando leis há muito estabelecidas, passando por exemplo a admitir-se a existência de Estados ou grupos de Estados independentes, mas sem uma capacidade de defesa inteligível. Com a potência russa por perto, agora também ela “seduzida” aos encantos do capitalismo, e com a capacidade militar americana fragilizada por guerras muito mal explicadas, a Europa poderá estar à beira de uma ruína sem precedentes. Talcez isso explique o silêncio de Durão Barroso em relação a esta crise que a todos afecta. Entrementes, porque afinal é pouco aquilo que podemos fazer para nos defendermos, convirá ir pensando em não deitarmos a criança fora com a água suja do banho. A criança aqui é o pequeno capitalismo, naturalmente. De “socialismos” parece estar hoje o mundo prenhe.

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