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Um dos principais ícones da cultura nazarena

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Nossa Senhora da Nazaré Tânia RochaDa lenda à realidadeVenerada há séculos, a imagem da Nossa Senhora da Nazaré, ainda hoje atrai milhares de peregrinos. É no dia oito de Setembro, feriado municipal, que a população nazarena e outros crentes religiosos se juntam para celebrar a veneração, dedicação e agradecimentos à santa. Este dia é dedicado […]
Um dos principais ícones da cultura nazarena

Nossa Senhora da Nazaré Tânia RochaDa lenda à realidadeVenerada há séculos, a imagem da Nossa Senhora da Nazaré, ainda hoje atrai milhares de peregrinos. É no dia oito de Setembro, feriado municipal, que a população nazarena e outros crentes religiosos se juntam para celebrar a veneração, dedicação e agradecimentos à santa. Este dia é dedicado à Nossa Senhora da Nazaré desde meados do século XVIII, dia da natividade da Virgem Maria. No período anterior a este século, celebrava-se a cinco de Agosto. Anteriormente ao século XVII, a estátua, encontrada nos rochedos do promontório, era adorada como sendo a Virgem do Leite. Só após o milagre de Dom Fuas Roupinho, a catorze de Setembro de 1182, e com os registos do milagre por Frei Bernardo de Brito, no século XVI, a imagem passou a ser denominada como a imagem de Nossa Senhora da Nazaré. Conta-se até à data quase nove séculos de devoção e crença na Virgem.

Vêm em excursões, de várias partes do país e de todos os cantos do mundoà procura do elemento ainda hoje existente de uma história, que segundo dizem, remonta os primórdios do nascimento de Cristo. Além da imagem da santa, os peregrinos ou simples curiososprocuram ver a marca da pata do cavalo associado à lenda, assim como a Ermida da Memória e o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré. Segundo reza a lenda, a imagem hoje venerada como imagem de Nossa Senhora da Nazaré tem origens de Nazaré da Galileia, esculpida em madeira pelo próprio São José e pintada por São Lucas. Passou por várias mãos e atravessou vários continentes, até ser trazida por Santo Agostinho, para a Península Ibérica, como oferta ao Mosteiro de Cauliniana, em Mérida. Com a derrota cristã na Batalha de Guadalete, o rei Dom Rodrigo refugiou-se no mosteiro e posteriormente fugiu para ocidente com o Frei Romano, levando consigo a sagrada imagem e alguns bens. Quando chegaram ao Monte de São Bartolomeu, em Novembro de 714, a viagem em conjunto terminou, uma vez que o rei Dom Rodrigo quis viver isolado no monte. Após a sua decisão, o Frei Romano dirigiu-se para o promontório, levando consigo todas as relíquias. Para comunicarem e darem um sinal de vida, os dois acordaram acender, no final de todas as tardes, uma fogueira ao cimo do monte onde viviam. Um dia, Dom Rodrigo quebrou o seu isolamento ao não avistar o sinal de fogo do seu companheiro. Dirigiu-se para o promontório, altura em que constatou que o seu amigo havia falecido. Após sepultar o corpo do Frei, junto do abrigo, que este tinha construído e onde guardava a imagem e os outros bens, Dom Rodrigo partiu. No local deixou esquecidos todos os objectos que os tinham acompanhado durante a viagem.A imagem permaneceu naquele local ao longo de quatro séculos. Dizem ter sido encontrada no século XII, primeiramente por pastores que deambulavam pelas matas circundantes, mas outra face da história, diz ter sido encontrada por Dom Fuas Roupinho, alcaide-mor de Porto de Mós, numa das suas habituais caças pela região. Após ter descoberto a imagem da Virgem, começou a venerá-la desde aquele momento, representando desta forma um dos seus símbolos de fé.Reza a lenda que num dia nublado de caça habitual pelas redondezas, Dom Fuas Roupinho perseguia um cervo que o conduziu até à beira do precipício. Quando o cavaleiro percebeu que estava prestes a sofrer um fatal acidente, invocou a protecção da virgem. Nesse preciso momento apareceu a imagem da virgem com o menino ao colo, e o cavalo estacou na pedra, poupando a vida do cavaleiro. Ainda hoje é visível na rocha, o que dizem ser a marca da pata do cavalo. Como agradecimento, o cavaleiro, alcaide de Porto de Mós e almirante de D. Afonso Henriques, doou aquele território à Senhora da Nazaré e mandou ali edificar uma ermida, no Bico da Memória, em homenagem à Virgem. Em 1377, Dom Fernando, rei de Portugal, mandou construir uma igreja, que posteriormente se transformou no magno Santuário de Nossa Senhora da Nazaré. A imagem foi trasladada para o Santuário e, em 1600, o Frei Bernardo de Brito, desobstruiu a gruta subterrânea e colocou nela um letreiro em que registava a “estória” da Sagrada Imagem.Desde que o milagre de Nossa Senhora da Nazaré aconteceu, os rumores se espalharam atraindo milhares de peregrinos que ainda hoje visitam a Nazaré em romaria, para apreciar e visualizar os elementos vivos da lenda. Após o dito milagre, e da proliferação do acontecimento, começaram a chegar ao local os primeiros romeiros e nobres da corte. A história foi registada pela primeira vez pelo monge Bernardo de Alcobaça, Frei Bernardo de Brito, no século XVI. Foi a partir desta altura que a imagem começou a ser associada a Dom Fuas Roupinho e a partir do século XVII foi proclamada como Nossa Senhora da Nazaré. Desde o milagre, e com a difusão dos escritos, houve um aumento significativo do número de romeiros, crentes e de ofertas à virgem, não só pelos visitantes, mas também pelo povo nazareno. Algumas dessas dádivas estão junto à santa, no Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, são vários os objectos valiosos, entre eles são visíveis muitas jóias em ouro e prata. Os devotos rapidamente aceitaram e acreditaram na narrativa, uma vez que eram visíveis alguns dos elementos fundamentais da lenda, não descorando o prestígio e credibilidade do Mosteiro de Alcobaça. Além da oralidade dos devotos e da versão escrita, em diversas línguas, o milagre foi replicado também em registos iconográficos e aceite pela Coroa Portuguesa ao proteger os direitos jurisdicionais da Irmandade e do rei sobre o local, aquando da doação do território por Dom Fuas Roupinho. A mistura do religioso e do profanoA devoção à Nossa Senhora da Nazaré permanece viva até aos nossos dias. É no mês de Setembro que as gentes se juntam e lembram o aparecimento e milagre associado à Santa. Entre festas e culto religioso, as celebrações estendem-se durante a primeira metade do mês, sendo que, é no dia oito de Setembro o dia dedicado à Nossa Senhora da Nazaré, desde o século XVIII.O programa religioso, de 30 de Agosto a catorze de Setembro, contempla a novena preparatória no Santuário, de 30 de Agosto a sete de Setembro e as celebrações Eucarísticas, de um a catorze do mesmo mês. Mas é no dia oito que há um maior número de celebrações, nomeadamente o hastear das bandeiras e a procissão solene, com a imagem da santa. No dia treze, na parte da manhã, além da Eucaristia no Santuário, antecedida pela presença dos Círios das paróquias de Olhalvo e Penela, há a missa no período da tarde. O programa é encerrado no dia catorze, com a missa solene às onze horas.Relativamente ao programa das festividades, há um conjunto de animações que dão vida e cor ao Parque Atlântico, local onde se celebram actualmente as conhecidas “Festas do Sítio”, ou as festas em honra de Nossa Senhora da Nazaré, de cinco a catorze do mês corrente. Do elenco de eventos fazem parte alguns concertos, danças, gastronomia, fogo-de-artifício, a feira, com todo o tipo de actividades comerciais e várias diversões, além da tradicional tourada no dia oito, na Praça de Touros da Nazaré.Os CíriosDesde o século XVII foram muitos os povos, de diversas localidades, que se deslocaram em romaria para prestar devoção à Nossa Senhora da Nazaré. Estão registados peregrinações colectivas provenientes da Pederneira, Penela, Santarém, Coimbra, Sintra, Colares, Mafra, São Pedro de Dois Portos, Almargem do Bispo, Óbidos, Porto de Mós, Alcobaça e Alhandra, pertencentes a cerca de 36 círios diferentes. Actualmente já se contam um menor número. São dois os círios que ainda hoje estão presentes nas celebrações religiosas anuais, nomeadamente, o círio da Prata Grande e de Olhalvo. Contudo, o culto à Nossa Senhora da Nazaré é anterior a esta data, apesar de não haver registos físicos do mesmo, julga-se que as peregrinações colectivas remontam o início do século XV, e a crença na Imagem de Nossa Senhora da Nazaré começou a ganhar destaque a partir do milagre de Dom Fuas Roupinho, em 1182.Segundo o autor de Tradições Religiosas entre o Tejo e o Sado, Luís Marques, um círio “é uma confraria popular que anualmente se desloca a um santuário, em cumprimento da promessa antiga e colectiva feita pela povoação, em tempos idos”. Esta promessa pode ser apenas o compromisso em venerar a imagem. No caso de Nossa Senhora da Nazaré, os círios deslocam-se em romaria, no dia oito de Setembro, no sentido de prestar homenagem e devoção à Virgem. Feriado MunicipalNão é desde sempre que o feriado municipal se festeja no mesmo dia dedicado à Nossa Senhora da Nazaré. De 1899 até 1951, o feriado municipal era comemorado no dia três de Setembro, dia em que se celebrava a restauração do concelho de Pederneira. Outrora, o concelho de Pederneira designou toda a vila e território que hoje conhecemos com a denominação de Nazaré. Este dia era celebrado por várias festividades, que foram perdendo dimensão ao longo do tempo, e com a ajuda de mudanças legislativas nacionais, que estabeleceram novas normas para os feriados municipais, este dia acabou por cair no esquecimento.Desta forma, actualmente o dia de feriado municipal, feriado religioso, festeja-se a oito de Setembro, dia devoto a Nossa Senhora da Nazaré. O aniversário da restauração do concelho de Pederneira caiu no esquecimento e hoje não há qualquer celebração no concelho, deste importante facto histórico.

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