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Editorial 126Um pouco por toda a parte, em época de verão, fazem-se as festas dos emigrantes. O mês de Agosto é marcado, habitualmente, pela visita daqueles que só vemos uma vez por ano e que passam 11 meses a pensar no nosso sol, na nossa terra, no nosso cheiro e nos nossos sabores.Um dia partiram. […]

Editorial 126Um pouco por toda a parte, em época de verão, fazem-se as festas dos emigrantes. O mês de Agosto é marcado, habitualmente, pela visita daqueles que só vemos uma vez por ano e que passam 11 meses a pensar no nosso sol, na nossa terra, no nosso cheiro e nos nossos sabores.Um dia partiram. Coragem, pensam muitos. Cobardia, pensarão muitos daqueles que ficaram e que não reconhecem aos outros a ousadia de tentar melhor sorte longe da pátria-mãe.

Um dia partiram, levando uns magros escudos no bolso e uma mala cheia de sonhos, de esperança de um dia voltar. Lá fora, lutaram com as forças que tinham e com aquelas que encontraram para contrariar o seu destino, marcado pela falta de oportunidades de um país em que as portas, em vez de se abrirem, fechavam-se umas atrás das outras. Uns fugiam do árduo trabalho do campo, outros daqueles que não permitiam que houvesse homens a pensar de outra maneira que não fosse a sua. Outros, ainda, fugiam da miséria que lhes rondava a porta, sempre de atalaia, pronta para entrar…Nem todos voltaram ricos, nem todos voltaram pobres. Também para eles, a vida foi, umas vezes, mãe e, outras, madrasta.Correram mundo e levaram com eles a língua, a alegria, a tristeza de um povo que inventou a palavra saudade para expressar a dor da ausência do que se tem e do que não se tem, do que se viu há pouco e do que não se vê há muito. Em troca de uma vida melhor, deixaram o seu suor, as suas lágrimas e a força do seu trabalho. Nem sempre foram bem vistos ou aceites por essas paragens. Eram resistentes. Davam lições à sobrevivência.É Agosto e tal como as andorinhas na Primavera, também eles voltam todos os anos, sedentos do conforto do ninho e de fortalecer o fio que os liga às origens. Chegam e já nada é igual. O país que lhes fechou as portas um dia, agora é a oportunidade para outros que também viram as portas fechadas nas suas terras de origem.Surpreendem-se. Quando é que Portugal passou a ser um país de oportunidades?Surpreendem-se, mas compreendem que é preciso acolhê-los, mostrar-lhes que somos um povo hospitaleiro. Estes, a quem chamamos imigrantes, têm uma história parecida com a sua. Talvez mais recente, mais moderna, com uma roupagem mais actual. Mas, os sentimentos são os mesmos, o objectivo é sempre o mesmo: fazer como a formiga, trabalhar e amealhar, trabalhar e amealhar para um dia voltar.Não se conhecem. Talvez nem tenham tempo para isso. Mas, os seus corações são irmãos. Conhecem a dor da partida e a alegria da chegada. Sabem como é viver longe dos seus, no meio de festas e comemorações que lhe são estranhas, sonhando com aquele mês que é sempre pequeno para matar tantas saudades…Talvez devamos alterar um pouco o objectivo das nossas festas ao emigrante. Talvez devamos festejar aqueles que regressam em Agosto e aqueles que, por opção, escolheram o nosso país para viver.

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